Salva-se: banqueiro ou o povo?
Num momento em que os mais otimistas anunciam que o mundo se prepara para uma hecatombe financeira, Bolsonaro quer salvar os banqueiros em detrimento da população.
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Economistas dão como certa depressão econômica e veem impacto prolongado da Covid-19 na economica |

Num momento em que os mais otimistas anunciam que o mundo se prepara para uma hecatombe financeira, Bolsonaro remete um socorro aos bancos 11 vezes maior que valor destinado aos mais pobres. Para a população, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que o governo distribuirá míseros cupons, no valor médio de R$ 191, a pessoas sem assistência social e à população que desistiu de procurar emprego.

Os cálculos mais singelos estimam que nos EUA vai ter desemprego de 30%, no Brasil 40 milhões desempregados, nível de miséria somente equiparado com 1929, muito pior que 2008.

Os anúncios são apocalípticos. Haverá uma recessão global, e nenhum país está imune’, diz ex-diretor do BC. Alexandre Schwartsman acredita que a situação que o planeta enfrenta neste momento impõe aos governos a adoção de todas as medidas que possam garantir, em primeiro lugar, a saúde da população e, na sequência, a saúde da economia.

É a mais completa falência da receita neoliberal. O ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (2003-2006) defende postura mais agressiva da equipe econômica: cortes maiores da taxa de juros e aumento dos gastos orçamentários, mas sem alterar a regra do teto de gastos (que limita o crescimento das despesas).

Depois do pibinho de 1,1, um PIB negativo. As contas demonstram que a economia brasileira deve encolher ao menos 2,5% no ano do coronavírus.

Verdade seja dita, o ministro Paulo Guedes em relação à população não dispende dinheiro. Dos R$ 147 bilhões anunciados cerca de metade é antecipação de gastos que seriam feitos no segundo semestre de qualquer maneira. As duas parcelas do 13º salário dos aposentados, por exemplo, teriam que ser pagas por volta de setembro e depois no fim do ano.

Economistas dão como certa a depressão econômica e veem impacto prolongado da Covid-19 na economia. Enquanto o Mundo discute um salário Universal, o pacote do governo permite corte de até 50% da jornada e dos salários dos trabalhadores formais, acrescido de suspensão de contratos de trabalho.

Num momento em que se exige é necessário um sistema de saúde universal e, considerar não apenas o autocuidado, tem alcance muito pequeno assistimos a ascensão do capitalismo do desastre (2008) em que Naomi Klein explica o “desastre capitalista” como uma maneira de descrever a forma como as indústrias privadas ressurgem ao se beneficiar diretamente de uma crise de larga escala. Ou seja, “O lucro produzido de desastres e guerras não é um conceito novo, mas realmente se aprofundou no governo Bush, após o 11 de setembro de 2001, quando o governo declarou tais tipos de crises de segurança sem fim, e simultaneamente as privatizou e subcontratou”, como disse Klein, explicando que isso incluiu o estado de seguridade nacional, bem como a ocupação do Iraque e do Afeganistão.

É preciso um programa de combate à crise. A classe trabalhadora não será salva com álcool gel, mas, com a luta pela tomada do poder. Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

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