15 de agosto todos a Brasília para o registro da candidatura Lula

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Da redação – Abaixo transcrito o trecho da Análise Política da Semana na Rádio Causa Operária, onde Rui Costa Pimenta, Presidente Nacional do PCO discorre sobre a importância de construir um ato-monstro no dia 15 em Brasília, contando, para isso, com o trabalho de mobilização e propaganda assumido pela militância e com a solidariedade financeira de todos aqueles que defendem a luta contra o golpe, a luta pela liberdade de Lula e por Lula Presidente.

Aqui você ouve o trecho na íntegra.

“A Conferência deliberou jogar todo o peso no dia 15 de agosto que é o dia em que será entregue o pedido de registro da candidatura do Lula. Sempre é bom explicar um pouquinho, pois há muita confusão, né? O procedimento é o seguinte: o PT vai entregar o pedido de registo e normalmente, o que não é o nosso caso, o pedido deveria ser aceito independentemente de qualquer coisa. Ele não pode ser rejeitado de cara. Ele teria de ser juntado a todos os outros pedidos e todos os pedidos deveriam ser analisados pelo TSE e o TSE deveria ai tomar uma decisão – se ele homologa a candidatura do Lula ou se ele rejeita. Bom, se ele rejeitar, cabem recursos, se os recursos forem rejeitados, cabem recursos a instâncias superiores. E tudo isso deveria ser feito do dia 15 de agosto ao dia 7 de outubro, que é o dia da eleição. Ou melhor, tudo isso deveria ser feito até o dia 1° de outubro, pois, em algum momento, as urnas são preparadas e enviadas para os lugares. Ai já não há como mudar o que está na urna. Se isso acontecer, o problema da eleição do Lula se transforma, logicamente, em um grande problema político, pois ele irá aparecer na urna, ele pode ganhar a eleição. E, se ele ganhar a eleição, e tiver a candidatura impugnada posteriormente a eleição, isso será uma crise política extraordinária. Então, nós estamos chamando todos os setores para fazer uma grande manifestação, uma manifestação gigante, do dia 15 de agosto, para exigir que a candidatura do Lula seja aceita e que sejam cumpridos, no mínimo, os trâmites legais. Logicamente que nós vamos exigir a libertação do Lula, que ele seja candidato, independentemente de qualquer coisa, nós vamos exigir que o processo dele seja anulado, vamos exigir que o impeachment seja anulado, nós vamos exigir que as reformas sejam anuladas… Quer dizer, tem que ser um ato público cujo centro é a candidatura do Lula, mas que levante todas as outras reivindicações contra o golpe. A Conferência Nacional Aberta aprovou o compromisso de levar de cinco a dez mil pessoas neste ato. Então, o que temos de fazer, desde já, é convocar as pessoas, fazer as listas de pessoas que podem ir ao ato. Chamar essas pessoas, confirmar a presença dessas pessoas em Brasília, né? Levar um grande número. Mas isso não esgota o que deve ser feito. Nós temos que fazer propaganda nas redes sociais, nós temos que fazer propaganda na rua. Nós estamos publicando o jornal “A luta contra o golpe” convocando o ato público deste dia 15 em Brasília com cem mil exemplares, estamos publicando uma quantidade de cartazes para o ato pública. Enfim, nós temos que nos utilizar de todos os recursos, de todos os meios possíveis para fazer com que o ato público seja uma manifestação muito grande ao processo de perseguição política que o companheiro Lula está sofrendo, e, ao processo de cassação aos direitos políticos – o que leva o país a se transformar numa espécie de ditadura – de todo o povo brasileiro (não apenas do Lula). Nós temos que lembrar também, pra quem não consegue pensar essas coisas, que a cassação dos direitos de um líder popular como Lula, atinge a todo mundo. Nós temos que entender uma coisa sobre os direitos: ou ele existe, ou ele não existe. Ou o direito obriga as autoridades a agirem de uma determinada maneira, ou ele não existe – não obriga. Se as autoridades cassam o direito de determinada pessoas, mesmo o de um direitista, nós temos explicado isso sistematicamente, ela cassa o direito em geral. Isso porque, ninguém pode confiar num direito que é exercido arbitrariamente – “para esse aqui vale, para aquele ali não vale”. Como, na sociedade, dominam a burguesia, dominam o imperialismo, dominam os setores direitistas, qualquer cassação de direitos vai se voltar mais cedo ou mais tarde contra o povo e contra as suas organizações – as organizações operárias e populares, os partidos de esquerda que são ligados a determinados setores populares. Então nós devemos entender que a cassação do Lula é a cassação dos direitos de 200 e tantos milhões de brasileiros. Não é a cassação dos direitos “d’O Lula”. Essa é uma questão chave: ou o direito existe, ou ele não existe. Direito que é aplicado de acordo com a vontade de algum poderoso não é direito. É um privilégio. Quer dizer: ‘se você é meu amigo, eu te dou o direito’, ‘se você não o é, eu casso seu direito’. Ou seja, você está na mão da pessoa que detem o poder de decisão sobre esse direito. Bom, então a Conferência deliberou participar do dia 15, fazer uma intensa campanha de convocação, de publicidade, de propaganda, de agitação. Colar cartazes, distribuir materiais, levar as pessoas, né? Todo mundo sabe como é que é isso daí: ato no Brasil é complexo, né? Você tem que pegar a pessoas lá no Rio Grande do Sul e viajar quase dois mil quilômetros, ou mais que isso, nem dei direito, para viajar para Brasilia para protestar. Essa ideia foi uma das ideias que levaram a construção de Brasilia, justamente: dificultar a vida da população pobre, dos trabalhadores, das organizações sindicais e democráticas que queiram protestar contra o governo. Mas, enfim, é assim que é, e nós devemos fazer o esforço para ultrapassar esse obstáculo. Nós temos que explicar para as pessoas que isso só pode ser feito através de uma ampla solidariedade, de um esforço coletivo. Nós não estamos levando gente para o ato para fazer figuração. Da nossa parte não tem isso daí. Nós não estamos contratando ninguém para levar para o ato. A direita fala que a esquerda dá “um sanduíche de mortadela”. Não sei se alguém vai para Brasília se lhe derem um “sanduíche de mortadela”. Mas, enfim, a pessoa estaria recebendo algum prêmio para ir para Brasília. Não é o nosso caso. Nós temos que pedir a cada uma das pessoas, cada qual conforme suas possibilidades, logicamente, que as proprias pessoas que vão contribuam para levar gente. Nós, PCO e o movimento de luta contra o golpe, não temos dinheiro para promover uma mobilização como essa. Não adianta pensar que nos dos Comitês de Luta Contra o Golpe vamos assinar um cheque, alugar cem ônibus e mandar o pessoal para Brasília. Isso é impossível de acontecer. Nós temos que recolher contribuições. Nós temos que contar e nos apoiar, sobre a solidariedade das pessoas que concordam com aquilo que nós estamos fazendo: a pessoa concorda que o Lula deve ser candidato, deve ser tirado da cadeia, então, dá uma contribuição. ‘Pode dar bastante, dá bastante’. ‘Pode dar pouquinho, dez, quinze reais, dá dez, quinze reais’. Dê o máximo possível, mas cada um de acordo com as suas possibilidades.Tá certo? E assim, nós vamos criar um movimento que tem força. A força do nosso movimento, consiste justamente nessa solidariedade básica entre todos os integrantes do movimento. Vocês imaginem que, levar cinco mil pessoas para Brasília, é levar aproximadamente cem ônibus para Brasília de diversos lugares do país. Bem, logicamente que nós e os companheiros de Brasília vamos fazer um plano para levar muitos companheiros ‘de’ Brasília para o ato. Tem que pensar nesse problema – nós temos que ter consciência do que estamos fazendo, temos que trabalhar muito, isso, sem falar que, os militantes do PCO e os militantes mais ativos do Comitê, nos últimos doze meses, quinze meses, se deslocaram diversas vezes pelo Brasil para fazer atos públicos de defesa das suas posições.”

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