Quem são os bolsonaristas? Sérgio Moro, o “Mussolini de Maringá”

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Moro é um bolsonarista típico. Provavelmente o exemplo mais bem acabado desta corja covarde de fascistas que busca dominar o Brasil, impulsionada pelo imperialismo.

Moro foi peça-chave no golpe contra o povo brasileiro. Ele teve a função de passar a limpo a tomada de poder pelos golpistas, retirando o ex-presidente Lula da vida pública. Claro que se deixasse-se livre a vontade do povo, o poder naturalmente voltaria para o PT e o impeachment e todo o golpe, acabariam não dando em nada.

Para executar esse trabalho sujo, o imperialismo certamente pesquisou muitas pessoas até encontrar melhor candidato, o “Mussolini de Maringá”. Um juizeco de primeira instância, como centenas de outros no Brasil, mas cujas ambições iriam muito além das limitadas possibilidades de uma carreira de funcionário público, saído de uma cidade de importância secundária no país, situação que não permitiria que ele passasse de sua condição natural de um “zé-ninguém” com toga.

Como outros capachos, o imperialismo tratou logo de levá-lo para um estágio de formação doutrinária e técnica no Departamento de Estado dos Estados Unidos, já em 1998.

Pouco tempo depois, já começando a operar como verdadeiro agente do imperialismo, Sérgio Moro foi colocado à frente de dois grandes casos de corrupção dos tempos do Fernando Henrique, o caso Banestado e o seu desdobramento, a Operação Farol da Colina, esquema que facilitou a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, na ordem de R$ 150 bilhões.

Nestes casos, o aprendiz de Mussolini já pôde testar suas recém-aprendidas técnicas de golpe jurídicos: a delação premiada e o colaboracionismo com forças policiais imperialistas, inclusive com ações de espionagem. Com precisão cirúrgica, não prendeu nem condenou ninguém fiel ao mesmo imperialismo. Os figurões do PSDB, como Beto Richa, Fernando Henrique e José Serra, envolvidos até o pescoço com as maracutaias do Banestado, p´rivatizações fraudulentas etc., saíram ilesos.

Pouco tempo depois, continuando sua atuação como agente do imperialismo, vemos o fascista Moro como auxiliar da Ministra Rosa Weber, justamente no berço do golpe de 2016, os escandalosos julgamentos do chamado “mensalão”.

É sempre bom lembrar que foi esta ministra que, em sua decisão claramente antipetista, adotou uma teoria maluca, a tal “presunção relativa de autoria dos dirigentes”. Para esta fina flor da genialidade jurídica burguesa, mesmo sem provas ou mesmo indícios de culpa, é possível condenar por simples presunção – leia-se, achismo jurídico – certamente acompanhada por forte convicção (política).

Assim, já no mensalão, os dirigentes petistas foram considerados culpados, pela “presunção relativa de autoria” que todos os dirigentes (petistas, é claro) têm. Em resumo, condenados porque são dirigentes petistas ora essa!

No esoterismo medieval da linguagem jurídica, trata-se de um desdobramento da já absurda teoria do domínio do fato. É a “teoria do domínio da posição de comando”, onde a posição de comando em si é o suficiente para o indivíduo ser condenado. Naturalmente esta teoria jamais foi aplicada contra alguém favorável à política imperialista.

Será que já temos aí o dedo podre do Moro?

E então Moro vai para Curitiba, e – que interessante ironia do destino – justamente para ele é sorteada a ação que viria a dar origem à Operação Lava Jato, que desde o início tinha um alvo certo: Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas não se pense que o dedicado capataz do imperialismo, nosso Mussolini Moro, deixou de aprimorar suas técnicas. Se já tinha domínio das delações premiadas, das técnicas de espionagem que há bom tempo já não poupavam nem mesmo o Palácio do Planalto, os interesses do grande capital internacional levaram o nosso juiz pago pela CIA a desenvolver técnicas de tortura legais altamente eficazes para facilitar as delações: as prisões coercitivas.

Moro transformou-se em um grande mestre das prisões coercitivas. Foram 227 prisões coercitivas até que o STF acordasse de seu conveniente letargo e, em junho de 2018, proibisse a utilização destas conduções para levar réus a interrogatórios sem prévia intimação ou presença de advogados.

E como não poderia deixar de ser, logo de início Lula foi o alvo principal das prisões coercitivas. Não fosse um descompasso ocasional entre o comando da Aeronáutica do aeroporto de Congonhas e os golpistas do Moro, e Lula já estaria preso desde março de 2016.

O cinismo escorre pelo despacho de Moro: “evidentemente, a utilização do mandado só será necessária caso o ex-presidente convidado a acompanhar a autoridade policial para prestar depoimento na data das buscas e apreensões, não aceite o convite”.

Ou seja, pela lógica do fascista, a autoridade iria “convidar” o ex-presidente a acompanhá-la. Acaso não fosse atendido o convite, aí sim, e na mesma hora, passariam à condução coercitiva.

Uma vez que não deu certo prender o ex-presidente em 2016, ainda antes do impeachment, passou-se a imediatamente cercar toda e qualquer possibilidade de Lula auxiliar a presidenta Dilma, contra o processo-farsa do impeachment. Moro, um simples juiz de primeira instância, passou a monitorar o Palácio do Planalto, e tudo o que a mandatária maior da nação dizia ao telefone.

Se a escuta telefônica já era completamente ilegal porque teria de ser autorizada pelo STF, o mais importante não é questões jurídicas, mas sim a mais simples das perguntas: como um juizinho lá do fundo do País poderia ter o poder de levar avante uma arapongagem explícita contra a Presidência da República? E mais: no preciso momento para os golpistas, lançar em rede nacional a conversa pessoal entre dois presidentes?

Obviamente que Moro era apenas uma peça de um esquema muito maior, mas uma peça preciosa, especialmente dedicada à destruir o nosso país, atacar nossas riquezas, e levar a zero nossa maior empresa estatal.

Com esta manobra, o imperialismo foi capaz de impedir que a legítima presidenta, no que deveria ser o pleno exercício de seu poder, realizasse o ato trivial de nomear alguém para sua equipe de trabalho. Uma verdadeira façanha que já por si deveria servir para desmascarar totalmente a Sérgio Moro.

E o mais notável: o conteúdo das conversar não guardava relação alguma com nenhum objeto de investigação da lava jato!

Moro era, já como juiz, aquele que tudo pode no Brasil. Superior a todo o poder constituído. Acima da lei e de nossas instituições. E alguém ainda tinha dúvidas que ele condenaria Lula?

Para Teori Zavascki, que apenas invalidou parte das gravações em que Dilma avisa Lula que está mandando o termo de posse como ministro, não restou nenhuma dúvida, quando viu sua vida acabar no fundo no mar.

No processo do Triplex, o Ministério Público acusou Lula de três coisas: influenciar a Petrobrás para favorecer a OAS em um contrato; receber em troca um apartamento Triplex em um edifício onde a falecida Mariza Letícia já havia pago as prestações de outro apartamento, e receber como mais um agrado uma reforma neste apartamento, instalando-se um elevador e uma luxuosa cozinha, além de outras benfeitorias.

O problema é que nada disso pôde ser comprovado, porque até mesmo o imperialismo, às vezes, não consegue mudar os fatos concretos da realidade.

O contrato da OAS com a Petrobrás foi comprovado como um contrato totalmente lícito e normal, sem nenhuma influência do então Presidente da República, Lula.

O triplex, comprovou-se que jamais chegou às mãos de Lula, que nunca foi seu proprietário.

E nem mesmo a reforma sequer existiu, fato este que teve de ser provado na marra pelo MTST, em uma invasão ao imóvel, tirando fotos que revelaram um apartamento em péssimo estado de conservação, acabamento da pior espécie, sem nenhum elevador nem cozinha de luxo, como Moro considerou em sua sentença.

Lógico que a defesa de Lula solicitou uma perícia sobre a reforma, ou mesmo uma simples visita, para constar se havia ou não a tal reforma, ainda que esta prova caberia ao acusador, o Ministério Público.

Lógico que Moro não permitiu a ninguém ir ao apartamento. Suas reais condições transformaram-se em um verdadeiro segredo de Estado, do “Estado Imperialista” de quem o nosso Mussolini é um simples fantoche.

Fim do processo sem nenhuma prova das acusações feitas pelo Ministério Público? Sem problemas! Moro tem a solução: altera-se a acusação e condena-se assim mesmo.

Como não conseguiram provar que Lula recebeu a propriedade do triplex, como o acusaram, Moro o condenou por “ocultação da titularidade do imóvel”.

Mas qual foi a prova desta “titularidade”?

Para Moro, ação criminal não se discute questões de direito civil, do que se conclui que qualquer coisa serve para mal e porcamente comprovar a acusação, até mesmo uma reportagem de O Globo, convenientemente mencionada pela delação mais que premiada de José Adelmário Pinheiro Filho, que, mesmo sem assinar acordo formal de delação premiada com a Lava-Jato, conseguiu obter a redução máxima de pena prevista em lei (dois terços), na revisão de sua sentença realizada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Como a reportagem teria sido escrita pelo O Globo antes de que fossem iniciadas as investigações da lava jato, naturalmente ela seria meio hábil para suprir toda e qualquer necessidade de que Lula tivesse mesmo recebido o triplex.

Afora a “ocultação”, Lula também foi condenado pela “vantagem indevida”. Aquela reforma que nunca existiu.

Condenado, tem que ir preso, e rápido.

Em tempo absolutamente recorde, Lula foi condenado na segunda instância, e, ainda que a Constituição diga claramente que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, Lula não é “ninguém”, ora bolas, e pode ser preso sim, mesmo que não seja culpado, ou seja, que nem exista uma pena a ser cumprida.

Preso sem prova e sem pena, um habeas-corpus poderia facilmente ser deferido e anular toda a empreitada golpista. Mas Moro estava novamente lá! Quebrando a hierarquia jurídica, desacatando a autoridade de um Desembargador, e ainda que não tivesse mais nada a ver com o processo, o Moro-pode-tudo impediu que um habeas-corpus fosse cumprido em favor de Lula, demonstrando que realmente não há mais nem um leve resquício do já falacioso “Estado de Direito”, no Brasil.

Até o Ministro Marco Aurélio registrou o que qualquer aluno de primeiro ano de direito sabe. Em um Estado de Direito, a regra é clara “decisão judicial, cumpre-se”. Observando que “O TRF é o revisor dos pronunciamentos da primeira instância. O titular da décima-terceira vara [Moro] nada tem a fazer. A parte que pode insurgir-se, no caso, é o Ministério Público”.

Mas, “no caso”, é o Moro quem manda no Brasil, faz tempo, ainda que como um capacho do poder real.

E sua meteórica carreira não parou por aqui. Agora, o imperialismo deu ao Moro um super Ministério da Justiça, que além de acumular os poderes da Segurança Pública, também irá tutelar Sindicatos, Federações Operárias, movimentos populares e, em futuro breve, certamente, partidos políticos de esquerda. À sua disposição, o maior orçamento da década.

Enfim, o Brasil seria o País fabuloso em que um juizinho de primeira instância teve mais poder que todas as instituições, a leis e a própria Constituição Federal. Mas como o mundo real não é feito de fábulas, tudo isto só prova o que Marx sempre preconizou: a luta de classes é o real motor da história.

O real poder nunca foi de nenhuma instituição, nem mesmo do Moro, um simples capitão-do-mato traidor da nosso povo, mas sim da burguesia imperialista, cujo poder somente pode ser confrontado pela classe que é a sua maior inimiga: a classe operária. Não por acaso, classe à qual Lula pertence e é seu maior líder em nosso país.

E exatamente por tudo o que passamos é que lutar pela liberdade de Lula é o ponto central para derrotar o golpe e colocar Moro e todo o bolsonarismo no único lugar que eles merecem: no esgoto.