Quanto vale uma lei: justiça encerra processo de racismo contra Bolsonaro

28/02/2019 Café da manhã com Jornalistas

Um tema polêmico tem atraído muita atenção para o Partido da Causa Operária. Estamos falando da extensa discussão a respeito dos ditos crimes de opinião, como por exemplo o crime de racismo e, mais recentemente, o de homofobia. Diante da posição punitivista da esquerda pequeno-burguesa, que busca usar os aparatos repressivos do Estado para prender e censurar aqueles que façam declarações machistas, racistas ou homofóbicas, o PCO tem se destacado pela defesa intransigente da liberdade de expressão e de uma política antiencarceramento, ao contrário desta esquerda “chave de cadeia”.

Para nós, não se trata apenas de um problema que deve ser discutido por que consta em nosso Programa. O motivo fundamental da nossa posição contrária à estas leis é que elas invariavelmente serão utilizadas contra os próprios setores oprimidos que supostamente foram criadas para defender. Como as pessoas aprendem através da própria experiência, um acontecimento recente serve como uma luva para esclarecer este problema. De acordo com matéria publicada no sítio do jornal direitista Estado de São Paulo, Bolsonaro acaba de ser inocentado do crime de racismo, por conta das declarações ofensivas feitas em abril de 2017, em uma palestra no clube Hebraica.

Nesta ocasião, Bolsonaro teria dito “Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual essa raça que tá aí embaixo ou como uma minoria tá ruminando aqui do lado.”, dentre outras falas aberrantes. Trata-se de uma declaração absolutamente repugnante, que no entanto não causa nenhuma admiração aos que conhecem minimamente o atual presidente Bolsonaro, um verdadeiro asno falante.

Este caso é apenas mais uma comprovação dentre muitas, assim como aconteceu com Danilo Gentili recentemente. As leis contra o racismo e a homofobia não vão perseguir os maiores racistas e homofóbicos, pelo contrário, inevitavelmente vão se chocar contra a própria esquerda e estes setores oprimidos. Não podemos esperar que as próprias forças repressivas do Estado, elas mesmas profundamente direitistas e reacionárias resolvam os problemas do povo. É necessário que os negros, mulheres e LGBTs se organizem coletivamente e de forma independente façam a sua própria autodefesa.