Eleições
Esquerda pequeno-burguesa segue fazendo malabarismos para defender a colaboração com os golpistas
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reúne com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia no Ministério da Economia.
Rodrigo Maia, cortejado pelos frente-amplistas | Foto: José Cruz / Agência Brasil

Em artigo publicado pelo portal Vermelho, o dirigente Luciano Siqueira (PCdoB), defendeu a curiosa tese de que as eleições deveriam refletir a “realidade” de cada município, e não uma luta política nacional. Essa tese, obviamente, serve apenas para tentar arrefecer a polarização política e transformar as eleições em uma conversa mole sobre a “gestão pública”.

Disse Siqueira:

“O pleito municipal é um episódio local, ainda que se relacione com variáveis nacionais, seja pela dependência financeira dos municípios em relação à União federal, seja porque em certa medida o mapa eleitoral que emerge das urnas pesa na correlação de forças no conjunto do país. Mas na imensa diversidade regional (e intra-regional) que marca a sociedade brasileira e num espectro partidário em que predominam agremiações partidárias pouco apegadas à coerência programática, as alianças municipais são furta-cor”.

O argumento de que há um conjunto de agremiações partidárias com uma ideologia muito mal definida é, em parte, verdade. O Brasil tem dezenas de partidos registrados, e muitos deles são praticamente indistinguíveis. Por exemplo: o que leva alguém a ingressar no PP ao invés de ingressar no PR? E qual a diferença significativa entre o Podemos e o Cidadania? Evidentemente, essa escolha não se dá com base em uma análise dos seus programas, mas sim com base em determinadas conveniências.

Isso acontece, contudo, com os partidos burgueses, e é resultado da política da própria burguesia. A aplicação da política neoliberal, extremamente impopular, liquidou os partidos tradicionais da burguesia, que não conseguem ter qualquer adesão popular. Os estilhaços de partidos como o PSDB e o MDB é que deram origem aos demais partidos burgueses, que funcionam como satélites desses.

Mas nem todos os partidos pertencem à burguesia. E a diferença entre ser de esquerda e defender o programa da burguesia é, hoje, cada vez clara. O programa da burguesia é o programa do golpe, o programa de saque do imperialismo a todos os trabalhadores. Os trabalhadores, por sua vez, se encaminham para uma guerra contra os seus patrões, de modo que, se a esquerda não seguir essa tendência, estará traindo os interesses daqueles por quem diz lutar.

Neste sentido, as eleições, por serem compreendidas pelo povo como um episódio da luta política, deveria refletir essa polarização. Se um partido de esquerda ignora a tendência do povo a se chocar contra o regime e decide partir para uma aliança com os inimigos do povo — os representantes das oligarquias e demais vigaristas da burguesia — irá contribuir apenas para frustrar o potencial explosivo da mobilização dos trabalhadores. Quem quer ir para as ruas para derrubar o governo Bolsonaro acaba se desmotivando quando vê sua organização ao lado de bandidos políticos da mesma qualidade.

O dirigente do PCdoB segue o texto trazendo argumentos ainda mais aberrantes:

“Aos novos governantes caberá de imediato assegurar o pagamento da folha do funcionalismo municipal, o início do ano letivo com alunos uniformizados, material escolar à mão, escolas em condições de funcionamento, com o corpo docente pronto, a merenda escolar equacionada. Terão que garantir eficiente recolhimento e destinação do lixo, o funcionamento das unidades de saúde, etc”.

Obviamente, a tese de Luciano Siqueira não se aplica na realidade. O candidato a prefeito que diga que vai cumprir com o pagamento dos servidores é um charlatão, pois o pagamento da folha não depende unicamente dele. Como a direita tem aprovado uma série de medidas, a nível nacional, para conter os “gastos”, mas cedo ou mais tarde, faltará dinheiro para pagar os servidores. O mesmo podemos dizer em relação à saúde.

A “realidade” local apresentada por Luciano Siqueira é apenas um pretexto para justificar a política de seu partido, de aliança com os golpistas. Aos trabalhadores, contudo, cabe rejeitar completamente essa política e partir para uma mobilização revolucionária, independente da burguesia, pela derrubada do regime político.Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

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