Ataque imperialista
As manifestações populares na Bielorrússia são coxinhatos impulsionados pelo imperialismo, que quer implantar um governo fantoche para atender os seus interesses
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Women hold hands as they create human chain during a protest in Minsk, Belarus, Sunday, Aug. 23, 2020. Demonstrators are taking to the streets of the Belarusian capital and other cities, keeping up their push for the resignation of the nation's authoritarian leader. President Alexander Lukashenko has extended his 26-year rule in a vote the opposition saw as rigged. (AP Photo/Dmitri Lovetsky)
Protesto coxinha em Minsk, Bielorrússia, 23 de agosto, 2020 | Foto: Dmitri Lovetsky/AP

Os protestos na Bielorrússia tiveram início em maio de 2020, pouco tempo antes das eleições que dariam um novo mandato ao presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994. Ele foi reeleito, pela quarta vez, no dia 9 de agosto de 2020 com 80% dos votos. As manifestações que se seguiram pediam a renúncia de Lukashenko e de todo o governo e novas eleições.

A imprensa internacional tem feito um tremendo esforço para apresentar Lukashenko como o “último ditador da Europa”, mostrando que é um governo antidemocrático e dando apoios às várias manifestações que têm ocorrido no país. Mas esta visão é apenas o lado que o imperialismo quer destacar. Na verdade, as tais manifestações, amplamente divulgadas pela imprensa burguesa são imensos coxinhatos, todos eles disfarçados por pautas identitárias, clamando por liberdade e democracia, que, como sabemos, são conceitos vagos e sem real significado, armadilhas usadas pela burguesia para manobrar as amplas massas.

Como é a Bielorrússia com Lukashenko

É importante lembrar que Lukashenko assumiu o governo pela primeira vez em 1994, apenas três anos após a independência do país, quando a Bielorrússia ainda sofria com as consequências da destruição causada pela Segunda Guerra Mundial e com a catástrofe da explosão na usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia, localizada bem próxima à fronteira com a Bielorrússia. Calcula-se que em torno de 70% da radiação que escapou da usina foi para a Bielorrússia e cerca de um quinto das terras do país tenham sido contaminadas.

O governo de Lukashenko fez um esforço de reconstrução do país, implantando controles nos preços e taxas de câmbio, mantendo a economia do país sob rédeas curtas, exercendo um controle estatal sobre o setor industrial e agrícola, além de ter estreitado relações com a Rússia, de quem depende para suprimir as necessidades de petróleo, gás e energia elétrica.

As empresas estatais na Bielorrússia respondem por cerca de 50% do PIB. A política de Lukashenko trouxe um estado de bem-estar social invejável para um país da Europa Oriental. Como exemplo se constata que a pobreza no país diminuiu em um período de 18 anos de 41,9% para 5,6%, segundo os dados do Banco Mundial, uma das taxas mais baixas da Europa.

O estado gasta com pensões mais de 9% do PIB, valor quase equivalente de outras potências europeias (em torno de 11,3% do PIB), além do fato de a saúde e a educação serem serviços públicos gratuitos e haver uma baixa taxa de desemprego.

O que quer o imperialismo na Bielorrússia

Por isso o que realmente importa é entender o que a derrubada de Lukashenko acarretaria como consequência para a Bielorrússia e quais os interesses do capitalismo por trás disto.

A Bielorrússia é uma país sem saída para o mar e quase todo plano e verde. Seus campos são ricos depósitos de potássio, mineral essencial para a fabricação de fertilizantes e muitos outros compostos que são uma fonte importante de renda para o país. A empresa estatal Belaruskali é responsável por 20% da produção de potássio mundial.

Como já dito anteriormente outra fonte importante da riqueza da Bielorrússia é o setor agrícola, onde a grandes propriedades são todas pertencentes ao estado e apenas pequenas fazendas são privatizadas, um setor que emprega 9,7% da população e é responsável pela autossuficiência em alimentos do país. O setor industrial é bastante forte também no país, contratando 32,7% da população ativa, fazendo com que a Bielorrússia seja um dos países mais industrializados do mundo e mais uma vez, com as principais empresas sob o controle estatal.

A Bielorrússia tem na Rússia o seu maior parceiro econômico, responsável por mais da metade dos negócios do país. Em 2015 a Rússia respondia por 56% das mercadorias que entravam na Bielorrússia e 38% do total de exportações da Bielorrússia iam para Rússia. No setor de energia a Bielorrússia é dependente da Rússia, importando deles boa parte de suas necessidades de petróleo e gás. O país aproveitou a abundância do petróleo russo para refinar uma parte dele e fazer a revenda para outros países europeus.

Como podemos constatar, a situação econômica da Bielorrússia é invejável e isso estimulou o apetite dos grandes tubarões do imperialismo. Para conseguir roubar todas estas riquezas a política imperialista é estabelecer governos que sejam alinhados com os seus interesses. A partir da crise de 2008 o imperialismo se estabeleceu que o meio de conseguir isso seria através dos golpes de estados, o que aconteceu em inúmeros países em todo o planeta.

Por isso manifestações como estas na Bielorrússia são impulsionadas pelo imperialismo com o objetivo de derrubar os governos nacionalistas e defensores do controle estatal. Lukashenko, por pior que seja, tem uma política de não privatização das principais empresas e, portanto, é resistente ao controle pelo imperialismo. Outro interesse do imperialismo em tomar a Bielorrússia é por sua posição geográfica, já que o país faz fronteira com a Rússia, importante opositor do imperialismo na região.

O imperialismo tem todo interesse em tomar o controle das empresas estatais na Bielorrússia e com isso fazer lucros extraordinários, algo completamente contrário aos interesses da população. Se o golpe de estado em Lukashenko se concretizar podemos esperar a completa destruição do estado de bem-estar do país e ataques aos direitos do povo semelhantes ao que estamos presenciando aqui mesmo no Brasil.

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