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PSOL faz de tudo para negar o Fora Bolsonaro
psol laranjas
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O PSOL tem muitas correntes internas, e toda crítica feita ao partido pode ser rejeitada nesses termos: “não afirmamos nada disso, foi a corrente tal”. Muitas vezes é como debater com sombras. No entanto, na questão discutida nas linhas seguintes, a crítica é bastante abrangente relativamente ao PSOL como um todo. Trata-se de um chamamento à Greve Geral feito pelo site Esquerda Online, da corrente outrora denominada MAIS, que rachou com o PSTU e entrou no PSOL.

Sob o título “Uma semana decisiva para a luta em defesa da aposentadoria e pelo futuro da juventude”, o MAIS chama a população a empenhar seus esforços em lutas parciais contra o governo Bolsonaro. O problema é que, com sua política de evitar a exigência de que o governo deixe o poder imediatamente, o MAIS (ou o Psol) ficou para trás em relação ao que as massas já exigem nas ruas. Enquanto o povo grita “fora Bolsonaro!”, o MAIS propõe à população o seguinte: “Precisamos intensificar as panfletagens e as banquinhas de recolhimento do abaixo-assinado contra a reforma da Previdência”.

O problema é que os ataques do governo Bolsonaro são diários. Só esta semana acabaram com a fiscalização da tortura e com 14 normas de segurança do trabalho. E a cada semana muitos outros ataques são feitos. Outro exemplo é o asfixiamento financeiro dos sindicatos, que sequer se tornaram um assunto nacional. Mesmo que os cortes na educação ou a reforma da Previdência fossem derrotados, isso não acabaria com o governo e a proporção de ataques contra a população já vai muito além disso.

Ao mesmo tempo, há uma grande tendência de luta contra o governo. Isso será expresso na greve geral de hoje, que é uma continuação dos grandes atos nacionais dos dias 14 e 30 do ano passado. É um momento propício para exigir a saída do governo, juntando-se ao clamor popular. No entanto, o MAIS considera que: “Os trabalhadores e a juventude, nessa semana, devem conversar com a classe trabalhadora, para desmontar o discurso do governo, de que não há outra saída, senão a reforma. É possível conseguir recursos (…)”.

É uma proposta de exigir do governo Bolsonaro uma mudança da política. No entanto, caso o governo Bolsonaro consiga contornar a crise e se consolidar, o que virão serão mais ataques. As lutas parciais que o MAIS propõe, e muitos outros setores de esquerda junto com eles, acabam servindo para ajudar a sustentar o governo, inclusive levando a propostas de lutas institucionais. Neste momento, essa política é um perigo.

A conclusão do MAIS é a seguinte: “Pois, a luta pelos direitos de trabalhar, estudar e se aposentar, apenas começou. Nesta semana, vamos dizer que não aceitamos pagar a conta, novamente. Vamos construir a greve geral, para derrotar o Governo Bolsonaro nas ruas.” Não fica claro o que quer dizer derrotar Bolsonaro. Significa expulsar o bolsonaro do governo? Tirá-lo do poder? Nada no texto sugere isso. Mas então só resta a conclusão de que seria obrigar Bolsonaro a aplicar outro programa político, o que simplesmente não vai acontecer, mesmo que um ou outro ataque pontual seja derrotado. É preciso aproveitar a disposição de luta contra o governo para exigir a saída imediata desse governo.