Quem é Abraham Weintraub? Novo ministro da educação de Bolsonaro

PoderIdeias-JairBolsonaro-Abraham Weintraub-Bolsonaro-Almoco-Paiantella-Poder360-08mai2018-FotoSergioLima

Nesta segunda-feira (8), o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro exonerou o colombiano Vélez Rodríguez do Ministério da Educação. Em seu lugar, foi colocado para assumir a pasta da educação Abraham Weintraub, outro olavista.

A expulsão de Vélez Rodríguez denota a crise política ao qual o governo de Jair Bolsonaro está enfrentando. Com a forte indisposição popular nas ruas contra o governo de Jair Bolsonaro, manifestado nos atos ocorridos na maioria das capitais contra a ditadura de 1964 no último domingo de março (31), a sinalização de Vélez Rodríguez em entrevista ao Valor Econômico de modificar os livros didáticos de história no sentido de negar o golpe militar de 1964 levou as forças militares apoiadoras do Bolsonaro a criticarem o ex-ministro. Essas forças militares, que são golpistas e são favoráveis à ditadura militar, vendo a disposição popular nas ruas contra o golpe de 1964, pressionou o Presidente para retirar Vélez, já que ainda não seria o momento mais adequado de tratar esse tema na educação.

Nesse sentido, a troca no Ministério serviu para colocar panos quentes na situação e dar continuidade com a política fascista de ataque à educação, porém de um modo menos polêmico e mais eficaz. O nome Abraham Weintraub já é bem conhecido pelos estudantes da UNIFESP (Osasco).

No final de 2017, os irmãos Abraham Weintraub e Arthur Weintraub, professores da instituição, já faziam parte do time de economistas neoliberais de Bolsonaro e auxiliaram-no na publicação de uma nota econômica. Essa nota foi rechaçada pelo diretórios estudantis da Economia e Relações Internacionais da Unifesp, que condenaram o apoio ao pré-candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. Em resposta, os irmãos de extrema-direita zombaram os estudantes, dizendo que eles “abaixam a média” da universidade e disseram em tom jocoso que estavam “ansiosos pela ditadura do proletariado”. Logo em seguida, os estudantes de esquerda e os ligados aos diretórios acadêmicos começaram a ser ameaçados e perseguidos por outros de extrema-direita.

Esse nome surgiu por conta do Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que, em 2017 enquanto Deputado Federal, conheceu-o por ocasião de um seminário sobre previdência social ocorrido no Congresso Nacional e, depois, apresentou-o a Jair Bolsonaro. Desde então, Abraham Weintraub pertenceu à equipe econômica de Bolsonaro e auxiliou-o no final do ano passado no projeto da Reforma da Previdência, que irá assaltar os trabalhadores em favor dos bancos.

Como foi dito, o novo Ministro da Educação adota as premissas fascistas de Olavo de Carvalho. Em um evento da direita e da extrema-direita, a Cúpula Conservadora, que ocorreu no fim do ano passado em Foz de Iguaçu, Abraham Weintraub declarou que “um pouco da contribuição que podemos dar é como vencer marxismo cultural nas universidades” e que “quando ele (a esquerda) chegar pra você com papo de ‘nhoin nhoin nhoin’, xinga. Faz como o Olavo diz pra fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais”. São declarações de alguém que quer levar adiante a política de guerra institucional contra a oposição e de incentivo aos grupos histéricos da extrema-direita nas escolas e universidades.

Resolvida toda a polêmica com os militares com a exoneração de Vélez Rodríguez, seu sucessor, Abraham Weintraub está cotado como aquele que poderá levar adiante as ações fascistas de guerra aos opositores no campo educacional sem que se indisponha com a ala golpista militar que apoia o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro.

Abraham Weintraub na Cúpula Conservadora das Américas, em dezembro de 2018.