Por quê tanta pressão?
O glorioso Botafogo está sendo levado para o matadouro, onde o objetivo é transformar o clube em empresa. É hora dos torcedores se manifestarem a respeito
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Botafogo sob ameaça de virar empresa | Foto: Reprodução
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Botafogo sob ameaça de virar empresa | Foto: Reprodução

Um dos maiores times do país do futebol, o Botafogo, encontra-se em crise financeira, como todos os demais, com dívida de cerca de R$ 1 bilhão sendo que 40% têm vencimento no curto prazo.  Além disso, nesta sexta-feira foi rebaixado para a série B perdendo grande parte das receitas com a TV, principal fonte, ficando reduzida a apenas 10%. Com isso corre o risco de se tornar um clube menor.

Esse é o terceiro rebaixamento, o primeiro ocorreu em 2002 e o clube possuía uma dívida de cerca de R$ 100 milhões. Já por ocasião do segundo rebaixamento em 2014, a dívida havia subido para R$ 800 milhões. Agora, com o caos financeiro agravado pelo COVID-19, atinge a casa do bilhão

A imprensa golpista tem demonstrado com essas matérias do jornal O Globo e do Yahoo News, que o futebol para continuar a existir, precisa transformar os clubes em empresas.

Dizem que o Botafogo passou 2020 tentando virar S/A e não conseguiu. Que um clube de modelo associativo não tem futuro no modelo empresarial. Querem na verdade excluir os sócios torcedores dos clubes, mantendo apenas os sócios investidores, com capital, para levar o time às alturas. 

Pura demagogia, num momento em que o capital mostra a sua maior crise e incapacidade de recuperação. Apostar nesse modelo é como apostar no “azarão”  da vez.

A lógica do capital é comprar barato e vender caro. Certo? Então precisa baratear o objeto de compra, o time, melhor dizendo a maioria dos times. Como fazer isso?

Nas matérias deixam claro que o Botafogo, com a dívida, o rebaixamento e drástica redução da receita da TV poderá fechar.

No ano passado, a consultoria EY divulgou através da ESPN um estudo das fontes de receitas dos 14 maiores clubes do Brasil em 2019. O resultado a que chegaram foi que em primeiro lugar está a receita com TV/Premiações, patrocinadores e transferências de jogadores, na ordem de importância.

E as receitas com bilheteria, mensalidade de sócios e consumo nos estádios quase nada representam, exceto se os direitos de tv/premiações e patrocinadores  forem muito baixos, caso do Botafogo e do Vasco.

Temos aí as pistas para entender o que estão fazendo com o futebol brasileiro e latino americano. Matando a raiz do bom futebol arte, que tem origem nas peladas de rua ou em qualquer espaço, por menor que seja, às vezes com bola de meia. A criatividade venceu todos os obstáculos, revelando os melhores jogadores do mundo.

Se os clubes dependem das receitas da TV e dos patrocinadores, a sobrevivência dependerá dessa renda, que pode ser manipulada pelos meios de comunicação e empresas patrocinadoras, de acordo com seus interesses.

Como toda a imprensa e empresas seguem os padrões de funcionamento dos monopólios, utilizam isso a seu favor e contrário aos interesses dos clubes. O resultado será a redução da importância do clube na sociedade com matérias depreciativas, redução dos valores investidos em patrocínio e em direitos televisivos, atraso nos pagamentos. Tudo como forma de estrangular financeiramente o clube em questão, neste caso o glorioso Botafogo RJ.

Como as empresas têm como objetivo o lucro, procuram utilizar a enorme popularidade do clube como nicho de mercado para seus produtos. E pouco importa a qualidade do futebol apresentado, a mídia fará propaganda enganosa dizendo que é o supra sumo, o time das galáxias, etc. para convencer o povo de falsa realidade.

Como podemos ver, transformar o Botafogo em empresa é o objetivo desses monopólios de comunicação e de empresas patrocinadoras. Com a crise da economia e da COVID-19 os monopólios não conseguem manter seus lucros e estão em busca de novas fontes, agora é a vez do futebol.

Para isso precisam desmontar o sistema de funcionamento atual do esporte, e assim provocam crises artificiais que levam a que os times sigam a cartilha ditada pela elite monopolista.

Em seguida colocam como única alternativa o sistema empresarial, o time S/A que vai gerar muito lucro para os seus proprietários acionistas. E como ficará a qualidade do esporte, a paixão dos torcedores por seus times? Sabe-se lá. O importante é que haja lucro.

Se os monopólios tiverem êxito, o Botafogo será o primeiro grande time brasileiro a se tornar S/A. Estão utilizando muitos artifícios para que isso ocorra. Usam o endividamento do time, que deveria ser feito uma auditoria para encontrar o problema. Manipulam os resultados através dos juízes e agora também do VAR.

Usam a crise econômica e da pandemia, que levam a que os times joguem sem a presença dos torcedores, mas os jogadores estão se expondo ao vírus, por pressão das TVs que lutam por manter audiência e renda a partir do futebol, paixão nacional.

Querem impor que a salvação estaria em contratar técnicos estrangeiros e por aí vai. Mas a realidade é que nada disso salva o futebol. Primeiro que o futebol não está em crise, os negócios e que estão. Muitas empresas fecham todos os anos, o que prova que não é modelo para uma nova forma de clubes de futebol sobreviverem.

O que os capitalistas querem na verdade é usar os clubes como forma de ganhar dinheiro, apenas isso. Não são apaixonados por futebol, são apaixonados por dinheiro, e os clubes serão apenas um meio de atingir mais lucros.

O que os torcedores e os sócios torcedores deveriam fazer é assumir o controle da administração do Botafogo, adotar como política central fazer belas apresentações em campo, só voltar a ter jogos e campeonatos quando a pandemia acabar e quando toda a população estiver vacinada, e expulsar os parasitas do clube.

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