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SÃO PAULO, SP, 01.04.2016: MANIFESTAÇÃO-SP - Grupo faz ato contra o governo e também contra os partidos de direita, clamando por eleições gerais, no vão livre do Masp na avenida Paulista em São Paulo, nesta sexta-feira (1º). (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Folhapress)
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Na esteira do empirismo, o marxismo parte da ascendência da materialidade sobre o mundo ideal. Por isso, é de se estranhar o completo descolamento da realidade demonstrado pelas políticas propostas por alguns grupos que se dizem trotskistas. Um caso que já está se tornando clássico é o dos sucessivos erros de leitura de conjuntura do PSTU.

O PSTU – e outros grupos da esquerda pequeno-burguesa – cometeram o erro de classificar o Brasil como um país capitalista plenamente desenvolvido. Isso significa que o País supostamente teria sedes de empresas imperialistas, capazes de influenciar na política interna de outros países. Significa que o País já passou por um processo de reforma agrária, capaz de dinamizar os mercados internos e promover uma ampla concorrência em diversos ramos agrícolas. Significa, enfim, dizer que o Brasil estaria num nível de desenvolvimento das forças produtivas capaz de colocar a burguesia local em pé de igualdade com o clube monopolista das multinacionais que dominam o mundo, e hoje tem sede em países centrais como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha.

Evidentemente, este não é o nosso caso. Ao contrário. O Brasil não passou por reforma agrária, a produção industrial corresponde cerca de parcos dez por cento do nosso PIB, o grande empresariado nacional foi duramente atacado pelo imperialismo desde que se iniciaram as articulações do golpe em curso. Os setores produtivos – inclusive as campeãs – nacionais foram duramente atacados com o golpe de estado, tornando clara sua debilidade frente ao verdadeiro monopólio industrial global.

Como o PSTU não via mais que o horizonte interno do Brasil, insistiu na leitura de que o golpe não passava de um ajusta entre setores do imperialismo. Gritou “Fora todos” e – propositadamente ou não – acabou por apoiar o golpe de estado em praticamente todos os seus ramos. Acabou por alinhar-se com os setores mais hegemônicos do próprio imperialismo que diz combater. A política do PSTU tornou-se um arremedo tupiniquim daquela praticada à guisa de esquerda pelo Partido Democrata norte-americano.

Era de se esperar algum tipo de instinto de autopreservação por parte das hostes do PSTU. Ou seja, diante da perseguição generalizada à esquerda promovida pelos golpistas, com criminalização de diversas organizações e lideranças populares, esperava-se que o PSTU denunciasse as arbitrariedades do judiciário golpista. Não foi o que ocorreu: numa desconexão completa da realidade, os analistas do PSTU insistem no apoio ao ícone maior da perseguição política: a Lava-jato de Sérgio Moro – o Mazzaropi da Odebrecht.

Para o PSTU, é legítima a pretensa “luta contra a corrupção” alavancada pela direita desde o início do golpe. Para a analista do Partido, Mariucha Fortuna, num artigo publicado recentemente em seu site, a única demonstração da parcialidade da Lava-Jato é o fato de não haver encarcerado Alckmin, Aécio ou Temer. Já a prisão de Lula teria sido acertada.

Segundo o PSTU, a função da campanha Lula Livre teria sido “impedir a mobilização direta da classe trabalhadora pelos seus direitos e pela derrubada de Temer e desse Congresso corrupto”.

Aparentemente, os analistas do PSTU só se informam pela imprensa burguesa, e por isso não se deram conta da massiva manifestação de 50 mil pessoas em Brasília no último dia 15, quando do registro da candidatura de Lula no TSE.

Aparentemente, o PSTU não se dá conta de que a polarização política hoje – necessária para um movimento de características revolucionárias – se expressa sobretudo na preferência de metade do eleitorado pela candidatura de Lula à Presidência da República.

Aparentemente, o PSTU está completamente descolado da realidade e acredita, de fato, que é possível a articulação de uma Greve Geral sem a mobilização decisiva dos movimentos sociais agregados em torno ao PT. Parecem querer fazer uma “Greve geral” universitária conduzida pelas agremiações ligadas à CST-Conlutas.

Esperamos que tais aparências não correspondam à realidade, e que o sectarismo pequeno-burguês do PSTU seja apenas superficial. Que tal idealismo utópico esconda em seu âmago um partido disposto a lidar com trabalhadores de carne e osso, e com suas organizações tal como existem no mundo real. É no mundo real que a luta de classes se dá. O golpe do imperialismo, caso não seja combatido, há de perseguir, prender, torturar partidos de todos os matizes da esquerda – inclusive a esquerda lavajateira que hoje está aninhada no PSTU e no PSOL.

 

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