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Antônio Carlos Silva

Militante do Partido da Causa Operária (PCO) desde as suas origens. Membro do Comitê Central do Partido, secretário Sindical e coordenador da Corrente Nacional Sindical Causa Operária.

Professor do Ensino Público do Estado de São Paulo, atua na oposição da Apeoesp.

Foi candidato a diversos cargos pelo PCO em eleições regionais e nacionais, levando a propaganda revolucionária às grandes massas.

Participa do conselho editorial do Jornal Causa Operária, do qual é colunista.

Apresenta os programas Resumo do Dia e Resumo da Semana, na Causa Operária TV. Também é âncora do programa Comando de Greve.

Membro da Direção Nacional do PCO, Secretário Sindical do partido. Professor.

Doria no comando

O golpe do “mal menor” e o ato de 12/9

A reedição do golpe das “Diretas Já” pelos que deram o golpe de 2016

Sob os auspícios e liderança real do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), eleito em 2018 sob o apelido de “BolsoDoria”, foram convocados “protestos” para 12 de setembro, organizados por grupos da direita fascista, que participaram ativamente da campanha golpista que levou à derrubada do governo Dilma Rousseff e que participaram, entusiasticamente da campanha para eleger Bolsonaro e o próprio governador tucano, o MBL e o Vem Pra Rua.

A essa escória política, defensora de todos os ataques contra o povo brasileiro dos governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro, se juntaram políticos e partidos amplamente repudiados pelo povo, como o DEM, do ex-ministro Mandetta. 

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Até o momento do fechamento desta edição, “confirmaram presença nos atos de domingo os diretórios nacionais do Novo e do Cidadania, os diretórios paulistas do PSL e do PSDB e os diretórios paulistanos do PSDB e do PDT”. Também era “esperada a participação de políticos como Orlando Silva (PCdoB-SP), Isa Penna (PSOL-SP) e Luiz Henrique Mandetta (DEM)” (Folha de S.Paulo, 8/9/21).

Não faltaram declarações de apoio à unidade com a direita da parte de velhas raposas, abutres da esquerda como políticos do PDT, como Ciro Gomes, e do PSB, como o governador Flávio Dino (ex-PCdoB) e o deputado federal Marcelo Freixo (ex-PSOL).

As digitais de Doria estão por todos os lados. Uma semana antes, o fascista tucano tentou proibir as manifestações da esquerda no dia 7 de setembro em todo o Estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que cedia a Avenida Paulista para Bolsonaro realizar sua demonstração de força. No mesmo dia, Doria anunciou que o próximo ato seria convocado pelos seus moleques de recado “contra Bolsonaro e Lula”.

Tudo em perfeita sintonia com o patrão tucano, que quer comandar a “terceira via” e para isso já conta com o apoio explícito do maior monopólio da imprensa do País, a Rede Globo, que anunciou que vai transmitir os debates preparatórios e dar ampla cobertura às prévias do PSDB, de onde o “Partido da Imprensa Golpista” (PIG) e a maioria da direita tradicional esperam ver emergir a candidatura do “Joe Biden” brasileiro, travestido de democrata, defensor das mulheres, dos negros e tudo mais que possa ser usado na farsa eleitoral, na terceira etapa do golpe que a direita busca montar com o apoio de setores da esquerda, sob o disfarce de “unidade” contra Bolsonaro.

Para se opor ao “mal maior”, que seria Bolsonaro, apresenta-se o “mal menor”, João Doria. Está em andamento a velha operação da direita de levantar um espantalho para assustar uma parcela da população e fazê-la apoiar o setor mais reacionário e antipopular contra quem já não serve mais aos donos do golpe de Estado de 2016.

Não por acaso, a própria direita e setores da esquerda capituladora, falam em reeditar a campanha das “Diretas Já” procurando evitar que haja grandes mobilizações populares que possam sair do controle que a direita busca impor.

De fato, a direita persegue o mesmo objetivo da campanha derrotada na década de 1980, na qual a mobilização popular contra a ditadura iniciada pela esquerda foi contida e derrotada pela direção burguesa e reacionária, integrada ao regime militar, e conduzida para o apoio à chapa formada por dois chefes tradicionais da direita nacional (Tancredo Neves e José Sarney) homens de confiança dos militares e do imperialismo, no Colégio Eleitoral da ditadura.

Para embalar os sonhos delirantes de setores da esquerda e conter a revolta crescente da população e as mobilizações que, desde maio, levaram centenas de milhares de pessoas às ruas, são publicadas pesquisas eleitorais fajutas e promessas vãs de que haverá um processo eleitoral democrático no País. Nesse sonho edulcorado, a direita permitirá que o candidato da esquerda, condenado e preso de forma criminosa em 2018, possa agora disputar e triunfar em 2022. Conseguiriam tudo isso sem luta, sem enfrentamento com a direita, sem mobilização efetiva de sua base de apoio.

Isso ocorre quando até mesmo a direita fascista, comandada por Bolsonaro, é ameaçada de ser jogada para escanteio (ou ser colocada na reserva) para que os donos do golpe assumam o comando do regime que eles edificaram derrubando e perseguindo o governo do PT.

A esquerda classista não pode se deixar levar pela campanha da direita; não pode confundir os interesses dos algozes com os das vítimas; não deve se juntar com os verdadeiros responsáveis pelas mais de 600 mil mortes (ocultas pelos números oficiais) na pandemia, pelo recordes de fome, desemprego e miséria que o País acumula e que não são obra exclusiva de Bolsonaro.

Os que convocaram os atos do dia 12, os “pais” de Bolsonaro querem dar o golpe e tapear o povo. É preciso reagir e levantar as reivindicações do povo explorado, contra a política de terra arrasada que eles, juntos com Bolsonaro, buscam impor.

É preciso colocar o bloco na rua, mobilizar a partir dos locais de trabalho, estudo e moradia, com a palavra de ordem “fora Bolsonaro e todos os golpistas”.

É necessário rejeitar a política traidora de frente ampla com os golpistas e desmascarar a farsa que, uma vez mais, está sendo montada contra o povo trabalhador.

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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