Crença nas instituições do regime
A tentativa do PSOL de “combater” os abusos do governo golpista de Bolsonaro através da PGR e do Congresso nada mais é do que uma enganação

Por: Redação do Diário Causa Operária

Na última sexta (12), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) enviou uma representação à Procuradoria da República no DF pedindo que fosse aberta uma investigação contra o então Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, por improbidade administrativa. Mal deu tempo da medida surtir efeito e o ministro do governo golpista de Bolsonaro já caiu, dada a enorme crise sanitária, expressa em estimativas de que o País ultrapasse os 300 mil mortos em abril. Ou seja, enquanto mais de 270 mil brasileiros morrem vítimas das instituições “democráticas” do regime golpista, o Partido do “socialismo democrático” quer resolver a crise no País através destas mesmas instituições.

Um dia antes, na quinta (11), através do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), o partido já havia protocolado um pedido na Câmara Federal dos Deputados para que Pazuello fosse convocado a prestar esclarecimentos sobre como a pandemia afetou os consumidores de planos de saúde.

Considerando que durante a pandemia o PSOL apresentou vários outros pedidos deste cunho, buscando questionar as medidas criminosas dos golpistas pelas próprias instituições que eles controlam. Fica claro que se trata de um método de atuação da agremiação, que é uma espécie de Partido do Judiciário na esquerda dita socialista. Tudo de grande relevância que ocorre no País é respondido pela atuação parlamentar de algum deputado do PSOL.

Não que isso, em si, seja de todo ruim. A posição minoritária da esquerda no Parlamento a restringe a uma atividade de caráter agitativo, dado que só por sua força não consegue aprovar nada no Congresso. O problema é a quem a esquerda dirige, através da agitação política, suas reivindicações.

Ao mover ações dirigidas a PGR e à Câmara, o PSOL direciona sua agitação política aos próprios golpistas. É um pedido para que Augusto Aras e Arthur lira respectivamente investiguem e interroguem outro golpista, o então ministro de Bolsonaro, Pazuello. Logo, esta reivindicação, sob o pretexto de denunciar os crimes dos golpistas contra a população, não tem nenhum caráter popular, não se trata de chamar os trabalhadores a se mobilizarem contra os golpistas, exigirem a vacina, o investimento na saúde, a contratação de profissionais, o auxílio emergencial baseado no salário mínimo vital. É apenas um faz-de-conta do partido pequeno burguês, eles fingem que se preocupam com o colapso da saúde que vive o país, mas ao invés de chamarem a mobilização popular, deixam que os próprios golpistas julguem seus pares. 

Isto não é um acaso. O PSOL, desde o início da pandemia, tem acompanhado em todos os momentos a política da burguesia, no 1º semestre de 2020 se limitou à política do “fica em casa”, passado um ano, continua defendendo o “lockdown“. Assim, contrário a todo tipo de mobilização, os “socialistas libertários” querem encenar que irão resolver o caos da saúde no País por meio de uma ação junto à reacionária Procuradoria Geral da República (PGR), que é comandada por um bolsonarista, Augusto Aras, que foi parte de toda a criminosa Operação Lava Jato e que neste momento procura, através de recursos ao STF, reverter a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Lula.

Nem falar então do Congresso, que acaba de eleger Arthur Lira (PP-AL) o candidato de Bolsonaro, como presidente da Câmara. A mesma que foi e tem sido peça chave do golpe de Estado no País, tendo levado adiante o impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT) e chancelando todas os ataques dos governos golpistas de Temer e Bolsonaro contra a população. Muito diferente do que setores da esquerda, como o próprio PSOL propagaram, o Congresso, do ponto de vista prático, não tem nada a ver como o “bastião da democracia”, mas sim como um dos principais empecilhos a ela, dado que tem sido um dos instrumentos principais do programa dos golpistas, como as reformas trabalhista e previdenciária, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, as privatizações, etc.

O PSOL, com sua atuação, passa a mensagem de que o golpe de Estado e o enfrentamento com os golpistas pode ser resolvido através das próprias instituições.

Ao invés de dirigir seus esforços a organizar os trabalhadores para reivindicar a vacina para todos, o auxílio emergencial baseado no salário mínimo vital de R$5.500,00, a candidatura de Lula e todas suas demais reivindicações, ou seja, de levar os trabalhadores a se chocarem contra o governo Bolsonaro e todos os demais golpistas. O PSOL adota a política de “reformar o governo” golpista, propondo a substituição de golpistas menores, como Pazuello, utilizando os golpistas maiores, como o Judiciário e Congresso.

Este tipo de política, não ter como levar o avanço dos trabalhadores e de suas reivindicações, muito pelo contrário! Trata-se de ajudar Bolsonaro e a direita tradicional (centrão) a se livrarem de Pazuello para substituí-lo por um político da direita golpista, mantendo o regime intacto, a caminho de mais centenas de milhares de vítimas. A notícia da demissão do general “especialista em logística”, neste domingo, é uma prova de que a política do PSOL deu certo, para os golpistas.

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