Quem é Ricardo Salles, ministro das madeireiras e mineradoras que prometeu tratar a esquerda na base da bala

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O ministro do Meio Ambiente do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro, Ricardo Salles, armou uma provocação e uma falsificação na última quarta-feira (27) contra militantes de esquerda em Porto Seguro (BA).

Sua comitiva jogou um dos carros contra os manifestantes que protestavam contra a privatização do Parque Nacional do Pau Brasil. Os militantes, então, tentaram conter o veículo. Após a confusão, os seguranças pegaram uma bandeira de um dos militantes do PCO e, quando a situação já estava totalmente normalizada, tiraram uma foto da bandeira sobre o carro. Assim, o ministro iniciou uma grande campanha de propaganda acusando o PCO e o MST de terem o atacado, quando na verdade quem atacou foi a sua comitiva.

Isso é típico da direita fascista: armar situações completamente fabricadas para acusar a esquerda na tentativa de incriminá-la. E o perfil de Salles é exatamente o de um fascista, com um histórico de ataques brutais e criminalização da esquerda e dos movimentos populares.

Durante a campanha eleitoral de 2018, ele foi candidato a deputado federal em São Paulo pelo Partido NOVO, um partido neoliberal de extrema-direita. Seu número de candidato era 3006, em referência a um tipo de munição, o que já indicava a natureza fascista e repressiva de sua candidatura.

Em seu material de propaganda, Salles confirmou isso, estampando a foto de balas de calibre .30-06, cuja arte da peça propagandística mostrava que isso era a solução “contra a esquerda e o MST” e “contra a bandidagem no campo”. Ou seja, ele prometia usar a bala, armas, para reprimir os sem terra e toda a esquerda. Isto é, prometia matar os trabalhadores que lutam pela terra e os militantes de esquerda.

Seu próprio partido ficou constrangido com a mensagem, mas mesmo assim Salles manteve sua posição, defendendo essa medida fascista. “Como é que o produtor rural vai adivinhar as intenções de quem invade sua propriedade? Pelo jeito esse ‘direito à vida’ aí vale mais para a vida do bandido…”, postou em 16 de agosto de 2018. E continuou: “É por essas e por outras que a bandidagem come solta…”

Esse material de propaganda poderia ser enquadrado na conduta do Artigo 286 do CP (incitação ao crime) e impugnada na Justiça Eleitoral, segundo a própria Procuradora da República Janice Ascari.

Percebe-se que é um fascista declarado, que sempre teve a clara intenção de atacar a esquerda.

Integrante do grupo fascista fabricado nos EUA, o Endireita Brasil, Salles também teve uma ação contra si por parte da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no final do ano passado, por fazer propaganda eleitoral em nome desse grupo, desembolsando R$ 260 mil para a veiculação do material impresso.

Ricardo Salles também foi condenado em 1ª instância por improbidade administrativa quando era secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin no governo do estado de São Paulo. Ele foi acusado de fraudar mapas produzidos pela Universidade de São Paulo (USP), em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), relacionados ao Rio Tietê. O interesse era favorecer empresas ligadas à mineração.

Ainda como secretário do Meio Ambiente de Alckmin, Salles foi acusado de demolir um memorial dedicado ao ex-capitão do Exército e guerrilheiro, herói da luta contra a ditadura militar, Carlos Lamarca. Contra Salles, foi movida uma Ação Civil Pública pelo promotor Milton de Oliveira Mello Neto, em agosto de 2017.

Essa foi mais uma ação fascista de Salles, evidenciando novamente seu caráter de perseguidor e repressor de toda a esquerda. É um fascista, que defende o esmagamento dos movimentos populares e o aumento da exploração do povo pelo imperialismo, e que agora se finge de vítima exatamente para justificar essa política.