Coronavírus
A vacinação deve ser um direito para toda a população, e não mais uma imposição do Estado
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vacina
Seringa contendo vacina Pfizer | Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

As inúmeras notícias sobre uma possível vacina para o coronavírus que surgiram na imprensa burguesa internacional no último período trouxeram novamente à tona a esdrúxula posição da esquerda pequeno-burguesa de se passar por advogada de defesa da direita nacional. No início da pandemia, a esquerda nacional desempenhou o papel ridículo de defender fascistas como João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC) porque seriam “responsáveis”, “científicos” e “civilizados”. Agora, defende os mesmos picaretas em nome de uma suposta política progressista e humanitária em prol da vacinação do povo.

Neste momento, a política do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro está indo de contramão ao jogo montado pela burguesia. Enquanto a direita se mostrou empenhada em fazer uma campanha pela vacinação obrigatória e imediata, Bolsonaro se colocou contra a obrigatoriedade e demonstra pouca pressa em vacinar a população. Os motivos não são muito claros, mas certamente algo que Bolsonaro leva em conta é a demagogia de tipo eleitoral com sua base de extrema-direita, que se interessa por esse tipo de indisposição com a vacina.

Para a esquerda, a posição diante do governo Bolsonaro deveria ser óbvia: denunciar que o governo, pelo motivo que for, não quer vacinar a população e exigir a vacinação gratuita para todos, bem como um plano de contenção da pandemia enquanto a vacina ainda não fosse comprovadamente segura. Mas não tem sido assim…

Por conta de suas capitulações e adaptações, resultado de uma política desastrosa de total dependência da classe dominante, a esquerda nacional foi cedendo cada vez mais espaço para a direita no regime. E, diante desse espaço deixado pela esquerda, a direita nacional vem se impondo como a “oposição oficial” ao bolsonarismo. Uma farsa total.

Como a direita “é, mas não é” uma oposição, as suas contradições com o governo Bolsonaro são extremamente artificiais. Seu choque com o governo, finalmente, não são reflexo dos interesses do povo, mas sim dos seus próprios interesses que se conflitam, em alguma medida, com os da extrema-direita. No caso da vacinação isso é claro: a direita nacional não colocou, em momento algum, os interesses do povo em primeiro plano.

A política da direita diante do problema da vacinação é, por um lado, defender a repressão àqueles que não sejam vacinados e, por outro, ter um pretexto para acabar completamente com qualquer tipo de isolamento social. Isto é, a partir do interesse da burguesia de abrir a economia a qualquer custo, a direita nacional está defendendo que o povo seja imediatamente vacinado, independentemente de haver vacina segura ou não, e que esse programa seja aplicado por meio da força violenta do Estado. Não há, portanto, qualquer defesa dos interesses do povo.

O que é ainda mais desastroso neste caso é que a esquerda pequeno-burguesa, diante do falso conflito entre a direita nacional e o bolsonarismo, entre a vacinação irresponsável e obrigatória e a ausência de qualquer plano de vacinação, decidiu comprar uma briga que não é dela. Em vez de denunciar os planos da burguesia,, a esquerda decidiu ficar do lado dos governadores e prefeitos “civilizados” da direita tradicional contra Bolsonaro. Ou seja, ficando do lado dos pais do Bolsonaro em nome da “luta contra o fascismo”, da “luta conta o obscurantismo”, da “luta contra o negacionismo” etc. Uma anulação política completa, no final das contas.

Em vez de defender o programa da direita nacional, a esquerda deveria sair às ruas para defender o seu programa. A vacina não deveria ser uma obrigação — isto é, apenas um pretexto para a direita utilizar o povo de cobaia e reprimir a população. Deveria ser um direito. Merece nota, inclusive, que o STF determinou a obrigação da população se vacinar, mas não obrigou o Estado a disponibilizar a vacina para a população!

Para que a vacina não seja apenas mais um instrumento para a direita atacar o povo, a política correta deveria ser o desenvolvimento de comitês populares de fiscalização do desenvolvimento e da produção da vacina, bem como de sua aplicação e do manuseio dos equipamentos como seringas, luvas, etc. Ao mesmo tempo, enquanto não houver vacina e todo o povo estiver imunizado, a esquerda deveria fazer uma campanha para que houvesse testes em massa na população, também fiscalizados por esses comitês populares, bem como a distribuição em massa de EPI’s, de álcool em gel, fazer uma campanha pela estatização do sistema de saúde privado. Uma campanha que passa muito longe dos interesses dos gestores “científicos”, sócios de Bolsonaro no genocídio.

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