Ala esquerda
Decisão do Diretório Nacional enterra esperanças da ala comandada por Humberto Costa
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Marília Arraes ao lado de Lula | Foto: Reprodução

Na noite da sexta-feira (31), o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou o nome de Marília Arraes, atual deputada federal, para concorrer à prefeitura de Recife nas eleições municipais agendadas para este ano. Essa é a decisão final sobre a posição do partido perante a disputa na capital pernambucana.

As disputas por trás do nome de Marília Arraes alcançaram uma repercussão nacional nos últimos anos porque expressam, de maneira bastante clara, o conflito no interior do partido dos trabalhadores. Arraes, embora não seja uma militante antiga do PT — seu início na vida política se deu no PSB —, integra a ala lulista do partido. A deputada federal participou ativamente dos atos contra o golpe de Estado, bem como da luta pela liberdade de Lula. Por vezes, Marília Arraes também se colocou contra a política da “frente ampla”, denunciando os interesses de partidos golpistas como o PSB.

De outro lado da disputa, está a ala direita do PT, representada, nesse caso, pelo senador Humberto Costa. Ao contrário de Marília Arraes, Humberto Costa é um quadro bastante antigo do PT, tendo chegado, inclusive, a ser ministro da Saúde do governo Lula. Esse período permitiu que Humberto Costa obtivesse um controle de grande parte do partido, controle esse que tem usado, sistematicamente, para defender sua política de submissão à burguesia. Humberto Costa, pouco depois do golpe contra Dilma Rousseff, foi à revista Veja declarar que era preciso “virar a página do golpe”. Em Pernambuco, o senador tem sido o maior porta-voz do PT da aliança entre seu partido e o PSB.

Em 2018, Humberto Costa saiu vitorioso nesse conflito. Na época, o ex-presidente Lula estava preso e o senador conseguiu influenciar a burocracia do partido para inviabilizar a candidatura de Marília Arraes ao governo do estado. Como resultado, o PT acabou apoiando o atual governador à reeleição, Paulo Câmara (PSB). A decisão causou uma enorme crise dentro do partido. Marília Arraes e várias outras figuras do PT se recusaram a cumprir a deliberação e não apoiaram a candidatura de Paulo Câmara, nem mesmo a própria candidatura de Humberto Costa, que se reelegeu senador.

A decisão de lançar Marília Arraes em 2020 não significa uma mudança da política do PT de conjunto, mas sim que a ala direita do partido tem sido obrigada a ceder em alguns casos para evitar que a crise do partido se aprofunde. Em Olinda, o partido seguiu a política da “frente ampla” e irá apoiar o PCdoB, ao invés de lançar candidatura própria. É preciso, portanto, que os militantes do PT e de toda a esquerda que têm interesse em lutar pelo Fora Bolsonaro, continuem travando uma luta implacável contra a frente ampla e por uma política de mobilização do povo.

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