Censura ao Porta dos Fundos
Um caso curioso virou notícia: o mesmo vídeo que foi alvo de fascistas no final do ano passado agora é processado por “ofender” os gays
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Cena do Especial de Natal do canal. | Reprodução

Quem não se lembra que esse mesmo vídeo foi o pretexto para que um grupo de extrema-direita, na véspera do Natal, atacasse com bombas a sede do canal? Esse atentado, promovido por fascistas, foi uma tentativa de calar, à força, o grupo de artistas. Agora, a imprensa golpista, por meio de uma de suas revistas mais venais, dá a notícia: “Pai de santo gay processa Porta dos Fundos e pede R$ 1 bilhão em indenização”. Segundo matéria da revista Istoé, o vídeo especial de Natal de 2019 do canal Porta dos Fundos está sofrendo novo processo e tentativa de censura.

O motivo do cidadão que quer indenização e portanto, na prática, a censura do vídeo é bastante nobre para a esquerda identitária. Por ser homossexual, ele teria ficado “ofendido” com a maneira como é tratado o personagem principal do vídeo: um Jesus gay. A “ofensa” seria um bom motivo para querer calar o Porta dos Fundos.

A esquerda identitária, que até agora se escandalizou com a campanha contra o vídeo por parte dos fascistas, tem um motivo para se colocar do lado deles: “censuremos esse vídeo imoral!”. Cada um tem seus motivos, mas todos querem desaparecer com o vídeo (o nome da moda é “cancelar”): a extrema-direita porque se ofendeu com a maneira que foi tratada a religião, o homossexual porque se ofendeu com a maneira que foi tratado o gay.

O caso é bastante interessante porque revela na prática por que a ideologia identitária, que procura calar o outro por princípios morais e subjetivos, é tão próxima da extrema-direita, pelo menos no que diz respeito aos métodos de ação.

O grande problema, no entanto, é que a extrema-direita tem mais pode para censurar, a esquerda identitária fica no grito, pelo menos na maioria dos casos.

Na realidade, o identitarismo não tem nada a ver com as tradições de luta da esquerda, muito menos de uma esquerda operária e revolucionária. Tem, antes, a ver com ideias acadêmicas, abstratas e liberais sobre determinados padrões de comportamento e de linguagem.

A política de censura, seja por qual motivo ou pretexto, não tem nada a ver com uma posição de esquerda, revolucionária e libertária.

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