Qualquer que seja o resultado sobre a prisão de Lula, o agravamento da crise é inevitável

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Há pouco mais que uma semana, o Supremo Tribunal Federal (STF), em mais uma sessão patética, optou por adiar a sessão que julgaria o habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Lula. Embora alguns setores da esquerda tenham comemorado o resultado como uma vitória, o fato é que o adiamento não indicou nenhuma tendência de apoio do STF ao movimento operário: indicou apenas que a burguesia ainda não estava com todas as condições necessárias para liquidar o maior líder popular do país.

No dia 26, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) rejeitaram os embargos da defesa do ex-presidente, o que decretou o apoio integral do tribunal à prisão de Lula. Com isso, a sessão do STF de hoje poderá ser responsável por deixar o caminho livre para que Lula seja preso. O habeas corpus é o último recurso, em todas as instâncias, ao qual a defesa do ex-presidente pode apelar para impedir sua prisão imediata.

Embora a burguesia esteja decidida em prender o ex-presidente Lula, que é, hoje, capaz de convocar, sozinho, milhares de pessoas para irem às ruas protestarem contra o golpe, não se sabe quando sua prisão será efetuada. Caso seja preso imediatamente, é esperado que haja uma grande reação popular. Os atos em Curitiba e em Porto Alegre, que mobilizaram pessoas em todas as regiões do país para impedir a prisão de Lula, mostraram que o ex-presidente tem um Exército em todo o país disposto a lutar, até as últimas consequências, contra a sua prisão. Além disso, os atos contra a morte de Marielle Franco mostraram uma forte tendência à radicalização das manifestações da esquerda.

Dois anos de um golpe avassalador, que tem massacrado milhões de pessoas e rasgado direitos históricos em questão de meses não tem contribuído para que a temperatura das ruas esteja amena. A prisão daquele que é um símbolo histórico do movimento operário, que é uma liderança da luta contra o golpe, não pode ser encarada como um acontecimento normal.

Por outro lado, se, por alguma contradição da burguesia, ou pelo próprio temor da reação popular, a prisão de Lula é postergada, a crise política em que o país se encontra não diminuirá. Recentemente, um general já alegou que até mesmo um golpe militar é justificável para que o ex-presidente Lula não retorne à Presidência da República. Além disso, os atentados no Sul do país, provocados por milícias fascistas que ficaram revoltadas com a demora do STF em negar o habeas corpus ao ex-presidente, mostraram que a extrema-direita não vai aceitar pacificamente um resultado negativo do julgamento de hoje.

Esse impasse em que o país se encontra coloca claramente a necessidade de uma gigantesca mobilização popular contra o golpe de Estado. A única saída para que a burguesia freie seus ataques aos trabalhadores e para que a extrema-direita não se atreva a ir para as ruas é através da organização dos trabalhadores em comitês de luta contra o golpe e de autodefesa, que sejam capazes de impedir, pela força, que o golpe se aprofunde.