A farsa fajuta de João Doria
Mais agressivo que Bolsonaro para aplicar a política neoliberal, Doria é o candidato da burguesia. Quem o apoia, não está contra Bolsonaro, e sim, contra os trabalhadores
doriabolso
Compadres, Doria e Bolsonaro tem a mesma política: esmagar a classe trabalhadora | Foto: Marcos Corrêa
doriabolso
Compadres, Doria e Bolsonaro tem a mesma política: esmagar a classe trabalhadora | Foto: Marcos Corrêa

Mais uma vez, os golpistas fizeram um milagre, a vacina que não existe, e como seguem inabaláveis em todos os seus feitos divinos, sua demagogia profissional encaminha um novo messias: João Doria. Entretanto, para aqueles que se atentam ao óbvio, as perícias da direita tradicional, em especial as façanhas de Doria enquanto “patrono da vacina, da ciência e do progresso”, são na realidade uma fraude completa. Toda propaganda empenhada da burguesia para lançar Doria como alternativa ao bolsonarismo, é apenas para destruir o País ainda mais do que Bolsonaro foi capaz.

Seria realmente João Doria a agulha no palheiro entre os políticos falidos que promoveram o golpe de Estado? Para a imprensa burguesa não somente é, como ele também é a liderança no combate ao coronavírus e na “revolução” que derrubará o bolsonarismo. Ora, seria maravilhoso acabar com a crise e o fascismo com tal revolução de um homem só, entretanto, os crimes e a violência de Doria contra o povo revelam o oposto, Doria é a alternativa da burguesia para aplicar com rigor sua política fascista e neoliberal.

A criatura já é notoriamente asquerosa para os paulistas. Atual governador do principal estado do País, é conhecido pela sua assanhada repressão contra a população. Para fazer um pequeno apanhado e refrescar a memória, ele é o responsável pelos jatos de água que acordavam os moradores de rua de São Paulo, não obstante, é o mesmo que se empenha para privatizar todas as estatais do estado e proibir os atos de rua. 

Em relação à pandemia, o “científico” em nenhum momento defendeu um programa de combate ao vírus, ao invés disso, é o principal militante da reabertura e da volta às aulas no auge da pandemia. Doria não só assassinou milhares com a reabertura do comércio, como foi um dos pioneiros na campanha por reabrir as escolas para dar um impulso no genocídio da juventude. 

Agora, após o seu grande show com a primeira vacinação do País, não tem vacina. Longe disso, Doria  prometeu acabar com o coronavírus com a vacina mais ineficaz e mais cara do mundo. Após a compra de um pequeno pacote que será destinado principalmente para os ricos da saúde privada, lançou uma campanha de vacinação sem estoque, sem calendário e sem qualquer perspectiva para a população. Vale colocar, que a previsão é que se esgotem as vacinas até o dia 31 de janeiro na maioria das capitais e, como se já não fosse um desastre, a fábrica para desenvolver a vacina do Butantan ainda é uma estrutura vazia, escura por dentro, com concreto cru em pilares e paredes e cheiro de cimento fresco.  

Sem a vacina, ele também garante com seu espírito “valente e progressista” que lutará contra o vírus reforçando a repressão. Para o feriado do aniversário de São Paulo, bem como nos fins de semana seguintes, o comércio ficará fechado. Contraditoriamente, nos dias de trabalho, dias em que a classe trabalhadora é amontoada no transporte público e nos locais de trabalho, o comércio estará funcionando a todo vapor. Finalmente, a promessa de Doria é escravizar ainda mais o povo, que pode sair apenas para trabalhar, e de forma alguma, para se divertir. Dessa forma, culpabiliza o povo pela propagação do vírus, a fim de encobrir sua política de terra arrasada;

O salvador da pátria, com sua vacina fantasma e sua repressão violenta, é, portanto, um cavaleiro ilustre da luta contra Bolsonaro? Não é preciso ser nenhum intelectual bem pensante para concluir que não. Por um lado, Bolsonaro fala muito, mas só consegue pôr em prática o que os ratos do parlamento burguês permitem. Já o senhor João Doria é dissimulado e profissional em aplicar os métodos mais sujos da política neoliberal. Essa que, especialmente na crise, tem como objetivo vender o País ao imperialismo, ao acabar com as estatais, com o próprio estado, e principalmente com os direitos democráticos do povo.

Assim, não é de nenhuma surpresa que a burguesia, sua imprensa e seus lacaios apoiem Doria para aplicar com mais dureza o esmagamento da população, entretanto, a esquerda, em nome da luta contra Bolsonaro, segue a reboque dessa política com um programa suicida, ou melhor, sem nenhum programa e cega diante da situação. Tal manobra política, no jogo de cenas entre Doria, “o científico”, e Bolsonaro, o fascista, que envolveu vários setores por causa da vacina, mostra que a burguesia é hábil e a esquerda é nula.

A paralisia da esquerda pequeno burguesa diante da crise é impulsionada por suas direções de classe média,  inclusive as do PT, que apesar de também ter uma notória base na classe operária, é dirigido por pequeno burgueses. Esses, os ditos democráticos, são facilmente manipulados e corrompidos pela burguesia através de um sistema de suborno e exploração da histeria que toma conta da pequena-burguesia. São os mesmos que defenderam o “fica em casa” enquanto os trabalhadores eram forçados a trabalhar e morrer de coronavírus, também são os mesmos que fecharam as portas dos sindicatos e das organizações de luta durante a pandemia, e finalmente, são os que jogam a culpa da pandemia sobre a suposta burrice do povo.

 

Seu medo irracional faz com que apoiem qualquer aparente solução para o problema. Dessa forma, sem um interesse próprio de classe, são levados a se juntar com a burguesia para confundir e destruir os trabalhadores. Assim, são os principais defensores da frente ampla, que agora propõe Doria como a alternativa desesperada da esquerda para acabar com Bolsonaro. Porém, é possível prever que Doria vai destruir o país mais do que Bolsonaro, pois ele tem mais condições e apoio dos setores mais poderosos da burguesia. Por isso, quem combate Bolsonaro não pode apoiar João Doria, e aqueles que o apoiam, são traidores da classe operária e de todo o povo. 

 

Se encaminha uma nova fraude eleitoral em 2022, que promete não ter como candidato a principal figura política do País, Lula, como também, a depender da mobilização da esquerda, promete Doria em seu lugar contra Bolsonaro. 

 

Mais do que nunca, é preciso denunciar a farsa de Doria que se fortalece desde o começo da pandemia e não é denunciada por ninguém. É necessária uma grande mobilização contra o golpe vigente e pela restituição dos direitos políticos de Lula, verdadeiro candidato apoiado pelo povo. Essa é a única verdadeira luta contra Bolsonaro e todos os golpistas que o colocaram no poder.

Relacionadas
Send this to a friend