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PSTU pede penico

O PSTU mudou de ideia. Não sobre o golpe, por enquanto. Os representantes mais “conhecidos” do morenismo no Brasil ainda não admitem que tal coisa tenha acontecido. Mas houve um recuo. Em setembro de 2016, Eduardo Almeida, principal dirigente do partido, pedia a prisão de Lula. O tipo de posição que está corroendo o PSTU por dentro, o que é um progresso para a classe trabalhadora em geral. Eduardo Almeida defendia a prisão de Lula nos seguintes termos: “Nós defendemos a prisão e expropriação dos bens de todos os corruptos. E isso significa exigir a prisão de Lula e também de Aécio e Renan pelo envolvimento na Lava Jato, de Alckmin pelo roubo da merenda escolar, e assim por diante”.

É muito diferente do último texto sobre Lula publicado pelo PSTU, em dezembro. Os equívocos da análise foram mantidos, mas a pressão sobre o partido diante de seus próprios equívocos frente à conjuntura política fez o PSTU abandonar sua campanha pela prisão de Lula, embora ela ainda seja uma consequência lógica para as premissas às quais os morenistas brasileiros continuam aferrados. Agora, contrariando as palavras de Eduardo Almeida de poucos anos atrás, o PSTU afirma o seguinte: “Não é tarefa da classe trabalhadora participar de atos em defesa ou contra Lula”.

De “defender a prisão de Lula” para “não é tarefa da classe trabalhadora participar de atos contra Lula” há uma grande distância. Embora não tenha passado tanto tempo assim entre um e outro enunciado. A análise do PSTU também teve uma sutil mudança.

Antes, Eduardo Almeida dizia que a classe trabalhadora já teria rompido com Lula e o PT: “Seria impossível que a burguesia atingisse Lula quando ele ainda tinha o apoio da classe trabalhadora. Nem a ditadura conseguiu isso. Se hoje Lula está na mais completa defensiva e pode acabar preso é porque é repudiado pela maioria absoluta dos trabalhadores. E essa ruptura da classe trabalhadora com Lula e o PT é o que existe de mais progressivo nesse momento político do país”.

Agora, o PSTU trata do problema de outra forma: “não alegra ninguém que o maior expoente que a classe trabalhadora brasileira construiu na sua história, acabe sendo condenado por corrupção por ter passado para o lado da burguesia. Mas, ao mesmo tempo, o desfecho dessa tragédia e dessa farsa que o PT construiu não surpreende. Demonstra que o PT e Lula já não têm condições de representar a classe trabalhadora, pois escolheram outros amigos e outro caminho”.

De setembro de 2016 até dezembro de 2017 desapareceu a suposta ruptura da classe trabalhadora com Lula. Agora a assertiva é bem mais rala: “Lula não tem condições de representar a classe trabalhadora”. Além disso, se antes Eduardo Almeida dizia que Lula era “repudiado pela maioria absoluta dos trabalhadores”, agora o PSTU faz um apelo para que os trabalhadores não o defendam das arbitrariedades e da perseguição da direita.

A pressão das circunstâncias obrigou o PSTU a abandonar sua política anterior. Os morenistas arregaram, desistiram, perderam. Não vão mais sair às ruas exigindo a prisão de Lula junto com os coxinhas. Não estarão disputando a base da FIESP dia 24 em Porto Alegre, em qualquer caso uma base artificial. Essas seriam as ações correspondentes à política que Eduardo Almeida defendia em 2016. Dia 24 os militantes que ainda persistem no PSTU vão assistir aos acontecimento políticos de fora.

Apesar da retirada do PSTU, no entanto, o partido não deixa de procurar brechas para continuar apoiando a direita e continuar sendo um elemento de confusão dentro da esquerda. Os morenistas procuram desmobilizar os trabalhadores no enfrentamento contra a burguesia e o imperialismo. Para isso, a tese perniciosa da vez é que defender Lula dos ataques da direita seria defender o programa político de Lula: “o que está por trás desse movimento em defesa de Lula não é, portanto, seu direito a se candidatar ou não, o que ele fará de um jeito ou de outro. Mas a defesa do próprio Lula e seu programa de conciliação de classes”.

Uma tese que permite ao PSTU jamais defender ninguém que não seja do próprio PSTU, diante dos ataques mais criminosos do Estado burguês. Resta saber por quantos meses essa nova política morenista vai resistir antes de uma nova e disfarçada retratação.