PSTU diz que enquanto não estivermos apanhando da SS nazista não se pode falar em fascismo

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Depois de negar os golpes no Egito e na Ucrânia, depois de negar que houve um golpe no Brasil, o PSTU saiu de seu recente silêncio para apresentar mais uma avaliação política brilhante: não há, segundo o PSTU, avanço dos fascistas no Brasil. É o que defende Gustavo Lopes Machado, em um texto que foi ao ar no última dia 2, sob o título “Não é avanço do fascismo o que está acontecendo no Brasil”.

Os tiros contra a caravana de Lula, o assassinato de Marielle Franco, as mobilizações coxinhas, a ameaça de golpe militar, a candidatura de Bolsonaro etc, nada disso seria, para os morenistas, expressão do fascismo. O golpe, que o PSTU diz que não existe, não teria estimulado o fascismo, que o PSTU também diz que não existe. O autor chega ao ponto de começar o texto chamando a ameaça fascista de “fantasma”

Como no caso do golpe, em que o PSTU terminou em uma frente com os golpistas para negar o golpe, agora a política negacionista do morenismo leva a uma frente com os fascistas para alardear que o fascismo não avança. O argumento do PSTU para dizer que não há avanço fascista resume-se ao seguinte: não há avanço do fascismo porque não há um movimento fascista acabado agindo na situação política.

Nas palavras do próprio PSTU:

O fascismo não se caracteriza, portanto, por ações isoladas verificadas aqui e ali, mas por uma ação organizada e dirigida por um partido. Por um lado, trata-se de destruir diretamente e pela força o movimento socialista, por outro trata-se de buscar uma melhor posição para o país em questão no sistema internacional de Estados, no contexto da dominação imperialista.

Ou seja, enquanto não houver um partido nazista desfilando com bandeiras nazistas na Av. Paulista, ou um protesto em Brasília com bandos coxinhas ostentando suásticas e ouvindo o discurso de um sujeito com um bigodinho fora de moda, não há fascismo. Como se o surgimento de um movimento de extrema-direita organizado pudesse surgir do nada. Como se o clima criado pelo golpe não tivesse nenhuma relação com o fascismo.

A política do PSTU, portanto, é cobrir os olhos de quem estiver disposto a acreditar neles e esperar que o fascismo continue avançando. Como no caso do golpe, só se pode lutar depois que o inimigo estiver plenamente mobilizado e forte. Só se pode combater o fascismo quando as tropas da SS estiverem espancando militantes nas ruas. Será um combate difícil, travado entre o rosto dos operários organizados e a sola da bota dos nazistas. é esse combate que o PSTU propõe ao tentar encobrir o avanço do fascismo hoje no Brasil.

O PSTU também argumenta que alertar para o perigo do fascismo seria um truque para dar apoio ao PT. Como se os tiros contra a caravana de Lula fossem um truque de retórica do ex-presidente Lula, e não uma realidade. Aqui, de novo, o PSTU está repetindo a ladainha da própria extrema-direita.

Essa falsificação seria necessária porque defender partidos reformistas de ataques fascistas seria, para o PSTU, contrariando tudo que Trotsky falou sobre o assunto na década de 30, endossar o programa político dos reformistas. O problema é que a burguesia não está despertando o fascismo contra o PT apenas para atacar o PT, mas o conjunto da classe operária. Mesma razão pela qual o principal alvo do nazismo no primeiro momento foram os próprios social-democratas, representantes do regime e maior partido da esquerda alemã durante a ascensão de Hitler ao poder.

Obviamente, e como sempre, essa política do PSTU é um completo equívoco e só interessa aos próprios fascistas que estão entrando na arena política de forma mais explícita. O fascismo precisa ser combatido desde já, antes que as ações de extrema-direita contra as organizações de esquerda apareça de forma mais organizada e objetiva. Não depois.