Quem é Hamilton Mourão? O homem de frente do golpe militar

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Filho de um General de Divisão, Antonio Hamilton Mourão, e de Wanda Coronel Martins Mourão, Antônio Hamilton Martins Mourão nasceu em Porto Alegre em 15 de agosto de 1953. Ingressou no Exército em fevereiro de 1972, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e, já como aspirante a oficial, seguiu cursos de formação, de aperfeiçoamento, de altos estudos militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, além dos cursos básico paraquedista, mestre de salto e salto livre, também possui o curso de guerra na selva.

Foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras, cumpriu Missão de Paz em Angola, foi adido militar na Embaixada do Brasil na Venezuela, Adido de Defesa, Naval e do Exército junto à Embaixada Brasileira no Suriname, exerceu a função de Observador Militar das Nações Unidas em El Salvador – ONUSAL, América Central, e foi  comandante do 27.° Grupo de Artilharia de Campanha em Ijuí (Rio Grande do Sul), da 2.ª Brigada de Infantaria de Selva em São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), da 6.ª Divisão de Exército e do Comando Militar do Sul, ambos em Porto Alegre.

Foi também Vice-Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, no Rio de Janeiro, e exerceu o cargo de Secretário de Economia e Finanças pelo Alto Comando do Exército, de que foi exonerado em dezembro de 2017. Deixou o serviço ativo em 28 de fevereiro de 2018, quando foi transferido para a reserva remunerada.

General Mourão tem em comum com outros militares hoje no centro do golpe o fato de ter passado pela Academia Militar das Agulhas Negras e seguido os mesmos cursos de formação, durante a Ditadura. Augusto Heleno Ribeiro Pereira, graduou-se na Aman em 1969; um ano depois, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas ingressou na Academia; Sérgio Westphalen Etchegoyen, em 1971; e Fernando Azevedo e Silva, em 1973. Jair Bolsonaro passou pela mesma Academia, na qual ingressou em 1974, onde conheceu grande parte dos atuais generais, como companheiros ou como instrutores.

Tomando como base diversos pronunciamentos do General Mourão nos últimos anos, em particular os de 2017, ele deixa claro ser um intervencionista e inimigo das esquerdas, fica claro que é um neoliberal assumido. Fazem parte de seu repertório a ideia de que há uma demanda exagerada da sociedade sobre o Estado e que isso leva inevitavelmente, quando os governantes são irresponsáveis, à redução da capacidade financeira do Estado, podendo chegar a uma crise econômica. Crítica, então, as pressões do ‘cidadão-cliente’ e considera que a ‘extensão dos direitos sociais’ seja um fator de desestabilização, apontando como problemas do estado a cultura burocrática e a má qualidade do serviço público.

Os fundamentos econômicos de que lança mão para receitar uma saída para o país são velhos conhecidos: “disciplina fiscal e priorização dos gastos, reforma tributária e liberalização financeira, regime cambial e liberalização comercial, investimentos estrangeiros, privatizações, desregulação e propriedade intelectual. ”

Aliás, sobre privatizações, ele é sempre efusivo em sua defesa. No geral, há completa afinidade com a agenda neoliberal do desgoverno golpista de Michel Temer/PSDB, mostrando-se um perfeito representante dos interesses da nossa elite econômica e do capital internacional.

De certo que o General Hamilton Mourão não é um Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), além de neoliberal em termos econômicos, está mais próximo de Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967), pois tem-se revelado calculista e um político profissional, até mais que Jair Bolsonaro.

Para quem acompanhou as manifestações do General nos últimos anos, soube atrair simpatia dos intervencionistas com seus discursos dúbios sobre a possibilidade de as Forças Armadas agirem diante do ‘caos’ político e social, mas também fez campanha contra Bolsonaro quando isso pareceu conveniente para posteriormente, quando a burguesia adotou Bolsonaro como seu candidato, silenciar e, por fim, tornar-se seu candidato a Vice-Presidente.

Vale lembrar que o General Mourão realizou pelo menos um curso nos Estados Unidos, o  Curso Avançado de Blindados na Escola de Blindados do Exército Norte-Americano, em Fort Knox, além de Cursos de Especialização em Operações de Paz do Sistema das Nações Unidas. Tendo sido adido militar na Venezuela e no Suriname, além de ter passagem por El Salvador, não se pode dizer que seja um ignorante em questões internacionais, conhecendo muito bem o continente e, como todos os oficiais brasileiros formados na Escola Superior de Guerra (ESG), está impregnado pela Doutrina de Segurança Nacional, conforme a moldaram os norte-americanos.

Por fim, é importante lembrar que foi presidente do Clube Militar, onde reúnem-se os militares da reserva, discute-se abertamente questões políticas e, sem receios, costura-se o golpe militar. Acredite quem quiser que o vice de Jair Bolsonaro é apenas um estabanado e despreparado militar de pijamas.