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Moral e ética
PSTU continua a encobrir os crimes da Lava Jato
Em defesa de uma Lava-Jato ética, PSTU faz frente com todos os setores golpistas e até não golpistas que são contra a liberdade de Lula
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Moral e ética
PSTU continua a encobrir os crimes da Lava Jato
Em defesa de uma Lava-Jato ética, PSTU faz frente com todos os setores golpistas e até não golpistas que são contra a liberdade de Lula
Faixa do PSTU pelo “fora todos” – fonte: DCO
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Faixa do PSTU pelo “fora todos” – fonte: DCO

Matéria do sítio do PSTU com data do dia 17/09, assinada por Mariucha Fontana – “Vaza Jato, Lava Jato e a injustiça burguesa” –  é a expressão escrita da política cínica e ordinária que do PSTU diante do golpe de Estado de 2016.

Na tentativa  de encobrir a participação ativa do PSTU em defesa do golpe de Estado, junto com o que há de mais podre na política brasileira, em defesa do impechment da presidenta Dilma Rousseff, em defesa da perseguição e prisão de Lula, Mariucha não faz mais do que reafirmar a defesa que seu partido sempre fez da operação Lava-Jato, agora, diante das provas apresentadas pelo Intercept, com uma necessária roupagem ética.

“As publicações pelo site The Intercept das mensagens privadas trocadas entre procuradores da Lava Jato, entre eles Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro – revelam que a Força Tarefa da Lava Jato também é corrupta. Quer dizer, sua seletividade não respondia apenas (o que já é muito) a uma parcialidade por mera omissão. Ao contrário, era deliberada, discutida e definida em conluio entre juiz e acusadores”.

Em outras palavras, o que Mariucha Fontana tenta explicar é que o seu Partido, que antes considerava a Lava-Jato como o resultado da disputa entre setores da burguesia e por isso era seletiva, mas nem por isso as acusações deixavam de ser verdadeiras, agora aponta que a Lava-Jato, também é corrupta. Muito embora, a corrupção de Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e outros seja “café pequeno” diante dos fatos “comprovados” ao longo desses últimos anos pela própria Lava-Jato.

Diga-se de passagem que essa é a posição de um amplo setor que vai dos golpistas, a começar pelo próprio imperialismo, até setores da esquerda pequeno burguesa diante das denúncias que vieram a público pelo Intercept. Moro e Dallagnol são corruptos, porque foram parciais, manipularam informações, no máximo, como quer fazer crer a matéria de Mariucha, foram seletivos para encobrir outros corruptos, mas, obviamente, isso não invalida o “trabalho” da Lava-Jato. Em resumo, tudo é um problema de imoralidade dos membros da operação.

Mariuha chega até a explicar a gênese da corrupção de Sérgio Moro: “Sérgio Moro, aliás, – independente das informações da Vaza Jato -, ao aceitar ser ministro da Justiça de um governo autoritário, que defende ditadura, torturadores e milicianos, comandado por um tipo como Bolsonaro e seus filhos, colocou em questão qualquer possível aura de imparcialidade que ele dizia ter. Como pode ser imparcial e contra a corrupção, se aceitou entrar em um governo autoritário, que defende ditadura, tenta acabar com liberdades democráticas e que tem indícios de corrupção envolvendo organizações criminosas mafiosas armadas, como são as milícias?”

No final das contas, a família Bolsonaro foi quem corrompeu o “paladino da moralidade”. Não fosse de uma gravidade absoluta, a posição do PSTU seria até motivo de uma charge em um jornal de anedotas ao estilo O Pasquim. “Sérgio Moro sendo corrompido pelo Queiroz”, poderia ser o tema. A gravidade reside justamente no fato de que essa não é uma posição apenas do PSTU. Nesse sentido, o PSTU é apenas a versão mais caricata de todo um setor da esquerda pequeno-burguesa, que anseia por “virar a página” do golpe. Estabelecer um novo regime político saído das entranhas do golpe, garantir o governo Bolsonaro até 2022.

Ao contrário do que fala o PSTU e muita gente da esquerda pequeno-burguesa, a Lava-Jato não foi uma operação de combate à corrupção. A Lava-Jato foi a coluna vertebral do golpe de Estado de 2016, aliás golpe que começou bem antes. O fio da meada da Lava-Jato foi o famoso “Mensalão”. A operação foi orquestrada pelo imperialismo para derrubar o governo do PT, perseguir e prender Lula e outros dirigentes do seu partido, destruir a economia nacional, ser a base inclusive da constituição de uma espécie de um estado jurídico policial sob o controle de elementos, como Moro e Dallagnol, abertamente ditatorial e pró-imperialista. Essa condição não é nova. As denúncias do Intecept trouxeram à tona o que foi uma tentativa da Força Tarefa de Curitiba de criar uma fundação privada com os recursos ressarcidos pela Petrobrás da ordem de 2,5 bilhões de reais para levar à frente esse projeto.

Para Mariucha e o PSTU toda essa discussão da Lava-Jato ser o centro do golpe nunca passou de “teoria da conspiração”. Se as denúncias do Intercept mostraram a “banda podre” dos “paladinos anti-corrupção” nem por isso mostraram que as denúncias contra o ex-presidente Lula foram forjadas, como a seguir: “Os fatos trazidos à tona pelo Intercept não dizem nada sobre a inocência de Lula, mas mostram que as investigações e o julgamento a que ele foi submetido não foi imparcial, e isto lhe dá direito a outro julgamento”. Quer dizer é a mesma política da direita, de Bolsonaro, dos militares. As “provas” da Lava-Jato sobre o apartamento do Guarujá, o sítio de Atibaia, sobre a Fundação Lula, etc.etc.etc., permanecem válidas, no máximo Lula deve ter um novo julgamento, segundo Mariucha.

Depois de toda a canalhice abjeta denunciada pelo Intercept, Lula deve provar a sua inocência. Não é que os processos devam ser todos anulados. Não é que as condenações foram uma farsa absoluta, a começar pela Força Tarefa de Curitiba e pelo então juiz Sérgio Moro, mas com ramificações no TRF-4 de Porto Alegre, no STF, no STJ e assim por diante. Para Mariucha e os socialistas do PSTU o que é que vale a presunção de inocência, a orquestração escancarada do golpe para prender Lula? Tudo isso é “café pequeno” diante dos crimes cometidos pelo ex-presidente.

Em sua matéria, Mariucha ainda levanta a denúncia de que haveria um grande conluio que vai de Bolsonaro ao PT: “Nesse esforço em prol da impunidade, que um articulista da grande imprensa chamou de Abafa Jato, estão unidos alhos e bugalhos. Quer dizer, há, ainda que de maneira informal, uma Frente Ampla jamais vista, que vai de Bolsonaro ao PT”. Pobre Lava-Jato. Bolsonaro quer livrar o bolsonarinho e o Queiroz, o PT, Lula e José Dirceu. É uma degeneração política sem tamanho. Mas para um partido corrupto como o PT, o que se poderia esperar? “Depois que entrou no governo (PT) se esqueceu do discurso que fazia e passou a praticar os desvios que ele mesmo condenava, como se viu no Mensalão. Deu no que deu. Agora, diz oportunistamente que combate à corrupção é coisa de direita”.

Como um bom partido que transpira moralidade e ética por todos os poros, o PSTU, segundo Mariucha, vê uma luz no fim do túnel: “Os socialistas defendem a luta contra a corrupção, como qualquer outra bandeira democrática”

Em que cartilha socialista a militante do PSTU leu sobre a luta contra a corrupção ser uma bandeira democrática, é difícil saber. Com certeza não foi com Marx, Engels, Lenin ou Trotski, talvez Nahuel Moreno. O que verdadeiramente importa é que a “bandeira contra a corrupção” sempre foi da direita,  da extrema-direita, do imperialismo, enfim do capitalismo decomposto. Invariavelmente é utilizada para promover golpes de estado e contra-revoluções  por todo o mundo – foi assim na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler, no Brasil de 54 e 64, no Chile de Pinochet, na ditadura argentina de 76 e é assim nos golpes patrocinados na América Latina e em diversas regiões do mundo no século XXI. Para cada caso, os golpistas, o imperialismo, sempre encontram a sua Lava-Jato.

Mariucha conclui seu artigo com o surrado slogan de que o “Lula livre” não unifica a esquerda na luta contra Bolsonaro. De fato, não unifica, porque há uma esquerda, como é o caso do PSTU, que está a favor do golpe de Estado, da Lava-Jato e que quer enterrar Lula vivo.