A reboque do imperialismo
Partido argentino decide chamar voto no PSTU, ignorando completamente que a agremiação morenista apoiou o golpe
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Faixa pedindo a derrubada do governo do PT | Foto: Reprodução

No dia 28 de outubro, a Prensa Obrera, imprensa do Partido Obrero (PO) argentino, tradicional organização da chamada “extrema-esquerda” latino-americana, publicou um artigo sobre as eleições municipais no Brasil. O texto, assinado por Rafael Santos, tem como título “Brasil: no limiar das eleições” e se propõe a analisar o governo Bolsonaro, os partidos da burguesia e a política da esquerda pequeno-burguesa. O PO chega à conclusão absurda de que irá chamar voto no PSTU por sua “independência de classe”.

Corretamente, o PO avalia que os partidos da esquerda pequeno-burguesa entraram em uma política de colaboração de classes aberta e vergonhosa com a burguesia:

“Uma característica importante do atual processo eleitoral é que todos os partidos ingressaram em uma política do mais heterogêneo toma-lá-dá-cá, montando acordos e misturas de diferentes frentes sem princípios de qualquer espécie, apenas por negociações na ordem das candidaturas. Assim, o PT (partido de Lula) integra alianças lideradas pelo PSL em 145 municípios. O PCdoB, em 70 cidades. E o PSOL, de centro-esquerda, em 40. (…) Outra cópia de Bolsonaro são os candidatos evangélicos que entram em diversas listas, mostrando o abandono do secularismo e do militarismo por formações que se dizem progressistas, de esquerda e/ou centro-esquerda”.

A caracterização é correta. As eleições municipais, estão, de fato, servindo para consolidar a política da “frente ampla”, que já vinha sendo articulada pela burguesia durante todo o processo do golpe. O uso do verde e amarelo, a campanha das “diretas já” e a defesa das instituições prepararam o terreno, sucessivamente, para essa integração da esquerda aos partidos do regime. E mesmo o PSOL, que se coloca como uma alternativa “à esquerda” do PT, se mostrou apenas mais um partido reformista, defensor da colaboração de classes. Com um agravante: sem a base operária que tem o PT.

Embora a análise sobre o problema da “frente ampla” esteja correta, a política que o PO propõe para o caso brasileiro apresenta um gravíssimo erro de análise e uma falsificação grosseira:

“Há poucos meses, o PSTU assinou, junto com o PT, PSOL e outros partidos de centro-esquerda uma proposta comum de impeachment de Bolsonaro. Com este procedimento institucional e inútil (no Parlamento se encontram mais de 50 pedidos), a única coisa que se faz é encobrir os políticos da frente popular que se opõem à luta operária independente. Mas, mesmo estando cientes desses limites, chamamos a apoiar seus candidatos porque é a única opção que se situa em um campo de independência política”.

Acontece que o PO, partindo para uma política ultra sectária, critica o PSTU por um de seus pouquíssimos acertos recentes: a frente única de esquerda pela derrubada do governo de extrema-direita. Ao mesmo tempo, ignora completamente todo o histórico recente da agremiação morenista: o PSTU foi, sem qualquer margem para dúvida, o principal partido da esquerda nacional na propaganda do golpe de Estado. O PSTU, com sua política do “Fora Todos”, apoiou a derrubada do governo Dilma Rousseff, estando ombro a ombro com a extrema-direita. Quando Bolsonaro venceu as eleições por meio de uma fraude eleitoral, o partido demorou mais de um ano para levantar a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”.

Do ponto de vista da política internacional, o PSTU tem se colocado completamente a reboque do imperialismo. O partido apoiou o golpe na Ucrânia, com características abertamente nazistas, a intervenção do imperialismo no Oriente Médio e todos os golpes recentes na América Latina.

O PSTU, portanto, é um partido que tem como política a colaboração de classes. O fato de não se coligar com os partidos burgueses apenas oculta o fato de que, na prática, apoia a direita e sua política. O que faz com que de maneira alguma possa ser considerado um partido independente.

Ao mesmo tempo, o PO ignora completamente a atividade do único partido revolucionário no Brasil. Do único partido que, ao mesmo tempo em que não partiu para a colaboração de classes, denunciou a “frente ampla” em todas as suas etapas. Inclusive, durante a pandemia, quando o PSTU, junto com toda a esquerda pequeno-burguesa, defendeu o “fique em casa”. Esse partido é o Partido da Causa Operária, o quarto maior partido da esquerda em número de candidatos lançados. E um partido que o PO não tem o direito de dizer que não conhece, pois ambas as organizações realizaram atividades em conjunto durante um período.

É por isso que a defesa do voto no PSTU é, no final das contas, uma grande falsificação, que apenas serve para que o PO encubra a sua própria política de colaboração de classes. O partido, que apoiou a derrubada do kirchnerismo, foi incapaz de levantar a palavra de ordem de “Fora Macri”.

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