PSOL e PT
MRT retira candidatura a vereadora em Campinas porque PSOL vai se coligar com o PT, mas não diz nada sobre a política levada pela chapa de Boulos em São Paulo
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MRT
MRT lança candidatos pela legenda do PSOL | Arquivo.

O Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) publicou um artigo anunciando que a pré-candidata a vereadora em Campinas (SP), Lívia Tonelli, retirou sua candidatura pelo PSOL.

A justificativa para tal atitude é a decisão do PSOL de participar da coligação com o PT na eleição na cidade. Não é possível, segundo o MRT, fazer uma coligação com um partido de conciliação de classes.

A nota de Lívia Tonelli afirma que: “A verdade é que o PT não somente fortaleceu, com suas políticas, os interesses dos nossos inimigos, que rifaram seu governo, como o agronegócio, as bancadas fundamentalistas evangélicas e as forças repressivas policiais e militares. Mas também desmoralizou parte dos trabalhadores que um dia confiaram no seu projeto”.

Nem iremos entrar aqui nos detalhes das considerações feitas pelo MRT sobre a política do PT, em particular no momento em que esteve no governo. Vamos apenas dizer que, de fato, como afirma o MRT, não é segredo para ninguém, nem mesmo para o próprio PT, que o partido leva adiante uma política de conciliação de classes.

O problema aqui é saber se a posição do MRT é coerente de um ponto de vista geral e da própria política que diz defender, ou seja, uma política que rejeitaria a conciliação de classes.

O MRT não é parte do PSOL, que não quis que o grupo ingressasse como corrente interna do partido anos atrás. O PSOL apenas cede aa legenda democraticamente para que o MRT possa lançar seus candidatos. No entanto, está claro que o MRT procura influir no PSOL, ou seja, o MRT acredita que o PSOL é um partido se não revolucionário, ao menos um partido que não seja conciliador como o PT. Será mesmo?

Em primeiro lugar, essa caracterização do PSOL não é nada mais do que uma ilusão. Tendo sido formado por correntes da esquerda pequeno-burguesa que romperam com o PT no início do governo Lula, o PSOL tem um estrutura parecida com o próprio PT. Não é um partido com um programa definido, mas uma colcha de retalhos de vários grupos, assim como é o PT, mas com uma diferença essencial: as correntes que compõem o PSOL não tem nenhuma base popular.

Nesse sentido, o PSOL foi formado e é dominado por parlamentares, professores universitários e uma gama de organizações que muito distantes de terem qualquer relação real com o movimento de massas.

Do ponto de vista do programa – se é que, de acordo com a explicação acima, podemos chamar assim -, o PSOL não se difere do PT. Cada um à sua maneira, ambos os partidos apresentam uma política reformista, de via eleitoral e parlamentar. O próprio PSOL, na campanha pela formação do partido, defendia o “PT das origens”, ou seja, que o programa político de conciliação e reformista do PT fosse repetido, mas com uma “cara nova”.

Fica claro que não há diferença essencial entre PT e PSOL quando o assunto é conciliação de classes. Mas há, ao contrário, uma diferença quando se trata de base popular: o PSOL não tem nenhuma, sendo um partido tipicamente de uma classe média de esquerda; o PT, em particular a ala lulista, tem uma enorme base popular, a maior do Brasil.

Resta-nos agora analisar a coisa de um ponto de vista conjuntural. Será que a política colocada pelo MRT na carta da pré-candidata em Campinas é coerente com a situação política nacional e as eleições? Vejamos.

O problema central, segundo o MRT, é que não dá para participar de uma coligação que representa a política de conciliação de classes. Até aí, poderíamos concordar com o MRT. Mas e o PSOL, leva adiante uma política de independência de classe? O próprio MRT responde: “organizações como a Resistência apoiam a mesma coligação [com o PT] em Recife, e o MES foi parte de atos com figuras burguesas ajustadoras como FHC e Huck, com Melchionna e David Miranda. Queremos discutir a necessidade de existir de fato uma política independente do conjunto desse regime podre e de todas as alternativas que conciliam com ele.”

Segundo as palavras do próprio MRT, membros do PSOL tem sido grandes entusiastas não apenas de uma política de conciliação mas de uma aliança com a própria direita que deu o golpe de Estado no País e que é a responsável pela eleição e sustentação de Bolsonaro.

Resta ainda uma última questão. Se o MRT se recusa a participar da coligação em Campinas por conta da aliança com o conciliador PT, por que não tem a mesma atitude em relação à chapa Guilherme Boulos-Erundina em São Paulo. Por algum motivo, a nota da pré-candidata em Campinas esconde que Boulos está entre os grandes defensores da frente ampla, talvez para poder se manter na chapa do PSOL.

Mas o buroca está ainda mais embaixo. Se a discussão é conciliação de classes, como ignorar que Erundina é uma típica representante dessa política. Foi prefeita em São Paulo – pelo PT – colocando em ação uma política de conciliação, fez parte do governo Itamar Franco, foi por anos e anos uma política de uma partido burguês, o PSB. Precisa de mais?

A defesa do MRT em Campinas revela a incoerência do grupo. Mas mais do que isso, revela que o MRT tem uma política como qualquer grupo da esquerda pequeno-burguesa, eleitoreira e parlamentar e portanto, oportunista.

A independência de classe não pode ser um discurso, deve se dar na prática.

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