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Podre. Não tem uma outra qualificação para classificar o artigo publicado nessa quarta, 26/06, no Jornal Folha de São Paulo, sob o título
 A corrupção da Lava Jato”, seguido do subtítulo “Fins não justificam os meios: Moro deve ser afastado”, assinado conjuntamente por Fernando Haddad
, Flávio Dino, 
Guilherme Boulos
, Ricardo Coutinho, 
Roberto Requião
 e Sônia Guajajara.

Sob o manto da crítica à conduta do atual ministro da Justiça Sérgio Moro, então juiz responsável pelo julgamento em primeira instância dos “crimes” identificados na Operação Lava Jato, os signatários do artigo avalizam a própria Operação, essa que foi o instrumento central do golpe de Estado no Brasil de 2016 e, em seguida, do golpe dentro do golpe com a condenação, prisão e banimento das eleições do ex-presidente Lula.

“Não se trata de questionar a justa e necessária luta contra a corrupção —que também é nossa, desde muito antes da Lava Jato. Mas, sim, temos indignação com o uso desta causa como manto para ocultar e atender interesses políticos e ideológicos escusos, inclusive com grave violação à soberania nacional mediante “combinação com americanos”, conforme revelado em um dos Diálogos publicados pelo site The Intercept”.

Trocando em miúdos, o trecho acima quer dizer que a Lava Jato em si cumpriu e cumpre um papel importante para o País, o seu único problema foi ser utilizada por “interesses políticos e ideológicos escusos”.

Para qualquer pessoa minimamente esclarecida e que não aja pela má fé, não foram necessárias as denúncias do Intercept, que começaram a ser divulgadas no último período, para saber o objetivo criminoso da Lava Jato.

Os autores admitem que houve “grave violação à soberania nacional mediante “combinação com americanos”, mas isso não foi a posteriori, a operação foi forjada pelas agências de inteligência norte-americanas e Moro não passa de um testa-de-ferro, um funcionário do governo daquele país.

Aliás, Moro começou a ser treinado bem antes. Foi o juiz responsável por encobrir o escândalo do Banestado durante o governo FHC, que transferiu mais de 30 bilhões de dólares ilegalmente para o exterior, e não é à toa que entre os maiores beneficiários da operação estavam o PSDB, as Organizações Globo e o grupo Abril, todos representantes dos interesses norte-americanos no Brasil e serviçais na campanha contra o governo de Dilma Rousseff, pelo impeachment, perseguição e prisão de Lula, etc.

Moro passou, ainda, por uma segunda prova de “lealdade”, foi assessor da ministra do STF, Rosa Weber, nos processos do “Mensalão”, o avant-première do Golpe de Estado de 2016, justamente pelo sua suposta especialização em crimes financeiros e no combate à lavagem de dinheiro.

Em nome dos bons serviços prestados aos seus patrões é que Moro foi designado como a figura central da Lava Jato, que tem, desde o início, seus propósitos bem delineados, e são vários, mas de nenhuma maneira o combate à corrupção.

Em nome do combate à corrupção, a Lava Jato está destruindo a economia nacional. São incalculáveis os danos causados a Petrobras, às indústrias da construção naval e civil, para ficar apenas em alguns exemplos. Dados divulgados pela própria imprensa golpista, portanto podemos considerar, sem nenhuma insegurança, como bem abaixo da realidade, empresas brasileiras venderam mais de 100 bilhões em ativos entre 2015 e 2017 (g1.Globo.com, 13/10/2017). Estima-se, ainda, que ocorreram 2,5 milhões de demissões relacionadas a Petrobras e as empresas que mantinham relações com ela e que foram alvos da operação.

A contra partida da operação, segundo dados de 2018, teria recuperado míseros R$ 618 milhões ao custo da redução do PIB entre 2015 e 2018 da ordem de R$ 142,6 bilhões. A Lava Jato, é uma versão melhorada do Escândalo do Banestado. Dos 30 bilhões de dólares que “sumiram”, o “bravo” combatente da corrupção, Sérgio Moro, recuperou a fortuna de 17 milhões de dólares.

E quem se beneficia com isso senão o imperialismo norte-americano? Aqui nem entramos no mérito da verdadeira caçada de uma operação jurídico policial contra políticos, principalmente do PT, a começar por Lula, donos de empresas, agencias de propaganda, enfim, um ataque a tudo e a todos que pudessem ser um empecilho à política de rapina da economia brasileira.

Voltemos aos nossos paladinos da esquerda moral. Depois de todo um blá-blá-blá acerca das imoralidades cometidas por Moro, de uma “animosidade” deste para com Lula, apresentam a solução: “Fora Moro”.

“Não se pode admitir que, escancarada a trama, permaneçam os envolvidos a ocuparem funções relevantes, podendo inclusive atrapalhar ou direcionar investigações. Moro perdeu completamente as condições políticas e morais de ocupar o Ministério da Justiça, que comanda a Polícia Federal. Deve ser imediatamente afastado do cargo”.

O problema, obviamente não é a operação como um todo, mas uma figura “diabólica”, que subverteu todos os princípios éticos e morais do combate a corrupção, que são os objetivos finais da operação Lava Jato.

Finalmente, como que para fechar com chave de ouro, o artigo encerra com uma tirada “filosófica” sobre as relações entre os meios e os fins que devem existir em todos os processos moralizadores, como a operação Lava Jato.

“A Lava Jato se ergueu em torno do tema da corrupção. Agora, mesmo os que a defendem têm o dever de afastá-la deste mesmo pecado: o da corrupção. Pois não há outra palavra para definir o que ocorreu nesse lamentável episódio. Os fins não justificam os meios. E fraudar os meios corrompe o direito e a Justiça”.

Diante de fins tão podres, que ao fim e ao cabo, têm como meta promover uma verdadeira hecatombe no país, os meios só poderiam ser tão podres quanto os fins. Apenas pessoas podres como Sérgio Moro podem levar a cabo objetivos tão podres, como são os da operação em questão.

A defesa da Lava Jato pelos signatários do artigo não foi um raio em céu azul. Esse grupo está numa cruzada pela construção de uma frente ampla de “oposição” que contemple partidos e políticos golpistas, como o PSDB, Fernando Henrique Cardoso, Ciro Gomes, Marina Silva e mais uma “plêiade” de venais golpistas.

Essa nada mais é do que a famosa política de virar a página do golpe. De fazer de conta que nada ocorreu no País e caminhar alegre e satisfeito para as eleições de 2020, 2022. Afinal, essa é a democracia.

Na continuidade do golpe, o País pode ser destruído. Apenas tem de ser com muita moral e ética e, é claro, com meios que justifiquem os fins: que venha outro Moro.

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