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Quem tem medo da polarização?
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Na semana que passou esteve em evidência o encontro vexaminoso entre o psolista Marcelo Freixo e a bolsonarista Janaína Paschoal em vídeo no canal “Quebrando o Tabu”. A principal justificativa para tal encontra foi a mostrar que é possível uma conversa entre dois políticos opostos, para quebrar a polarização e o “radicalismo” que há no Brasil.

Essa preocupação com a polarização vem sendo central na política da burguesia, representada pelos setores mais tradicionais da direita. O própria canal “Quebrando Tabu” é ligado ao PSDB. A burguesia se esforça para desfazer tal polarização e trazer a política para o centro. Isso porque a burguesia sabe que quanto maior a polarização política, mais facilmente a situação pode sair do controle.

De um lado, a direita tradicional perde espaço político e portanto eleitoral para a extrema-direita. Do outro, o desenvolvimento de posições cada vez mais radicalizadas à esquerda coloca em risco a própria existência da burguesia.

O papel de Marcelo Freixo e todos os políticos da esquerda pequeno-burguesa que fazem coro com a direita contra a polarização é jogar areia nos olhos da população. Estão trabalhando para a direita tradicional golpista que se esforça para recuperar terreno diante da crise do regime político. Mas mais importante do que isso, ao dizer que é preciso acabar com a polarização, amarram as mãos das massas que se desenvolvem no sentido da luta contra o golpe e contra a direita.

A burguesia procura apresentar a polarização como uma mera polarização eleitoral, mas esse é apenas a superfície do problema. Na realidade ela se dá no deslocamento das massas em luta contra a burguesia, no Brasil, mais especificamente, na luta contra o golpe e as medidas dos golpistas. Ou seja, a polarização é um resultado inevitável do regime capitalista em crise. Essa crise é profunda e inevitável e levará a um choque.

A tarefa das organizações da esquerda é trabalhar no sentido de preparar as massas para esse choque e não se aliar com a direita para esconder a polarização. Enquanto isso, a própria direita tradicional impulsiona a extrema-direita com sua política e a esquerda acaba sendo cúmplice dessa política falida.