Falso triunfo do Centro
Imprensa quer criar um fato político, uma ideia de que o centro teria sido vitorioso, quando, na verdade, o bloco centrista encolheu
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frente ampla
Frente ampla não foi bem recebida nas urnas | Foto: Reprodução

Baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o portal Poder 360 elaborou um gráfico sobre o desempenho dos partidos na eleição municipal de 2020 para prefeito. Com base nesses dados, pode-se perceber situações que desafiam a propaganda difundida pela imprensa burguesa, em favor do centro político.

Por exemplo, a tese do fracasso da extrema-direita cai por terra quando observamos que Progressistas, PSC e Patriotas tiveram, respectivamente, 1,9, 1,8 e também 1,8 milhão de votos a mais em relação às eleições de 2016. Além destes, PSD e PSL (com crescimento de 2,4 e 2,3 milhões de votos cada um) apresentam também um crescimento muito expressivo. Por fim, com 3,2 milhões de votos a mais na eleição do último dia 15, o DEM demonstra a força eleitoral dos partidos oriundos do ARENA, partido de sustentação da Ditadura Militar.

Entre os que à época da Ditadura compunham a oposição consentida aos militares, MDB e PSDB principalmente, as eleições de 2020 mostraram uma profunda debilidade do núcleo fundamental do centro político estabelecido desde então. Partido governista desde o fim do período militar, o MDB saiu de 15,1 milhões de votos em 2016 para 10,9 milhões em 2020, uma queda de quase 30%.

Com um tombo ainda maior, o PSDB conquistou 17,7 milhões de votos em 2016, porém viu sua votação cair para 10,7 no pleito atual, uma redução de quase 40%. Este dado deve ser compreendido à luz das manobras e fraudes do regime político para favorecer os tucanos em São Paulo, cidade que responde por quase 10% dos votos recebidos pelo partido.

Esquerda da Frente ampla afunda nas urnas

Entre a esquerda, dados mais interessantes do que a análise feita pelo golpista Sérgio Moro, buscando engrandecer o Psol nas eleições, revelam que o partido perdeu 100 mil votos neste ano. Com 2,1 milhões de votos recebidos (contra 2,2 milhões em 2016), o desempenho do Psol deve considerar o trabalho intenso de propaganda feito em favor do partido.

Apresentado como a opção de voto útil para derrotar o bolsonarismo em São Paulo, Guilherme Boulos responde por metade dos votos recebidos pelo Psol, com 1,08 milhão no primeiro turno e o restante diluindo-se nas prefeituras do restante do País, incluindo prefeitos eleitos como o da cidade de Ribas do Rio Pardo (MS) um notório latifundiário inimigo das lutas camponesas, contrário à legalização das drogas e do aborto, entre outras figuras grotescas lançadas pelo partido.

Considerando o arsenal mobilizado pela burguesia para propaganda da “frente ampla sem o PT na cabeça”, pode-se facilmente conjecturar que os sucessivos conchavos do Psol com a direita revelaram-se uma tática fadada à derrota, mesmo no limitado campo de luta defendido pela esquerda pequeno-burguesa: as cabines de votação.

Com menos espaço na imprensa burguesa, o PCdoB também viu seu desempenho eleitoral cair mais de 33% entre 2016 e 2020, de 1,8 milhão na ocasião para 1,2. Aqui também, deve-se considerar que mesmo onde o partido conseguiu um resultado mais expressivo, na disputa pela prefeitura de Porto Alegre, o PCdoB está ligado ao PT, partido de 5 ex-prefeitos da capital gaúcha.

PT apresenta crescimento tímido

Embora muito distante da quantidade de votos recebidos 8 anos atrás, quando inclusive voltou à prefeitura da capital paulista, o PT apresentou um ligeiro crescimento no total de votos recebidos entre 2016 e 2020, 2,94% ou 200 mil.

Tendo conquistado 179 prefeituras este ano contra 256 em 2016, chamar o resultado geral de vitória (como tem feito alguns petistas mais efusivos) seria exagerar a verdade além do limite.

O desempenho da esquerda em geral foi ruim. Contudo, é preciso lembrar que o PT continua sendo o alvo principal da burguesia, seja pela ofensiva direta da burocracia, seja pelas manobras da frente ampla.

Aumentar em 200 mil votos sua votação geral, e especialmente, fazê-lo em meio ao fogo cruzado tanto da direita quanto dos setores mais oportunistas da esquerda, demonstra de maneira muito clara o erro representado pela capitulação ante a frente ampla.

Extrema-direita continua em ascensão

O presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, não conseguiu formar um partido seu no último período. Nesse sentido, afirmar categoricamente que o bolsonarismo foi derrotado nas eleições municipais envolve uma grande dose de exagero.

Essa característica implica em uma base extremamente diluída, em uma série de partidos tradicionalmente de extrema direita e que, longe de apresentarem um desempenho geral ruim, como alardeado, tiveram um crescimento muito grande.

É bom lembrar que tomado em conjunto, os 4 maiores partidos da direita centrista, PSDB, MDB, PDT e PSB conquistaram 32,1 milhões de votos neste ano (contra 47,5 milhões em 2016).

Orbitando a zona cinzenta entre os campos da direita, o DEM foi sem dúvida o partido que mais ganhou votos neste ano, atingindo 8,3 milhões de eleitores. Somado com outros partidos dentro da extrema-direita, tais como PSD, Progressistas, Republicanos, além de partidos menores mas de crescimento expressivo como  PSL, PSC, Patriota e PRTB (do vice-presidente, general Mourão), a extrema-direita obteve quase 40 milhões de votos. Quatro anos atrás foram 24,2 milhões de votos, portanto um crescimento de 62,8%.

O quadro geral demonstra de maneira muito clara o quão distante da realidade estão afirmações como as estampadas no jornal imperialista El País, ao afirmar que “Antipolítica sai de cena nas eleições com centro-direita fortalecida e prefeitos pró-ciência reeleitos no 1º turno” (16/11/2020).

A Folha de S.P escalou o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para estampar nas suas páginas: “‘Eleição rejeitou radicalismo, mas não é recado para Bolsonaro em 2022’, diz Kassab” (17/11/2020). Na mesma toada, o Estadão sentencia que “A onda acabou” (19/11/2020). O texto, assinado por William Waack, menciona um suposto fracasso eleitoral do bolsonarismo, baseado na repetição das tradicionais críticas feitas pela direita centrista ao fascista.

Nenhuma delas diz respeito aos interesses da classe trabalhadora. Aos operários, cumpre observar, acima de tudo, que a burguesia continua impulsionando a extrema-direita, que a despeito de toda a propaganda barata difundida pelos órgãos de imprensa capitalistas, segue crescendo.

Por outro lado, as manobras da frente ampla revelaram-se um fiasco naquilo que seria o principal campo de batalha contra o bolsonarismo, com derrotas contundentes aos principais partidos a aderirem a esta política, o PCdoB e o Psol.

Representando, acima de tudo, uma submissão dos trabalhadores à burguesia, a morosidade do PT em enfrentar as iscas deste golpe, levou o partido a uma virtual estagnação, ao menos, no que diz respeito aos votos recebidos por sua base eleitoral tradicional, os setores mais populares e oriundos da classe trabalhadora.

Essa é a aliança mais importante a ser articulada nesse momento, com os trabalhadores, por fora Bolsonaro e por Lula presidente. Com o fracasso evidente dos acordos de gabinete, essa política demonstrou-se, novamente, a única forma segura de se combater o bolsonarismo e o cada vez mais ameaçador regime burguês.

 

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