Conune: PSTU afirma que “Lula livre” não unifica os estudantes

66064076_651891151981940_1994938725903023708_n

Em matéria onde realizam o balanço do 57º Congresso de UNE (CONUNE), a juventude do PSTU, Rebeldia, defendeu que a luta pela liberdade de Lula “não unifica”.

Em crítica à oposição de esquerda, na qual eles votaram, afirmam “o fato das organizações da oposição concordarem, em menor ou maior grau, com a política da UJS (seja no tema do “Lula Livre” ou mesmo na relação ambígua com a conciliação de classes) faz com que se apresente um programa frágil, incapaz de ganhar os estudantes.”

Isto é, a chamada Oposição, formada por PSOL e outros setores da esquerda pequeno-burguesa, só não foi mais eficiente pois defenderam, de forma ambígua e escondida como sempre, a liberdade de Lula.

Segundo eles, a política “Lula livre” é um programa frágil, “incapaz de ganhar os estudantes”, mesmo o apoio a Lula e ao PT tendo aumentado diante do repúdio ao golpe de Estado, como ficou explícito com o apoio a Lula nas intenções de votos durante o processo eleitoral de 2018.

Se esquecem que para consolidar a fraude que colocou Bolsonaro no poder, tiveram de retirar Lula das eleições, pois diante de sua popularidade, a fraude ficaria em uma situação extremamente crítica podendo levar, apesar das manobras, à vitória do PT em 2018.

Mas no mundo de ilusões do PSTU, Lula é impopular. Por que? Porque eles mesmos se negam a olhar a realidade. A campanha pela liberdade de Lula tem ganhado cada vez mais adeptos e só não é maior diante da política de capitulação das direções. Lula foi o único preso de Lava-Jato que teve, no momento de sua prisão, milhares de manifestantes prestando apoio. Manifestantes estes que formaram um acampamento permanente em frente à Polícia Federal, onde está preso e que existe desde o primeiro dia da prisão do ex-presidente. Tudo isso, expressa a intensa popularidade do ex-presidente. Portanto, é um equívoco afirmar que a pauta não unifica, uma vez que o apoio a Lula cresce à medida que cresce o repúdio ao golpe de Estado.

Desta forma, deveríamos colocar em questão com quem o PSTU quer se unificar. Pelo que afirmam, não é como o povo e muito menos com as organizações de esquerda. Se querem unificar em torno de “Lula preso” provavelmente seus aliados se encontram no PSDB, no DEM e em outros partidos golpistas.

Mas o PSTU se auto-elogia ao mencionar a campanha de sua juventude no Conune.

“O movimento ainda defendeu que a campanha “Lula Livre” não unifica as lutas. Por mais que a justiça burguesa e Sérgio Moro sejam parciais, isso não significa que devemos dar apoio a um ex-presidente que atacou a educação e os trabalhadores. “

Quer dizer, os golpistas prenderam Lula de forma totalmente arbitrária justamente para realizar a política de ataques que Bolsonaro leva adiante. Mas para o PSTU, como Lula atacou os trabalhadores em determinado período de seu governo, deveríamos esquecer que a implantação de métodos ditatoriais pela direita, que prendeu um líder operário, é um ataque contra toda a esquerda.

O PSTU esquece que trata-se de uma ofensiva para estabelecer uma ditadura no país. Ditadura essa que, mirando Lula, mira todo o movimento operário e popular. Porém, deveríamos fechar os olhos para Lula por “x” questões e apenas defender os direitos democráticos daqueles que acreditamos realmente revolucionários.

A esquerda, por exemplo, não deveria ter defendido Dreyfus, nos anos 90 do século XIX, pois este não era nenhum revolucionário. Deveria ter fechado os olhos à realização de métodos arbitrários e deixado um inocente ser preso. No caso do Lula é ainda pior, pois trata-se de um elemento – o mais popular – da esquerda brasileira.

Em seguida, o PSTU afirma:

“O PT tem o direito de levar suas pautas às manifestações, mas tornar essa bandeira o centro das mobilizações contra os ataques de Bolsonaro não ajuda no avanço da luta. Pelo contrário, isola a luta do conjunto da população e não contribui para o desgaste de Bolsonaro.”

Isto é, “Lula livre” não só não unifica como também não “desgasta” o governo Bolsonaro. Acho que não fizeram a relação. Talvez alguém deveria explicar ao PSTU que a prisão de Lula foi fundamental para a eleição de Bolsonaro, e que os dois fazem parte do golpe de Estado – que eles não acham que houve – e portanto as duas lutas, tanto contra Bolsonaro, quanto pela liberdade de Lula andam juntas e tem como objetivo lutar contra o conjunto do golpe de Estado.

Desta forma, o PSTU se mantém nos mesmo erros que cometeu ao apoiar o golpe contra Dilma. Fecham os olhos para o golpe de Estado, de forma que não entendem o repúdio da população aos golpistas. Assim, colocam-se na contramão das reivindicações do povo, que quer derrotar o golpe.