Raúl Castro deixa a presidência de Cuba, veja como foi sua trajetória

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O presidente de Cuba, Raúl Castro deve deixar o cargo nesta semana. Ao final do seu segundo mandato de cinco anos e deverá ser substituído pelo atual vice-presidente, Miguel Díaz-Canel.

Presidente de Cuba desde 2008, Raúl Castro nasceu em Birán, um povoado da província de Holguín em 1931. Abraçou o marxismo antes de seu irmão, Fidel. Foi membro da Juventude Socialista do Partido Socialista Popular de orientação comunista. Durante uma viagem para participar do Congresso Mundial da Juventude Socialista em Viena em 1953 visitou várias capitais do bloco soviético.

Após seu retorno a Cuba juntou-se ao movimento dirigido por Fidel dentro do Partido Ortodoxo, de orientação reformista, contra o governo de Fulgêncio Batista e participou do ataque ao Quartel de Moncada em 1953 que é considerado o marco inicial da Revolução. Condenado a 13 anos de prisão foi libertado em 1955 em razão de uma anistia geral.

Após sua libertação foi para o México onde ajudou seu irmão a organizar a insurreição. Raúl estava no barco Granma que transportou além dele e de Fidel mais 80 homens que desembarcaram na província de Oriente onde a maioria foi capturada ou pereceu. Os irmãos Castro e outros dez companheiros, entre os quais encontravam-se Camilo Cienfuegos e Che Guevara refugiaram-se na Serra Maestra onde iniciaram a luta que conduziria ao triunfo da Revolução.

Triunfante a revolução o exército rebelde se converteu nas Forças Armadas Revolucionárias (FAR) organizadas segundo o modelo soviético e Raúl foi nomeado seu chefe. Sua reputação cresceu após assumir ocomando direto das forças que derrotram em 1961 os exilados cubanos que desembarcaram na Baía dos Porcos na tentativa de derrubar o regime. Em 1962 como vice-primeiro-ministro presidiu a delegação cubana nas negociações para o fim da crise dos mísseis soviéticos estacionados em Cuba.

Durante o primeiro congresso do Partido Comunista Cubano (PCC) em 1965, foi eleito membro do birô político e segundo secretário do comitê central o que após a morte de Che Guevara em 1967 tornou-o o segundo no escalão do regime. Era considerado um aliado de confiança pelos soviéticos e várias vezes foi convidado como observador dos exercícios do Pacto de Varsóvia.

Em 2006 por razões de saúde, Fidel Castro delegou a Raúl todos os seus poderes e em 2008 a Assembleia Nacional o nomeou presidente da república. Neste mesmo ano conseguiu negociar com os Estados Unidos alguns pontos do embargo que este país impõe a Cuba a 55 anos. Em 2011 iniciou a aplicação de reformas destinadas a reduzir o setor estatal. Em dezembro de 2014 Cuba e Estados Unidos formalizaram um acordo para a normalização de relações diplomáticas.

Não são esperadas mudanças significativas após a saída de Raúl Castro da presidência uma vez que ele continuará sendo o chefe do Partido Comunista até 2021 posto que lhe permite manter o controle da política.