PSTU não se solidariza com o PT, diz que caravana é para defender programa de Temer e ainda reafirma que não houve golpe

A pretexto de repudiar os ataques sofridos pela caravana do ex-presidente Lula no Sul promovidos por bandos fascistas, a direção nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – publicou Nota de sua Direção Nacional, na qual consegue fazer de quase tudo – condenar a caravana de Lula e do PT, negar que tenha havido um golpe de Estado no País, defender que Lula seja investigado e julgado etc. – menos condenar seriamente os ataques realizados por bandos fascistas, formados por latifundiários, capangas e apoiados – de fato- por toda a imprensa golpista, por chefes dʋs partidos golpistas como o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Mostrando, uma vez mais, que nada tem a ver com o trotskismo que reivindica, nada tendo aprendido – por exemplo – das espetaculares lições do líder da Revolução Russa, Leon Trótski, sobre a necessidade de uma frente única contra o nazismo e demonstrando que – como a maioria da esquerda stalinista que não previu o golpe de 1964 – é incapaz de aprender com as próprias lições da luta de classes em nosso País, o PSTU dedica 4/5 de sua Nota para atacar o PT, no exato momento em que esse partido é o alvo principal da direita fascista que também fuzila companheiros do PSOL, como a vereadora Mariellen, do PCdob, como os jovens executados em Maricá, que que encarcera dirigentes do PT, mas também aprisiona líderes populares como o companheiro José Rainha, da FLN, liderança da luta dos sem terra; entre muitos outros casos.

Assim a nota destaca que o PSTU não teria “nenhum acordo político com a caravana que Lula e o PT empreendem pelo país”; assinala que “ao contrário de outros setores de esquerda, não nos somamos a esta “frente ampla”, cujos objetivos são meramente eleitorais em prol de um programa que é mais do mesmo dos governos anteriores e do atual”, ou seja, acusa que a caravana de Lula seria em defesa do program do governo golpista de Temer e ainda reafirma a tese tão cara à direita de que “não houve nenhum golpe contra o governo do PT”.

O PSTU mostra que além de não ter uma política revolucionária, ou seja, de intransigente defesa dos trabalhadores contra o imperialismo e toda a burguesia, a direita que ataca Lula, o PT e toda a esquerda, nem mesmo tem uma política democrática; sendo incapaz de defender os direitos democráticos de Lula (e por conseguinte de todo o povo) no momento em que os cães da direita fascista bradam a favor de pisotear a Constituição Federal e prender o ex-presidente com base em delações super premiadas e julgamentos fraudulentos. Sem nenhuma, absolutamente nenhuma crítica à ação do judiciário golpista, o PSTU defende que Lula “deve ser investigado e julgado”. Diante disso tudo, não participamos de atos em “defesa da democracia” ou “em defesa de Lula”.

Quando parece concordar com setores do PT e da esquerda é apenas para assumir uma posição conservadora, reacionária: “exigimos a imediata investigação e punição aos autores dos disparos contra a caravana”, o que “imediatamente” só poderia ser feito pela Polícia e pela Judiciário golpistas que aplaudem, incentivam, participam e ajudam a organizar estes e outros atentados contra os trabalhadores e a esquerda.