Crise nos EUA
Apesar da aprovação de leis anti-despejo por 60 dias no estado de Nova Iorque, há cerca de 7 a 14 milhões de famílias em risco de despejo nos EUA, uma verdadeira bomba relógio
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Renters hold up signs as they protest to promote a State government bill (AB 1436) that will prohibit landlords from evicting tenants because of unpaid rent due to the outbreak of the coronavirus disease (COVID-19) in San Diego, California, U.S., July 17, 2020. REUTERS/Mike Blake
Protesto em San Diego, California, denuncia: "Despejos = Morte" | Mike Blake/Reuters

Na última segunda-feira (28), os parlamentares de Nova Iorque, EUA, aprovaram uma lei para proibir despejos nos próximos 60 dias, bem como renovar isenções fiscais para proprietários idosos ou deficientes. Considerada uma das mais abrangentes do País, no entanto, a medida apenas adia a crise, que tende a explodir com milhões de pessoas indo para o olho da rua quando sua vigência expirar.

A urgência na aprovação é um reflexo da situação dos nova-iorquinos e dos Estados Unidos da América. País com mais mortos por coronavírus no mundo, mais de 351 mil, enfrenta neste momento um desemprego de dezenas de milhões e a decorrente impossibilidade das pessoas pagarem seus alugueis. O que tornou difícil para alguns proprietários menores pagarem suas próprias contas, gerando um efeito em cadeia.

Segundo dados da empresa Stout, de consultoria, há cerca de 7 a 14 milhões de famílias em risco de despejo na maior economia capitalista do mundo! Das quais, teriam entre 11 e 20 bilhões de dólares em dívidas de aluguel.

Famílias sem teto depois de serem despejadas, abrigos superlotados. Crianças mudando de escola a esmo e ficando para trás. Filas crescendo nos bancos de alimentos. Pessoas que acabam em moradias superlotadas, aumentando suas chances de desenvolver doenças crônicas. Não por acaso os despejos tem relação direta com a disseminação da Covid-19.

Reportagem do New York Times relata que Diba Gaye, um imigrante de 65 anos de East Harlem enfrenta o despejo após usar o dinheiro do aluguel para enviar o corpo de sua esposa, falecida em abril, de volta para o Senegal. Desde que perdeu o emprego como estocador de mantimentos, ele sobreviveu do seguro-desemprego, que acabou no último dia de 2020.

Outro caso é o de Tiffany Caggiano, 25, que vive com seu parceiro e seu filho de 5 anos em uma casa pré-fabricada. Ela está sofrendo ameaças de despejo pelo proprietário do terreno, enquanto o titular da hipoteca está tentando executá-la. Ela e o parceiro perderam o emprego pouco antes da pandemia e desde então, sem emprego fixo, vivem do seguro-desemprego e dos bancos de alimentos.

Caso seja despejada, o município pode colocá-la, junto da família, num hotel ou moradia provisória, porque o município mesmo não tem abrigo para moradores de rua. Mas não é garantido. Caggiano poderia muito bem ser deixada de fora, como ela mesmo afirmou ao jornal imperialista: “Estaríamos em nosso carro”.

Já a empregada de hotel, Tiffany King, desempregada e sem pagar aluguel há meses, disse que deseja que os proprietários sintam o efeito que vem com o despejo. Ela participa de uma greve de aluguel, organizada por ela e seus vizinhos, para protestar contra a falta de água quente e o “mofo desenfreado”.

“O que os inquilinos passaram, agora os proprietários terão que passar… Eles vão ter que ficar na fila para obter ajuda ou gastar suas economias. Eles não pensam sobre nossa saúde ou como queremos viver”, denuncia.

Não foi por outro motivo que os parlamentares se reuniram em sessão especial, entre o Natal e o Ano Novo – dado que a medida do governador do estado de Nova Iorque, o democrata Andrew M. Cuomo, acabaria em 31 de dezembro – e aprovaram uma lei anti-despejo ainda mais abrangente, que teve sanção quase imediata do Executivo.

A ação de emergência também ocorre depois que o governo federal, ainda no mandato do republicano Donald Trump, assinou pacote de ajuda de 900 bilhões de dólares para estados e municípios, dos quais 25 bilhões só para alívio de aluguel, sendo 1,3 bilhão para o estado de Nova Iorque. Também depois de dois dias em que o seguro-desemprego de milhões de norte-americanos expirou.

Ou seja, não se trata de nenhuma “solidariedade” de Trump e do Partido Republicano – que não fez nada para combater a pandemia, muito menos dos Democratas, que além de não fazerem nada, fraudaram as eleições para eleger um elemento ainda mais nefasto e perigoso para o povo norte-americano e mundial: Joe Biden.

Num país com mais de 85 milhões de infectados (85.059.632) e 351 mil mortos (351.068), segundo dados oficiais. Em pleno inverno – o que torna a pandemia ainda mais forte – expulsar centenas de milhares de pessoas das suas casas é a receita inevitável para uma enorme explosão social.

Neste sentido, a nova lei procura adiar uma situação desastrosa, mas de forma alguma resolve o problema. Os inquilinos continuarão acumulando dívidas com os proprietários sobre os alugueis atrasados que não pagaram. Assim que a vigência da lei acabar, o desconto de 1,3 bilhão de dólares em aluguel, autorizado pelo governo federal não será suficiente para cobrir todos os aluguéis atrasados.

Em depoimento à reportagem do New York Times, Michael McKee, tesoureiro do Tenants PAC, um grupo de direitos dos inquilinos alertou que “quando tudo isso acabar, haverá pessoas devendo milhares e milhares de alugueis atrasados que elas não poderão pagar”. Ele ainda pontuou que tanto inquilinos quanto os proprietários “vão precisar de algo do governo, seja o governo federal, estadual ou municipal, algo que permita que os proprietários sejam pagos e os inquilinos paguem diretamente aos proprietários”. Isto porque, se esses despejos prosseguissem, o custo para os serviços sociais seria de mais de 128,5 bilhões de dólares, segundo estudo recente da Universidade do Arizona e da National Low Income Housing Coalition, destaca a reportagem do New York Times.

Apesar da medida paliativa adotada para impedir despejos, dezenas de milhões de norte-americanos continuam desempregados. Logo, mesmo após o fim da pandemia e com a economia “voltando ao normal”, escolas, asilos e tudo mais continuarão ameaçados pelos despejos. Mais do que isso, toda a classe trabalhadora norte-americana estará com dívidas gigantescas de aluguel. Não é por acaso que a crise atual é semelhante à das hipotecas (subprime), ocorrida em 2008 e que levou à quebra de bancos gigantescos como o Lehman Brothers. Mas ao que tudo indica, o coronavírus mostrou uma chaga ainda maior no capitalismo mundial, escancarada neste momento pela crise nos Estados Unidos da América.

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