“PT não tem direito de criticar Ciro”: a feia face dos que apoiam o “plano B”

LULA/BRASILIA

Desde a prisão de Lula, diversas alas “abutres” de setores esquerdistas, inclusive dentro do PT, procuram pressionar, com falas e argumentos tacanhos, para que a candidatura do ex-presidente seja abandonada e o partido apoie Ciro Gomes, ou algum outro candidato da burguesia, em nome da sobrevivência política de governadores e deputados.

Uma dessas críticas mais recentes, e com ares acadêmicos, veio de Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política, ao dizer que o PT seria arrogante ao criticar setores que cogitam alianças regionais com golpistas.  Para o doutor, o Partido dos Trabalhadores não teria “moral” para criticar Ciro Gomes, pois já conciliou com a burguesia diversas vezes e cometeu erros no passado, como por exemplo quando colocou figuras do calibre de José Alencar e Michel Temer na vice-presidência.

O acadêmico ainda argumenta que não existe um movimento de força para lutar pela candidatura de Lula, portanto essa alternativa deveria ser prontamente descartada.

Ou seja, Fornazieri defende que por ter cometido erros no passado, que não teria problema nenhum em cometer esses erros de novo mais e mais vezes, e que pela mobilização popular pela liberdade de Lula ainda não ter se materializado em um movimento de massas, que essa luta não deveria nem começar.

Fica claro que esse tipo de argumento só serve para a turma que defende a tese do “plano B” dentro do PT, em sua maioria composta por políticos de carreira que procuram desesperadamente alianças regionais para se garantir em seus cargos. Em outras palavras, o que esses setores argumentam é que, em nome de interesses regionais e políticos particulares, Lula deveria ser abandonado para mofar na cadeia.

O que Fornazieri esquece é que a base do PT e de todos os movimentos populares rejeita veementemente essa tese. O doutor esquece também que as pessoas têm a capacidade de aprender com erros e evoluir a sua consciência para não cair nas mesmas armadilhas. Essencialmente, o intelectual, e vários outros que defendem esse tipo de tese, querem que o PT se adapte ao golpe e vire mais um partido que funciona, exclusivamente, para servir interesses políticos de caciques regionais.

Aliás, esse tipo de crítica, neste momento, explicita qual era o real sentido da “autocrítica”, que tantos setores defenderam que o PT deveria fazer. Na verdade, toda essa conversa serve para pressionar os setores populares a “virar a página do golpe” e seguir para as eleições.

É preciso deixar claro: o golpe não irá embora. Ou ele irá se consolidar, diante da incapacidade dos setores golpeados de organizar uma luta efetiva, ou ele será derrotado, pela mobilização popular em torno de Lula, do PT e de todos que estão sendo perseguidos. Alianças, alternativas e demais “planos” só irão resultar em uma coisa: entregar a luta política nas mãos da direita golpista.