Quem não deixa os cubanos acessarem a Internet são os EUA, não o governo de Cuba

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Hoje (6), os cidadãos cubanos começam a utilizar Internet móvel com conexão 3G, com acesso completo pelos celulares.

A estatal Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA) anunciou que o plano do governo é desenvolver a tecnologia 4G em 2019. Desde o ano passado, os cidadãos podem ter acesso à Internet em suas casas.

Há alguns anos, também, eles utilizam centenas de pontos gratuitos de acesso à rede wifi como praças e parques por todo o país. Todos os municípios das províncias de Havana e Pinar del Río, por exemplo, possuem pontos públicos de acesso a wifi. Antes disso, eles também podiam acessar a partir de salas de navegação, como centros comunitários e coletivos. Segundo fontes oficiais, até 2016 um terço dos cubanos utilizava wifi para se conectar à Internet.

A imprensa de direita, que apoia todos os tipos de ataques contra o povo brasileiro, busca distorcer a questão do acesso à Internet em Cuba. Diz que o governo finalmente “permitiu” que os cubanos tivessem acesso, ou seja, dão a entender que Cuba não tinha acesso à rede porque a “ditadura” comunista censurava a liberdade de expressão, ou então que o país é miserável e não tem infraestrutura porque tudo pertence ao Estado.

O segundo argumento é parcialmente verdadeiro. A infraestrutura de tecnologia de Cuba ainda é atrasada. Mas o outro lado da informação é uma inverdade e está diretamente ligada ao outro argumento, o de que Cuba não tinha acesso à Internet devido à censura do governo.

O principal motivo da falta de infraestrutura e de acesso à Internet na ilha é o bloqueio econômico imposto pelo imperialismo norte-americano há quase 60 anos. Esse bloqueio limita o comércio de empresas e governos estrangeiros com Cuba, além de punir empresas que vendam produtos ou serviços à ilha que tenham algum componente produzido nos EUA.

Os cabos submarinos de fibra óptica que passam pelo Caribe, e que permitem a construção de uma infraestrutura de Internet com alguma qualidade, são controlados pelos Estados Unidos. Portanto, Cuba não pode utilizá-los.

Devido a isso, Cuba inaugurou sua conexão à Internet em 1996, mas ela começou a se popularizar somente a partir de 2011 quando, graças a uma parceria com a Venezuela de Hugo Chávez, foi instalado um cabo de fibra óptica que ligasse os dois países e levasse à ilha caribenha uma conexão melhor.

Mas foi só com a relativa flexibilização do bloqueio, a partir de 2014, com o acordo de aproximação diplomática entre EUA e Cuba, que empresas estrangeiras receberam permissão do governo norte-americano para começar a operar na modernização da infraestrutura de telecomunicações da ilha.

Em Cuba, os preços dos pacotes de Internet são altos e a conexão ainda é relativamente lenta (possivelmente a maior parte dos brasileiros não veria grande diferença entre a Internet em Cuba e a do Brasil), mas essas são basicamente as únicas restrições que o povo tem para acessá-la. Não existe censura a nenhum tipo de portal, com exceção de certos sítios que veiculam pornografia.

No entanto, o governo cubano presta grande atenção nas tentativas de desestabilização por parte do imperialismo norte-americano. As agências secretas dos EUA, como CIA, USAID e NED, sempre trabalham para se infiltrar nas redes cubanas a fim de promover um golpe de Estado e derrubar a Revolução.

Um dos casos recentes foi o desenvolvimento da rede social ZunZuneo, semelhante ao Twitter. Criada pela USAID, ela seria uma ferramenta de aglutinação da juventude, em um primeiro momento sem nenhum caráter político. Segundo os plano, revelado pela imprensa internacional, mensagens contra o governo seriam disparadas de uma forma gradual e sutil, a fim de colocar a juventude cubana contra o governo, convocando manifestações até, finalmente, jogar o país no caos e executar um golpe de Estado. O serviço de inteligência cubano, entretanto, conseguiu desmantelar a trama.

Mesmo assim, Cuba busca superar o seu atraso (proporcionado pelo domínio imperialista do mundo que esmaga os países pequenos e aumentado pelo bloqueio econômico que sofre) proporcionando acesso à Internet para sua população. Mesmo que ainda esteja engatinhando, em relação a outros países – como ao próprio Brasil – a Internet em Cuba é muito mais democrática.