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América Latina
PSTU sobre a Bolívia: terraplanismo supostamente trotskista
O PSTU brasileiro, e sua internacional de brinquedo, mostraram que claramente não tem política nenhuma para o subcontinente
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América Latina
PSTU sobre a Bolívia: terraplanismo supostamente trotskista
O PSTU brasileiro, e sua internacional de brinquedo, mostraram que claramente não tem política nenhuma para o subcontinente
Foto: Reprodução
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Foto: Reprodução

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) apresentou neste último mês suas considerações sobre a crise política que foi aberta na Bolívia com o golpe desferido contra Evo Morales.

O PSTU tem tido uma política confusa e em vários casos abertamente reacionária, como no golpe brasileiro. É importante fazer o debate das posições deste agrupamento para demonstrar os erros políticos dele.

 

O problema de método

 

O PSTU não tem uma análise precisa dos acontecimentos, sua bússola não é a luta de classes, a luta anti-imperialista, mas as eleições e a lei. Isso fica comprovado quando o PSTU faz considerações sobre o golpe na bolívia, e o impeachment de Dilma.

Eles dizem “Esta comparação (sobre os golpes nos dois países) está errada. No Brasil, todo o processo de impeachment de Dilma ocorreu dentro das instituições constitucionais, sem qualquer intervenção das Forças Armadas ou da segurança… as eleições presidenciais e legislativas foram realizadas dentro dos prazos estabelecidos pela Constituição.”

Ou seja, o guia do PSTU para interpretar a situação política é a lei burguesa e não o conteúdo de classe dos acontecimentos.

Como na Bolívia ficou evidente a coerção militar sobre Evo, é golpe, como aqui isso foi encoberto, sob uma fachada supostamente constitucional, é democracia. A luta para o PSTU não é entre os trabalhadores e a burguesia, é entre a democracia dos ricos e ditadura dos ricos, o resto é apenas fraseologia socialista.

Lembremos o que se passou no Brasil nos últimos quatro anos.

Em 2014 pediram a recontagem dos votos, mas a diferença era grande demais e perderam mesmo assim. Nesta época a Rede Globo já fala em derrubar Dilma, em 3º turno. Em 2015, a oposição de direita chamou atos golpistas, apoiados na direita fascista, com o objetivo de criar um ambiente para o golpe, foi eleito um congresso dominado pelos golpistas. Inventou-se um crime de responsabilidade, na imprensa acusava-se a presidenta de corrupção na petrobrás, no congresso de outra coisa, a chamada pedalada fiscal. Em 2016 derrubam o governo. No dia seguinte ao golpe, legaliza-se o “crime” cometido por Dilma no Congresso. 

O golpe foi dado seguindo, pelo menos nas aparências, a constituição. Mas foi a direita, a extrema-direita, e de forma velada, os militares que deram o golpe. Rememoremos que o General Sérgio Etchegoyen, feroz anti comunista e defensor da ditadura, era comandante do exército neste período, ele se transformou em homem forte, ao se tornar ministro do governo Temer no dia seguinte ao golpe.

Sobre as eleições, basta dizer que prenderam o 1º colocado, Lula, e deixaram um candidato com ligação às milícias se eleger, fora isso, o cartel da imprensa fazendo campanha contra a esquerda e o TSE anulando votos nas regiões favoráveis ao PT, foi uma eleição normal.

É absurdo dizer que o acontece na Bolívia é essencialmente diferente do que aconteceu e acontece no Brasil. A grande diferença é que na Bolivia, do ponto vista das instituições, estava fechado o caminho para um impeachment.

O Partido de Evo venceu as eleições presidenciais e tem maioria no congresso nacional.

A violência policial e militar que ocorre na Bolívia é uma resposta a mobilização massiva que ocorre lá, contra o golpe.

Em terras brasileiras, se o povo tivesse ido às ruas após o golpe, veríamos a mesma violência.

É preciso lembrar que após o golpe de 2016, o exército dominou o panorama, chegando ao governo de militares que existe hoje?

 

Vanguarda? Não! Retaguarda!

 

Outra declaração do PSTU mostra que eles não se pretendem a ser a linha de frente de qualquer movimento, mas ser a retaguarda deste, vejamos: “Até alguns dias atrás, a tarefa central era enfrentar o governo burguês de Evo e, de forma mais próxima, sua fraude eleitoral. Mas o golpe muda abruptamente as coisas: deve haver uma mudança muito rápida na tarefa imediata que propomos às massas”.

Essas frase pode ser substituída por “até alguns dias atrás nossa tarefa era enfrentar o governo (a tarefa central da direta e da extrema-direita também), agora, como a direita escancarou o golpe, só nos resta ficar contra Evo e contra a direita.” Antes era tentativa de golpe, então o PSTU se sentia no direito de marchar ao lado dos golpistas. Quando o governo caiu, eles viraram 180º graus e se transformaram em antigolpistas.

Estes ziguezagues, típicos de um partido centrista, simplesmente mostram que a política do PSTU não consiste em mostra o caminho diante dos acontecimentos, se antecipando a eles, mas sim mudar de posição na medida em que estes ocorrem. 

 

As meias soluções, meias propostas, e o fracasso inteiro

 

Para o Brasil, a proposta do PSTU é “derrotar Bolsonaro”. Sem propor o “Fora Bolsonaro!” ou seja a derrubada do governo. Como isso se dará, ninguém sabe.

Na Bolívia, eles dizem que é preciso organizar a “legítima defesa”, mas isso sem uma proposta clara não passa de discurso.

É preciso formar comitês de autodefesa na Bolívia e armar o povo contra essa ofensiva fascista que se organiza no país vizinho.

Após o vago chamado à defesa, eles chamam por eleições gerais, com Evo Morales. Ou seja, a saída, na verdade, são as eleições. Essa é a única proposta concreta do PSTU.

São meias soluções, chamar eleições num país que acabou ter eleições, aliás, essas eleições são a palavra de ordem dos fascistas bolivianos.

 

Qual a saída?

 

Organizar comitês de autodefesa, formar comitês de luta contra o golpe, bairro a bairro, universidade a universidade, fábrica a fábrica. Exigir a derrubada do governo de Añez, o governo imposto pelos militares. Exigir o respeito às eleições já realizadas, recusar a renúncia de Evo, que ele tome posse para um quarto mandato, como foi escolhido pelo povo, nas eleições de 2019.: