Esquerda bolsonarista
PSTU/Conlutas e suas posições bolsonaristas
As posições tomadas no Congresso da Conlutas são as mesmas posições dos bolsonaristas e do imperialismo em questões fundamentais da situação política atual
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Esquerda bolsonarista
PSTU/Conlutas e suas posições bolsonaristas
As posições tomadas no Congresso da Conlutas são as mesmas posições dos bolsonaristas e do imperialismo em questões fundamentais da situação política atual
Mesa de abertura do congresso. Imagens: Andes-SN.
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Mesa de abertura do congresso. Imagens: Andes-SN.

Entre os dias 3 e 6 de outubro ocorreu o 4º Congresso da CSP-Conlutas na cidade de Vinhedo, no Estado de São Paulo, e ao final do congresso, ficou evidente uma posição política suicida com a aprovação de resoluções com as mesmas posições do imperialismo e dos bolsonaristas.

O Congresso realizado em um momento de agravamento da crise e de aumento da polarização política demonstrou a completa falência da Central Sindical. Dominado pelo PSTU, a situação política forçou os delegados a discutir questões como o fora Bolsonaro, a liberdade de Lula, operação Lava Jato e sobre a Venezuela, aprovando resoluções que colocam a Central Sindical CSP-Conlutas extremamente alinhada com posições defendidas pelo governo Bolsonaro.

Uma primeira constatação do congresso é que durante todo o evento a luta pela derrubada do governo Bolsonaro foi pouco discutida e o Fora Bolsonaro foi apresentado apenas por um grupo minoritário de maneira muito envergonhada. A posição foi amplamente rejeitada pelo PSTU e seus grupos, tanto que não aparece nas resoluções. A justificativa apresentada por representante do PSTU e da centra sindical é que os trabalhadores estão se aproximando do Fora Bolsonaro, mas que estes ainda não fizeram a experiencia com o governo.

Outro ponto de convergência com os bolsonaristas foi a aprovação de uma resolução que defende a continuidade da prisão de Lula e contra a entrada na campanha pela liberdade de Lula. A resolução diz “não nos somaremos à Campanha Lula Livre (que o PT tem todo o direito de fazer), pois ela visa na verdade dar um atestado de inocência a Lula e ao PT, em uma campanha eleitoral antecipada em defesa de um novo projeto de conciliação de classes, e porque divide o movimento de massas”.

A resolução é o mesmo posicionamento da direita que afirma apesar dos “excessos” da operação Lava Jato, mas que Lula tem que ser julgado, pois existem denúncias. A resolução esconde que as mensagens divulgadas pelo sítio The Intercept Brasil revelam justamente o contrário. Mostram que o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da operação Lava Jato forjaram provas, depoimentos e testemunhas para incriminar Lula e o PT.

Há ainda a aprovação de uma resolução favorável a luta contra a corrupção poderia ser aprovada no congresso do Movimento Brasil Livre (MBL). Apresentam a luta contra a corrupção como uma necessidade e como reivindicação da maioria da população, muito similar a ideia propagada e repetida pela imprensa golpista.

A resolução apresenta de maneira genérica “defender a luta contra a corrupção com a prisão e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores” e que “a luta contra a corrupção e a exigência de prisão de todos os corruptos e corruptores são exigências legítimas e democráticas da ampla maioria da população, principalmente num país como o Brasil em que reina a impunidade aos ricos e poderosos, enquanto a justiça burguesa é conivente com o genocídio e o encarceramento em massa do povo pobre.”

A central sindical comandada pelo PSTU, se esquece que os países imperialistas se utilizam da suposta luta contra a corrupção para derrubar governos nacionalistas em países atrasados para impor seus interesses. Tanto é verdade que a operação Lava Jato serviu para justificar a privatização da Petrobrás, destruir empresas brasileiras que estavam entrando em mercados internacionais, como a empreiteira Odebrecht e outras de menor porte, em países como Peru, Venezuela, Equador e outros.

Ou seja, a operação Lava Jato e toda a luta contra a corrupção não passou de uma ferramenta do imperialismo para intervir diretamente no Brasil e colocar em marcha um plano de destruição da economia nacional, entrega das riquezas do país e de retirada dos direitos da população.

Sobre a situação internacional, as resoluções aprovadas no congresso seguem a mesma posição da direita. A mais gritante é a resolução sobre a Venezuela. Segundo a resolução toda a culpa da situação atual da economia venezuelana, assassinatos de sindicalistas e lideranças do campo são culpa das ditaduras chavistas que possuem um governo neoliberal.

“Não há mais dúvidas que, além da exploração econômica e crise social por quer passam os venezuelanos, também as suas liberdades democráticas estão suprimidas, ou profundamente ameaçadas. Não há nada de progressivo a defender no governo da Venezuela. É um governo neoliberal e, há alguns anos, ditatorial, que precisa ser derrubado urgentemente!”.

É lamentável a posição, e também esconde que a crise da economia venezuelana tem origem, principalmente, no bloqueio econômico imposto pelos EUA e outros países imperialistas.

Apesar de absurdas, não é de se estranhar essas posições do PSTU e da Conlutas. Durante todo o processo de golpe de Estado, prisão de Lula e que levaram Bolsonaro a presidência, se colocaram na mesma posição da direita golpista. Colocaram as palavras de ordem “não teve golpe” a defesa do “Fora todos”, “Fora Dilma” e “Lula é culpado”, e agora continuam nesse processo de aproximação do imperialismo e da política do Bolsonaro.

Com essa política suicida, a Conlutas revela uma política extremamente confusa e reacionária, que nem conseguem apresentar mais propostas direitistas com verniz de esquerda diante do acirramento da polarização política. Se afundam até o pescoço em posições que estão levando a central sindical e seus partidos e grupelhos a falência.