Quer entregar a Amazônia: Bolsonaro é nacionalista dos EUA

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Como de hábito, o discurso nacionalista na boca de políticos de direita pouco tem a ver com soberania nacional. O pré-candidato à presidência da república Jair Messias Bolsonaro (PSL-RJ) não foge à regra.

À medida em que se aproximam as eleições, o deputado cada vez mais mostra que seu patriotismo é de fachada e que seu programa é uma amálgama do que há de pior na política: conservador nos costumes e liberdades individuais, neoliberal e entreguista na economia e na política internacional.

A revelação da vez é a intenção de entregar a Amazônia às multinacionais estrangeiras. Em comício em Natal, Rio Grande do Norte, na semana passada, teria dito: “a Amazônia não é nossa”, defendendo a abertura da região para exploração: “é uma realidade e temos como explorar em parcerias essa região”, e acrescentando que “aquilo é vital para o mundo”.

No final de 2017, Bolsonaro foi convidado e recebido pelo agente imperialista Gerald Brant nos Estados Unidos para expandir seus contatos com investidores internacionais. Brant é ligado ao Inter-American Institute, do cão raivoso ultradireitista Olavo de Carvalho. Na ocasião, O deputado encontrou-se com figuras como Shannon O’Neil, do Council of Foreing Relations, recebendo orientações de modo a alinhar seu discurso com a política imperialista. Foi então que passou a adotar, por exemplo, a consultoria sistemática a orientação política do direitista Adolfo Sachsida, servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O objetivo da viagem era converter Bolsonaro: de pária político numa alternativa eleitoral possível para os golpistas.

Como se sabe, em que pesem suas mais de duas décadas de experiência na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro pouco ou nada entende de políticas públicas. Parlamentar desde 1991, não teve sequer uma lei de sua autoria aprovada pelo Congresso Nacional. O militar iniciou sua carreira como um representante dos interesses da caserna no parlamento, tornando-se com o tempo uma figura conhecida pelo seu destempero e por suas posições políticas próximas do nazifascismo do entre-guerras.

Como os nazistas alemães da década de 1930, Bolsonaro defende “pureza racial” no Brasil – entrevista em seus discursos racistas e homofóbicos –, buscando criminalizar toda a esquerda e os movimentos sociais, implementando um estado de exceção. Bolsonaro não deu mostras de saber o que é marxismo, socialismo ou comunismo, mas considera toda a esquerda comunista (ecos do macarthismo norte-americano da década de 1950, que resultaria no golpe militar no Brasil em 1964).

Essa figura grotesca e confusa não poderia ser um homem do establishment imperialista. Seria necessário construir um mínimo de credibilidade ideológica e administrativa de modo a assegurar os interesses das grandes corporações no Brasil, tornando-o um recurso dos golpistas em caso de fracasso de candidaturas como as de Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) ou Ciro Gomes (PDT).

O deslumbrado “patriota” Bolsonaro parece ter recebido bem a investida. Durante a própria viagem, fez questão de bater continência para a bandeira dos Estados Unidos, afirmando-se neoliberal quanto à política econômica e aceitando a equipe que os think tanks norte-americanos lhe indicaram.

Pelo menos desde 2016, em suas entrevistas, Bolsonaro diz que hoje “a Amazônia não é nossa”. Há porém uma diferença entre o discurso anterior e o atual. Anteriormente, para o militar, seria necessário tomar a Amazônia às ONGs ambientalistas que exploram ilegalmente os recursos da região para as grandes corporações. Na semana passada, seu discurso já mudou: é necessário explorar a Amazônia com a “parceria” estrangeira. Isso significaria revogar as reservas indígenas e ambientais, e entregar de vez a região ao imperialismo.

Não se pode, por isso, ter qualquer fé no processo eleitoral conduzido pelos golpistas. De Ciro Gomes a Jair Bolsonaro, as possibilidades da direita são muitas e aos poucos todas se alinham com a grande ofensiva imperialista contra a classe trabalhadora brasileira. O único ponto de resistência popular possível, capaz de causar um desequilíbrio eleitoral, é Luiz Inácio Lula da Silva, hoje encarcerado pelos golpistas. Sua liberdade e sua candidatura à presidência devem ser conseguidos por meio da mobilização popular.