Crise mundial
O Coronavírus é um desses acontecimentos que vem demonstrar a crise terminal do capitalismo
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
crise
Imagem reprodução |

Ontem não foi uma sexta-feira 13, mas por ironia, hoje é. A burguesia mundial está em maus lençóis, não resta a menor dúvida. A semana ainda não acabou e no conjunto as bolsas de valores não tinham quedas tão acentuadas desde 1987.

Os três índices acionários norte-americanos Dow Jones, S&P e Nasdaq sofreram oscilação negativa em mais de 20%, o que caracteriza o movimento conhecido no mercado como “Bear Market” (quando o índice de ações caem 20% considerando o seu maior valor atingido), isso gera uma expectativa que caiam ainda mais. Esse mesmo movimento vem ocorrendo nas bolsas europeias e no Brasil, a Bovespa já se desvalorizou 30,86% apenas em março e 37,72% no ano. O valor de mercado estimado das empresas que compõem a Bovespa caiu de R$ 3,37 trilhões, na sexta-feira (6), para algo em torno de R$ 2,48 trilhões no dia de ontem. Uma perda de quase R$ 900 bilhões ou cerca de 27, 5% do seu valor.

A quinta-feira voltou a assombrar o mundo financeiro e os governos. A queda foi mundial. A Ásia ainda não influenciada diretamente pelas bolsas ocidentais teve quedas mais comedidas, mas mesmo assim expressivas (Xangai – 1,52%, Tóquio – 4,41%). Na Europa (Frakfurt -12,24%, Paris – 12,28%, Londres – 10,87%). As bolsas norte-americanas entraram logo em “circuit breaker” logo após suas aberturas, sendo os pregões suspensos quando atingiam queda de 7%. A Bovespa brasileira simplesmente derreteu. Foram dois “circuit breakers” durante o dia. O primeiro, logo após a abertura quando estava em queda de 10% e na reabertura, quando voltou a cair 15%. Um terceiro fechamento da bolsa brasileira já era anunciado, quando se aproximava dos 20% de perdas, não fosse o anúncio do Federal Reserve (o banco central norte-americano – FED) de que injetaria 1,5 trilhão de dólares no mercado com a recompra de títulos públicos norte-americanos. Diante do anúncio do FED, tanto as bolsas norte-americanas como a brasileira tiveram uma diminuição em suas perdas. Nos EUA as bolsas fecharam com quedas em torno dos 10% e a  Bovespa, que caia a quase 20%, encerrou o pregão com baixa de 14,76% e o dólar que havia ultrapassado a barreira de R$ 5 recuou fechando em R$ 4,7790. Tudo isso ocorreu nessa quinta-feira, já considerado como a maior queda das bolsa nos últimos 30 anos.

A intervenção do FED norte-americano é o atestado da crise mundial, que ganhou um contorno de catástrofe com a decretação do coronavírus como um pandemia mundial. O 1,5 trilhão de dólares já supera a intervenção do FED na crise de 2008. Naquele momento, a intervenção do banco central norte-americano, com a injeção de 1,25 trilhão de dólares provocou um arremedo de estabilização. Agora, o efeito parece ter sido efêmero. A crise econômica mundial obriga o imperialismo a atuar de duas formas: estímulo fiscais econômico para o mercado e diminuição da taxa de juros e com isso facilitar o crédito para empresas, principalmente os bancos, para que sobrevivam durante a crise.

Os juros já foram reduzidos – o mercado aposta, inclusive, que a taxa de juros dos EUA se aproximará de 0% -, o incentivo fiscal já vem sendo dado pelo menos desde 2008. O problema reside em que a corda tem um limite para ser esticada. 

O agravante na atual situação é que o Coronavírus cumpre o papel de uma espécie de catalisador. A crise já estava aí e a agora pandemia mundial, acelerou todo o processo. Estamos diante de uma situação que não se trata apenas de  uma crise de superprodução, com o dinheiro sendo desviado para a especulação para se transformar em mais dinheiro à margem do crescimento das forças produtivas. 

Mesmo na putrefata economia capitalista, a especulação busca uma âncora na economia real. Uma empresa tem valor real de 100, mas com a especulação vale 1.000. Com o Coronavírus, a tendência da empresa que vale 100 é cair para 80, 70 sabe-se lá o limite. No bojo desse desmoronamento, a cadeia especulativa mostra-se verdadeiramente como é: um castelo de cartas.

A crise está apenas começando. Na verdade a crise nas bolsas é uma antecipação de algo muito pior que está por vir. Segundo autoridades chinesas, o ciclo da contaminação com o coronavírus deve durar em torno de 7 meses. Isso na China que tem uma política de absoluta austeridade com relação ao combate à epidemia. O que vai acontecer na Europa e nos Estados Unidos é uma incógnita. Caso a referência seja a Itália, já é possível constatar que as consequências serão muito mais graves do que na China e em outros países asiáticos. O que esperar dos EUA, então, que não tem assistência médica para mais de 50% de sua população?

O imperialismo, a fase decadente de um capitalismo putrefato não precisa caçar guerras, pois já vive a sua própria guerra intestina. 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas