Frente ampla
Operação deveria ser energicamente denunciada como tentativa de destruir o PT e a esquerda
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
boulos
Guilherme Boulos | Foto: PSOL/Reprodução

As eleições municipais de 2020, conforme o prognóstico do Partido da Causa Operária, serviram para que a direita avançasse ainda mais sobre o regime. A direita golpista, representada por partidos como o DEM e o PP, cresceu muito, embora não tenha popularidade nenhuma. A esquerda perdeu várias prefeituras — o PT perdeu 75 em relação a 2016 e o PCdoB perdeu mais da metade de suas prefeituras. E isso tudo pelo mesmo motivo: em geral, a esquerda pequeno-burguesa optou pela política de frente ampla, de aliança com a direita, e não da luta pelo Fora Bolsonaro. Nesse ambiente direitista, até mesmo o PCO, que participa das eleições apenas para convocar os trabalhadores à luta, e não para galgar cargos, foi duramente atingido: vários candidatos foram indeferidos pela Justiça golpista e alguns deles, como é o caso de Victor Assis, candidato a prefeito do Recife, sequer tiveram seus votos divulgados.

Apesar dessas condições extremamente desfavoráveis, teve um partido de esquerda que apresentou um tímido crescimento: o PSOL. Mas isso não aconteceu porque o PSOL enfrentou a direita e chamou os trabalhadores para lutar pelo Fora Bolsonaro. Muito pelo contrário: o PSOL está se tornando, junto com o PCdoB, o partido oficial da frente ampla com a direita golpista, a mesma que derrubou Dilma, prendeu Lula e ajudou a eleger Bolsonaro.

Tanto é assim que o fascista Sérgio Moro elogiou a “performance” do PSOL nas eleições, dizendo que teria se tornado um partido “relevante”. Vários jornais burgueses também destacaram que o PSOL teria se tornado um partido importante para a esquerda. Obviamente, isso não é verdade, visto a quantidade ínfima de prefeitos que elegeu. Mas fica uma questão: como o PSOL está conseguindo se tornar o partido “oficial” da esquerda?

Além do fato de que o PSOL estar sendo impulsionado pela burguesia como forma de tentar diminuir a polarização, é preciso apontar que esse partido só conseguiu avançar na sua política de frente ampla porque o maior partido de esquerda do País, o PT, tem permitido. E o caso de São Paulo é o mais escancarado.

A ida de Guilherme Boulos para o segundo turno é uma falsificação completa. Uma operação da burguesia para transformar um professor de psicanálise, sem qualquer vínculo real com o movimento operário, em uma “liderança” da esquerda. Nesse sentido, é preciso destacar que nem mesmo uma liderança verdadeira do MTST Guilherme Boulos de fato é, mas apenas um burocrata, que recebeu a coordenação do movimento de presente. Tanto é assim que a sua “base”, isto é, os sem teto, são lulistas, e não um eleitorado efetivo do PSOL.

Boulos só teve um relativo sucesso em se apresentar como uma nova liderança da esquerda porque o PT não denunciou essa operação. Em momento algum, o PT denunciou que o PSOL, junto com a Folha de S.Paulo, a Revista Veja se articularam para afundar a candidatura de Jilmar Tatto. A fraude Boulos, a operação de fabricar um líder de esquerda cujo único fim é reciclar o lixo da direita golpista, nunca foi combatida pelo PT. Muito pelo contrário: agora, Boulos receberá o apoio do PT.

A operação da frente ampla com Guilherme Boulos vai muito mais além de derrotar eleitoralmente o PT na cidade de São Paulo. A frente ampla é, no fim das contas, uma tentativa de fortalecer os partidos e figuras mais desmoralizadas do regime político, como o próprio PSDB. E o objetivo dessa direita não é conviver pacificamente com a esquerda, mas sim de destruir o PT e todos os setores que colocarem os planos dos golpistas em risco.

Nesse sentido, a política de capitulação diante de Guilherme Boulos apenas levará o PT a perder cada vez mais espaço e a ver a direita se fortalecer. Afinal, como o PSOL não tem base real nenhuma, não será capaz de deter o avanço da direita, na medida em que essa for se aproveitando da política de colaboração de classes com o PSOL. É preciso, portanto, abandonar as ilusões de formar uma “frente de esquerda” em abstrato e denunciar energicamente a fraude da frente ampla da burguesia contra a esquerda e os trabalhadores.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas