Crise imperialista
Estados como Louisiana, Texas, Arkansas e Alabama entraram com processos contra outros estados devido a condutas duvidosas nas eleições, escancarando a crise política
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eleições EUA 20
A briga pelas eleições dos EUA parece estar longe de ter um fim | Foto: Reprodução

A crise generalizada na política dos Estados Unidos ganha a cada dia novos contornos, e as eleições presidenciais de 2020, que pareciam definidas com a vitória do candidato do Partido Democrata Joe Biden estão longe de acabar. Desde a vitória de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, quatro estados já entraram com ações na suprema corte alegando irregularidades e inconstitucionalidades em outros estados durante o processo eleitoral, o mais recente caso está no Texas, que processou os estados da Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, acusando-os de mudanças inconstitucionais nas eleições deste ano, que poderiam mudar o rumo das eleições.

Em apoio à ação movida pelo Texas através do procurador geral Ken Paxton, os procuradores dos estados do Alabama, Arkansas e Louisiana decidiram entrar na briga judicial sobre a conduta de outros estados nestas eleições. Steve Marshall, do Alabama, denunciou que “ações inconstitucionais e votos fraudulentos em outros estados não afetam apenas os cidadãos desses estados, mas afetam os cidadãos de todos os estados”, além disso, afirmou que “Cada voto ilegal contado, ou voto legal não contado, degrada e dilui o livre exercício do voto pelos cidadãos”, numa clara denúncia de que grandes irregularidades aconteceram nestas últimas eleições.

O procurador geral do Arkansas, Leslie Rutledge decidiu apoiar o Texas “de todas as formas legalmente apropriadas” e afirmou também que “A integridade de nossas eleições é uma parte crítica de nossa nação e deve ser defendida”. Jeff Landry, da Louisiana, também declarou seu apoio e se disse preocupado com a postura de diversos estados diante das eleições, numa tentativa de contornar a Constituição americana e salientou que o estado já apoiou outras ações feitas contra a Pensilvânia com a alegação de fraude eleitoral. As acusações feitas pelos procuradores são semelhantes as que Donald Trump e seus aliados republicanos apresentaram durante e depois do processo de apuração dos votos das eleições.

As eleições federais dos Estados Unidos escancararam a verdadeira crise em que o país se encontra, e a fraude também é evidente, mas vem de ambos os lados da disputa, desde as primárias. Bernie Sanders foi golpeado nas primárias do Partido Democrata para dar lugar ao demagogo e grande representante da política do imperialismo Joe Biden, que já foi vice presidente de Barack Obama e responsável por diversas políticas neoliberais e assassinas ao redor do mundo. Após o começo da corrida eleitoral, ficou claro que um dos candidatos era o favorito da grande burguesia imperialista. Joe Biden foi amplamente apoiado pela imprensa burguesa e os grandes veículos de comunicação dos Estados Unidos, sendo colocado como o lado oposto e uma alternativa à política de Donald Trump, sendo que na verdade representa um lado bem mais severo da política imperialista. A candidatura de Joe Biden foi patrocinada por grandes empresários ligados ao comércio internacional, o mercado financeiro e também pelo grande magnata da comunicação Michael Bloomberg.

As pesquisas eleitorais também favoreceram para que o resultado final não pudesse ser questionado, onde houve uma grande manipulação, em que Joe Biden foi colocado com ampla vantagem sobre Donald Trump, chegando até mesmo a ter doze pontos percentuais de diferença entre os dois, mas a realidade é que o resultado final foi bastante apertado desde o início das apurações. Os procuradores dos estados que estão alegando as fraudes eleitorais se baseiam em fatos que colocam em dúvida os resultados eleitorais, onde houve casos em que estados queriam computar votos que chegaram depois que as apurações já haviam começado, na grande farsa que foram os votos pelo correio. Sob pretexto da pandemia,  a modalidade do voto por correio no país foi incentivada, mas isso abriu margem para que várias situações duvidosas pudessem ocorrer, como votos extraviados ou que não puderam chegar a tempo aos locais de apuração, além disso, o estado da Flórida enfrentou problemas para o cadastramento de eleitores justamente no último dia para o processo ser realizado.

Outro fator observado foi a demagogia dos dois candidatos, onde Donald Trump apelou para o tom mais conservador e reacionário enquanto Joe Biden investiu na demagogia identitária de colocar em seu governo uma vice presidente mulher e negra, mas com um passado bem obscuro, para com os seus enquanto foi procuradora geral, responsável por mortes em cadeira elétrica e endurecimento de penas e crimes que atingem principalmente a população negra do país.

O processo eleitoral dos Estados Unidos se mostrou completamente desorganizado desde o começo, e as suspeitas de fraude só acirram e polarizam política no país. Não é de hoje que os Estados Unidos vivem uma forte crise econômica, com recordes de desempregados e trabalhadores em insegurança alimentar, uma crise sanitária devido a Covid-19 e também uma grande crise social, após o começo das grandes mobilizações contra o racismo e a violência policial no país, ambas condições históricas dos trabalhadores norte americanos, que culminaram em protestos cada vez mais radicalizados, chegando ao confronto direto entre civis e policiais. Diante de tamanha crise, a burguesia se viu na obrigação de tentar restabelecer a ordem na situação do país e o melhor indicado para isso seria Joe Biden, que através de sua demagogia identitaria esconde a verdadeira face das suas políticas contra os trabalhadores não só dos Estados Unidos, mas de outros países explorados ao redor do mundo, em contra ponto ao fator de desestabilização que era Donald Trump dentro da Casa Branca.

A crise nos Estados Unidos está longe de ter um fim e a tendência é que a situação se deteriore ainda mais e que a definição sobre as eleições deva demorar também para ser resolvida, ao mesmo tempo em que não se pode controlar a forte tendência à mobilização e radicalização da classe operária. A situação norte americana é apenas mais uma demonstração da decadência da economia capitalista e do imperialismo.

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