Extrema-direita avança
Desde o golpe contra Evo Morales, rádios comunitárias geridas pelo povo e movimentos sociais bolivianos vêm sendo destruídas na tentativa de controlar a reação popular.
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Radio dos cocaleiros em Cochabamba depredada.
Radio em Cochabamba Coca kawsachunn, de cocaleros, foi queimada. Foto: Fernando Cartagena |

Na Bolívia, país que sofre as consequências do golpe de estado que derrubou o presidente eleito Evo Morales, o governo provisório e golpista de Jeanine Añez tenta silenciar a voz do povo atacando as rádios comunitárias. Até a renúncia imposta ao presidente, existiam no país 53 emissoras ativas distribuídas entre as 9 províncias bolivianas, todas gerenciadas pela população nativa e por organizações sociais. Agora, a sua maior parte está inativa, foi destruída ou foi saqueada na onda de violência provocada pela extrema-direita.

A primeira rádio comunitária foi inaugurada pelo presidente Evo Morales em 2006. Em 2007, as rádios passaram a divulgar “orientações no âmbito político, cultural, ideológico e programático” a pedido do presidente. Em 2011 , a Assembleia Legislativa aprovou a Lei de Telecomunicações, que estabelecia que o Estado teria 33% das frequências, os povos indígenas, 17%, e os movimentos sociais e sindicato, os outros 17%. O setor privado, que anteriormente tinha 90% das frequências, ficaria com 33%.

Saques, incêndios e depredações promovidas pelos fascistas tornaram-se frequentes. Foi suspenso o repasse de recursos financeiros que vinha da propaganda governamental e muitas rádios tiveram que fechar suas portas por não ter como manter os funcionários. “Eu esperava chegar até o final do ano, mas o administrador nos disse que não havia dinheiro e que ele só iria transmitir música porque não temos mais publicidade nem transmissões com o novo governo. Somos 11 pessoas com famílias que estão nas ruas ”, disse um trabalhador de rádio na cidade de La Paz que pediu para não publicar nomes.

O líder do movimento camponês Rodolfo Machaca informou ao jornal La Razon que ainda estão levantado dados nas estações que pararam de funcionar, e que as que ainda funcionam não transmitem notícias, apenas tocam músicas. “Temos o relatório preliminar de que em Santa Cruz foi saqueada a rádio da Federação Única de Camponeses, assim como a das interculturais. Em La Paz, eles destruíram a rádio da Confederação Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia e tentaram tomar a rádio Bartolina Sisa. Em Cochabamba eles queimaram a emissora dos plantadores de coca ”, afirmou.

A ministra de comunicação do governo golpista não recebe os administradores das rádios, porém apresentou um projeto de decreto para “A recuperação da liberdade de expressão na Bolívia”, que em um de seus artigos afirma “atribuir ou realocar as rádios dos povos originais no âmbito da inclusão social para expandir o direito de acesso à informação ”. Belas palavras de esquerda em boca de golpistas de direita: a liberdade a que se referem certamente não inclui a voz da população oprimida e assassinada pelo governo autoproclamado.

O gerenciamento das rádios pelos povos originais e movimentos sociais certamente está relacionado com o grau de reação demonstrado pela população boliviana nos últimos meses, assim como o impulso ao enfrentamento com o golpe de estado. Para isso, o governo golpista boliviano tenta a todo custo acabar com as rádios comunitárias.

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