Direita x Direita
PSOL faz demagogia lançando Luiza Erundina para controlar crise na sua base e apoiar o candidato golpista de Maia e Temer Baleia Rossi para presidência da Câmara
erundina doria (1)
O lançamento de Erundina é apenas uma cortina de fumaça para apoiar a direita golpista | Foto: reprodução
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O lançamento de Erundina é apenas uma cortina de fumaça para apoiar a direita golpista | Foto: reprodução

Na sexta-feira (15), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) anunciou o lançamento de Luiza Erundina como candidata do partido para concorrer às eleições à presidência da Câmara dos Deputados e também um apoio envergonhado ao candidato golpista e braço direito de Michel Temer, Baleia Rossi (MDB).

A nota do PSOL é curta e não traz nenhuma avaliação ou denúncia da política atual. Veja abaixo:

A Executiva Nacional do PSOL, reunida para debater as posições presentes no interior da nossa bancada federal acerca da tática para a eleição da Presidência da Câmara dos Deputados, e reconhecendo a legitimidade de todas as opções em discussão, delibera:

  1. a) Em favor da construção de uma candidatura de esquerda no primeiro turno que defenda as bandeiras da ampliação de direitos, da democracia, da soberania nacional, da defesa da saúde pública, de mudanças anti-austeridade na política econômica, da vacinação de todos e todas e do combate a toda as formas de discriminação e opressão, bandeiras estas que serão reforçadas por uma presidência da Câmara dos Deputados que dê início ao processo de impeachment de Bolsonaro;
  2. b) Que essa construção deve ser feita em diálogo com deputados e deputadas de outros partidos que defendam uma candidatura de esquerda e, desde já, saúda a disposição da companheira Luiza Erundina para cumprir essa tarefa;
  3. c) Que caso a candidatura de esquerda não esteja no segundo turno, orienta o voto da bancada do PSOL no candidato que representar uma alternativa àquele apoiado pelo governo Jair Bolsonaro (grifo nosso).

Executiva Nacional do PSOL

15 de janeiro de 2021.”

 

A nota é vazia de conteúdo e o lançamento da deputada federal Luiza Erundina pode enganar os mais ingênuos na política, mas não passa de uma fachada para apoiar o candidato de Rodrigo Maia e Michel Temer para a presidência da Câmara dos Deputados no segundo turno.

Essa manobra foi necessária para controlar uma enorme crise que se abriu dentro do partido, a partir da possibilidade de apoio a Baleia Rossi logo no primeiro turno após a maior parte de seus parlamentares e principais dirigentes do PSOL declararem que o partido deveria apoiar o candidato do golpista Rodrigo Maia.

O fato mostra mais uma vez que dentro do PSOL quem manda são seus parlamentares que possuem uma política extremamente mesquinha e de ganhos pessoais. Foi assim com o lançamento da candidatura de Guilherme Boulos para a presidência da República em 2018, quando ele foi lançado como candidato antes de estar filiado ao PSOL e ocorre novamente, onde a base do partido se mostrou em oposição ao apoio a Baleia Rossi, mas os “donos” tomaram a decisão de apoiá-lo, independentemente da consulta à sua base partidária.

Para enganar os mais incautos, enganar a base e mostrar-se como um partido que não entra em acordos com a direita (mas que sempre acaba abraçando-a), procurou evitar um apoio descarado ao candidato da direita golpista Baleia Rossi para apoiá-lo no segundo turno. Isso porque a avaliação de todos os analistas e parlamentares é que haverá segundo turno entre o candidato de Rodrigo Maia, Baleia Rossi, e o candidato de apoiado por Jair Bolsonaro, Arthur Lira.

Todos os parlamentares apoiam, a divergência é agora ou depois

Nesse jogo de cena realizado pelo PSOL para se mostrar “combativo” e “diferente” fica claro que a posição do partido é apoiar o candidato da direita golpista Baleia Rossi. A única divergência, que na prática é a mesma posição, é apoiar no primeiro ou no segundo turno.

É um jogo de cena porque o PSOL não possui votos suficientes para decidir nada no primeiro turno e todos sabem que haverá segundo turno entre o candidato de Rodrigo Maia e de Jair Bolsonaro. Apoiá-lo no primeiro turno é apenas uma figuração para negociar mais cargos para seus parlamentares e quem deixou essa posição de maneira mais clara foi o deputado federal Ivan Valente.

Em matéria publicada no jornal golpista O Globo, Ivan Valente diz que o indicado do grupo de Maia terá menos votos que Lira no primeiro turno, o que tornará mais valioso o apoio da oposição e dará mais condições de negociar a pauta que será votada nos próximos dois anos na Câmara. A própria Luiza Erundina tem essa posição e por isso se colocou como candidata porque após o primeiro turno das eleições na Câmara podem apoiar tranquilamente Baleia Rossi no segundo turno.

Já David Miranda, Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Marcelo Freixo e Vivi Reis defendem abertamente que o PSOL deveria apoiar Baleia Rossi no primeiro turno “contra o bolsonarismo”. A justificativa é que esperar um segundo turno é muito arriscado e o candidato bolsonarista pode ganhar no primeiro turno.

É apenas uma divergência meramente de ocasião em que todos querem apoiar um candidato da direita golpista e negociar cargos e benefícios.

Um partido com o mesmo funcionamento de um partido burguês

A decisão do PSOL em apoiar o candidato de Rodrigo Maia e Michel Temer para “conter” Jair Bolsonaro escancara o funcionamento do PSOL, um partido que se autointitula como ‘diferente’ dos outros.

Apoiar o candidato da direita golpista sem consulta das bases partidárias e apenas por decisão dos parlamentares a revelia de todas as instâncias e da importância das decisões mostra o funcionamento semelhante a qualquer partido burguês que existe hoje.

Para um partido burguês o que importa são as decisões dos parlamentares, que fazem parte da corriola política que manda. Não é por acaso que um partido burguês não possui uma base militante, mas um agrupamento de pessoas que apoia determinado candidato ou parlamentar. Ou seja, o mesmo funcionamento que estamos vendo dentro do PSOL.

Esse poder dos parlamentares não vem de sua base, mas da mesma maneira que um partido burguês, são os cargos e a posição dentro do Estado, a presença constante na imprensa capitalista e não na imprensa partidária (que sequer existe), demonstrando, aqui também, que o funcionamento do PSOL é o mesmo de um partido burguês.

Se não fosse o funcionamento autoritário do PSOL, a cúpula formada em sua maioria por parlamentares teria sérias dificuldades em apoiar a direita golpista e de entrar na desmoralizante frente ampla. Há um considerável repúdio na base mais consciente do PSOL e de apoiadores em entrar na frente ampla e de se colocar lado a lado com a direita golpista, mas quem manda não quer nem saber.

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