De confiança
Pela sua base de classe média e seu programa de colaboração de classes, o PSOL é o partido de esquerda melhor controlado pela direita
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A disputa entre os candidatos da frente ampla | Arquivo

“O PSOL tornou-se o partido de esquerda mais relevante”, tais palavras, que poderiam ter sido ditas por algum analista da esquerda pequeno burguesa, foi escrita pelo Juiz fascista da Lava Jato, Sergio Moro, momentos depois do resultado eleitoral do último domingo em seu Twitter.

A constatação de Moro não é isolada. Análises desse tipo, elogiosas ao PSOL, estão enchendo os jornais golpistas, embora sequer tenha de fato uma base real. O PSOL, assim como todos os partidos da esquerda, não teve uma vitória eleitoral. Todos os partidos da esquerda tiveram diminuição no número de prefeituras. O PSOL elegeu quatro prefeitos, um deles de caráter duvidoso, um latifundiário no Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, a burguesia adotou essa política em seus jornais e entre seus representantes.

O Partido Socialismo e Liberdade, criado no início do governo Lula por parlamentares petistas que desde o início foram coniventes e cúmplices da política do PT, nasceu fazendo demagogia de que seria um grupo à esquerda do PT, rompendo com a colaboração de classes deste partido. Na época, uma análise mais ou menos detalhada do caráter ideológico e político do novo partido, já permitia saber que se tratava de mera operação eleitoral e demagógica. Hoje, a experiência de cerca de um década e meio de PSOL não deve deixar sombra de dúvida: trata-se de um partido pequeno-burguês, sem base popular, com a mesma política reformista e de colaboração de classes do PT.

Essas eleições municipais estão escancarando esse fato. É justamente por seu caráter de classe e ideológico que o PSOL foi escolhido pela burguesia como um substituto oficial do PT, mas muito mais domesticável do que o partido fundado por Lula. Vejamos como a burguesia está preparando essa operação.

Até o fascista Sergio Moro reconhece: “parabéns PSOL!”

Já citamos aqui a declaração de Moro. Como representante da direita golpista, sua declaração não deve ser entendida de maneira ingênua, trata-se da posição da burguesia.

A constatação de Moro poderia ser uma retribuição do juiz da Lava Jato ao apoio que boa parte dos elementos do PSOL deram à operação golpista que prendeu Lula desde o início. Poderíamos acreditar ainda que Moro reconhece no PSOL um partido honesto e ético, diferente dos “corruptos do PT”, afinal, Moro é o baluarte da honestidade no Brasil, não é mesmo?

Na realidade, a adoção de Sergio Moro à análise de que o PSOL se tornou o mais “relevante” mostra que o partido não está apenas comprometido com uma determinada ala da burguesia, mas da própria direita golpista. Se o PSOL nasceu acusando o PT de conciliação de classes, estamos diante de uma colaboração com a ala direita da burguesia, sua ala mais golpista e fascista. Para os esquecidos, Moro foi ministro de Bolsonaro até ontem e em grande medida o presidente golpista deve sua eleição a ele, que prendeu Lula nas eleições de 2018.

Janaína Paschoal, a querida

Outro elemento desprezível da direita fascista que morre de amores pelo PSOL, ou pelo menos diz amar, é a mulher que esteve à frente do impeachment de Dilma Rousseff e hoje é deputada estadual pelo bolsonarista PSL, Janaína Paschoal.

No ano passado, a “Jana” já foi companhia agradável de Marcelo Freixo em um programa na internet promovido pelo sítio Catraca Livre, órgão que tem ligações com o PSDB, para desfazer a polarização política no País. O psolista e Janaína trocaram afetos, num espetáculo grotesco.

Mas o amor não ficou no passado. Diante da ida de Guilherme Boulos ao segundo turno em São Paulo, Janaína convidou cordialmente o candidato do PSOL para uma “live”. Depois de trocas de afagos nas redes sociais, dá até a impressão que Boulos conquistou essa importante eleitora, será?

Felipe Neto, o golpista arrependido

Depois de ter atacado Dilma, defendido o golpe em seu canal e vibrado com a prisão de Lula, o blogueiro e empresário Felipe Neto passou a ser bajulado pela esquerda pequeno-burguesa. Segundo ele, teria mudado de posição, embora não haja muitos indícios de que sua posição sobre Lula e o PT tenha mudado.

Mas, vale para Felipe Neto a mesma coisa que vale para Sergio Moro: talvez o blogueiro reconheça no PSOL um partido honesto, diferente desse PT corrupto. O blogueiro é eleitor declarado de Guilherme Boulos.

Façamos justiça, o nível do comentário nas redes sociais, mostra que talvez haja uma identificação, digamos estética, entre o PSOL e Felipe Neto no que diz respeito a comentários infantis e ridículos. “Lacração” total!

Onde está o MTST invasor?

A direita e a imprensa burguesa não perdem tempo quando se trata de atacar os movimentos populares e a esquerda. O PSOL tem se livrado disso.

Não apenas o partido se tornou uma espécie de preferido da direita. Chama a atenção o destaque dado a frases que desvinculam Guilherme Boulos de sua pecha de “invasor de casas”.

O próprio Boulos se esforça, não para defender o direito irrestrito do movimento dos sem-teto – não apenas do MTST -, mas para explicar que na realidade ele não invade casas etc. Claro que a acusação de invasores é uma calúnia da burguesia contra esses movimentos, mas seria papel da esquerda, ainda mais se tratando de um dirigente do próprio movimento, em primeiro lugar mostrar que o povo tem todo o direito de ocupar, de mostrar que os especuladores são parasitas do povo. Mas Boulos parece mais preocupado em limpa a sua imagem. Afinal, ele é um “bom candidato”.

Essas declarações são veiculadas na imprensa, que faz questão de mostrar que o movimento de Boulos é legítimo, que ele é um bom moço, uma pessoa que sonha por moradia para todos.

Imprensa golpista elegeu sua esquerda

Boulos pode não se eleger. Tudo indica mesmo que a burguesia ficará com seu candidato oficial, Bruno Covas. Mas com certeza a burguesia elegeu a “sua” esquerda.

Desde o início da campanha Guilherme Boulos é bem tratado por toda a imprensa golpista. Folha, Estadão, Globo, Veja, todos esses órgãos, maiores inimigos do povo e da esquerda, principais articuladores do golpe de Estado no País, resolveram adotar a candidatura de Boulos.

É como se essa imprensa, que esteve freneticamente na campanha anti-petista, golpista, contra a esquerda, tivesse decidido mudar sua linha editorial. Mas não se trata disso. Essa linha continua exatamente a mesma, inclusive os candidatos do PT continuaram sendo atacados (o tratamento dispensado a Jilmar Tatto foi típico nesse sentido), os ataques contra Lula continuam virulentos.

Mas Boulos é diferente. Realmente o PSOL deve ser um partido muito honesto a ponto de que os grandes paladinos da “luta contra a corrupção” terem adotado sua candidatura.

Frente ampla: a conciliação com a direita na prática

O fundo de toda essa campanha pelo PSOL é a política de frente ampla adotada pela burguesia. Tal política visa a preparar uma candidatura para 2022 que seja da direita golpista mas que não seja Bolsonaro. Para isso, a primeira tarefa da burguesia é se livrar de Lula, único com base popular e eleitoral, e substituí-lo por uma esquerda domesticada.

Alguns esquerdistas se candidatam a esse papel e o PSOL tem cumprido os requisitos. Boulos e Freixo têm sido os mais enfáticos defensores da frente ampla, o que os colocou inclusive em reuniões e atos com elementos da direita, do PSDB, do DEM e MDB.

O PSOL se credencia, assim, a ser o substituto de Lula, não pela popularidade do ex-presidente, mas como joguete nas mãos da burguesia.

No Rio de Janeiro, apoio de banqueiros

O caso do candidato do PSOL a vereador em Duque de Caxias, Wesley Teixeira, é importante para mostrar as credenciais do PSOL como partido de confiança da burguesia. Teixeira recebeu doações de banqueiros como o ex-ministro de FHC, Armínio Fraga e os herdeiros do Itaú.

Setores do partido protestaram timidamente, Marcelo Freixo bateu o pé e defendeu o “direito” de Wesley ser financiado pelos banqueiros. Ficou por isso mesmo.

Wesley não foi eleito, mas o recado do PSOL foi dado: “fazemos qualquer negócio”. Mais uma credencial do PSOL para a burguesia.

Já que o assunto é o Rio, não é demais lembrar que Freixo correu para declarar apoio a Eduardo Paes, do DEM, no segundo turno. O partido que nasceu falando que o PT se aliava à burguesia, se joga de armas e bagagens para a aliança com o partido da ditadura militar.

Por que o PSOL?

Alguns poderiam ainda se perguntar por que o PSOL se torna o partido de esquerda oficial do regime se já existe o PT. A resposta é mis simples do que se imagina.

Não se trata aqui de um problema meramente político. Abstratamente falando, a política do PT e do PSOL no que diz respeito à colaboração de classes não tem grandes diferenças. A questão é outra.

O PT, em particular a ala lulista, tem uma coisa que a burguesia quer evitar a qualquer custo nesse momento: base popular. O PT tem em sua base quase 3 mil sindicatos ligados à CUT, movimentos populares e uma massa de pessoas que apoiam o partido. O PSOL não tem nada disso.

A direita não tolera o PT no regime pelo simples fato de que inevitavelmente – até mesmo sem a vontade do próprio PT – se estabelece uma certa participação política dos trabalhadores. O regime golpista, cujo principal objetivo é desferir os mais duros ataques contra os trabalhadores, não permite a menor concessão, nem mesmo a mais remota política reformista que o PT colocou em prática durante seus governos.

Ao mesmo tempo, a presença da esquerda na população é imensa. É preciso, portanto, escolher um partido que se passe por esquerda mas que seja controlado não por uma base popular, mas por políticos profissionais, com uma base na classe média esquerdista e até meio direitista. A direita não tolera o PT não porque ele tenha uma política maravilhosa, mas porque sabe que o PT não consegue realizar uma política que não sofra a pressão de uma base popular, ainda que remotamente.

O PSOL, assim, foi o escolhido. Se você, eleitor de classe média, quer um candidato limpinho, vote no PSOL.

Leia também:

Por que Boulos é uma unanimidade nacional

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