Estelionato político
PSOL e PCB na greve dos professores: discurso pseudo combativo para esconder a política contra a greve

Por: Redação do Diário Causa Operária

A esquerda pequeno-burguesa imita a política burguesa em muitas questões. Uma delas é a dissimulação de seus verdadeiros interesses e objetivos. Não é incomum dirigentes da esquerda falarem uma coisa e fazerem outra, ao melhor estilo do político burguês picareta.

O político burguês, para ganhar votos do povo, faz discurso de que defende o povo, de que defende o Brasil etc. Tudo isso serve para esconder sua real política que é fazer o jogo dos grandes capitalistas contra os interesses do povo. O político burguês é aquele que destrói os direitos dos trabalhadores falando que está defendendo seus interesses.

Assim, por exemplo, uma parte da esquerda tentou convencer o povo de que são grandes lutadores contra o golpe mesmo apoiando os golpistas na Câmara dos Deputados, como aconteceu recentemente com o apoio à Baleia Rossi (MDB) e Rodrigo Maia (DEM) na eleição da mesa diretora daquela Casa. O PSOL, por exemplo, é muito gogó de que é um partido radical, alguns dirigentes do partido até se dizem revolucionários, mas na “hora H” seus membros mais importantes, como Guilherme Boulos e Marcelo Freixo, defendem a frente ampla e seus parlamentares também declararam apoio à Baleia Rossi, no segundo turno da eleição da Câmara, que acabou não acontecendo.

No movimento sindical, esse golpe de falar uma coisa e fazer outra também é muito comum. Nas redes sociais e em seus portais na internet, os dirigentes do PSOL procuram aparecer como grande opositores de Doria, grandes críticos da volta às aulas etc.

Mas na prática é o completo oposto. Os membros do PSOL foram flagrados nas assembleias da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) defendendo o fim da greve. Para eles, não deveria haver greve nem mobilização.

Se o governo quer infectar e matar os professores, estudantes e funcionários, além dos familiares obrigando todos a irem às aulas, não há muitas opções para os trabalhadores a não ser a greve. Ou é a greve ou é a doença.

A política do PSOL é cínica. Os dirigentes do partido procuram dissimular sua posição real sobre a greve fazendo discursos e notas públicas onde procuram se apresentar como os maiores lutadores da categoria, mas na prática, eles estão ao lado de João Doria na política genocida de volta às aulas. Ficar contra a  greve – única arma real de luta dos trabalhadores contra o genocídio -, significa ficar automaticamente ao lado daqueles que querem a volta às aulas.

Para se ter uma ideia a que ponto chega o cinismo e dissimulação do PSOL, este Diário e a corrente Educadores em Luta, composta por militantes e simpatizantes do PCO na categoria dos professores, denunciaram a posição do PSOL na categoria contra a greve e a mobilização.

Atingidos pela crítica e vendo que sua política foi exposta publicamente, a corrente interna do PSOL, Resistência, publicou matéria em seu portal na internet afirmando que o PCO estava mentindo. Sem entrar no mérito da política, a nota, assinada por João Zafalão e Richard Araújo (professores, diretores da APEOESP e dirigentes da corrente Resistência), limita-se a caluniar o PCO sobre temas laterais e fazem propaganda dos deputados do PSOL. Sobre a posição do PSOL em relação à greve, não explicam nada.

Mas, ainda bem que existe o mundo real. Fora dos discursos parlamentares e das notas de internet, temos a oportunidade de verificar a política do PSOL onde realmente importa, na prática.

Para que não haja dúvida vejamos as falas de alguns dos representantes do PSOL em algumas das assembleias da categoria em que sua política estava orientada a defender o fim da greve.

No vídeo acima, Sérginho, diretor da APEOESP e membro do PSOL afirma que “não dá pra continuar a greve mas devemos continuar em luta. Está correto suspender a greve”.

Neste segundo  vídeo, outro diretor da APEOESP e do PSOL, Richard, também defende a suspensão da greve.

Mas não é apenas o PSOL. O PCB, por meio de sua corrente sindical, Unidade Classista, também quer acabar com a greve, como se pode ver na intervenção do professor Cloves, representando essa corrente:

O membro do PCB afirma que já é a “terceira assembleia que nós da Unidade Classista estamos defendendo o fim da greve”. “Essa greve não existe. Não podemos colocar em risco companheiros que estão em greve e estão sendo ameaçados”. “Não se pode brincar de greve.”

Fica mais do que claro que a política do PSOL e do PCB é o fim da greve. Falar o contrário é puro estelionato político.

Um dos argumentos é o de que a greve é fraca e que a categoria deveria suspender a greve para “fazer um calendário de mobilização”. O que o PSOL propõe é um recuo na mobilização, que já acontece há mais de três semanas e está desmascarando a política genocida de Doria e Covas, para poder mobilizar. Na prática, funciona assim: acabamos com a greve, mandamos os professores para o trabalho para correr o risco de pegar coronavírus enquanto se espera um outro momento para fazer a greve. Isso quando já há mais de 2 mil casos de infecções nas Escolas e dezenas de trabalhadores da Educação mortos por conta da política dos governos tucanos.

É uma política totalmente ilógica cujo único resultado, se fosse adotada, seria a desmobilização dos trabalhadores e o fortalecimento dos governos e do seu ataque contra os educadores, estudantes e toda população.

Se a greve é fraca como diz o PSOL, o correto é trabalhar para ampliá-la a partir da mobilização que já existe. Mais ainda na atual situação em que o retorno às aulas significa a morte de professores, funcionários e estudantes.

Já o membro do PCB confessa que já está há três assembleias tentando acabar com a greve que ele chama de “inexistente” e de “brincadeira”. Preocupado com as ameaças dos patrões, ele oferece a seguinte alternativa para os professores: a desmobilização e a volta às aulas. Ao invés de dar exemplo de combatividade, de procurar organizar a categoria, o membro da Unidade Classista chama os professores a se entregar.

Essas são apenas pequenas amostras do que é a política dessa esquerda, em particular o PSOL e o PCB, que cada vez mais se torna um apêndice do PSOL.

Fica claro que estamos diante de um estelionato político da parte desses grupos. Se acreditam na necessidade de acabar com a greve por que não publicam um artigo afirmando: “Suspender a greve já!” ou ainda “É preciso pôr um fim a essa greve de brincadeira”? A resposta é simples, querem parecer combativos diante de seus militantes e apoiadores que não sabem o que acontece.

Ao invés disso, quando são expostos em sua política, reafirmam seu cinismo e dizem que são os maiores defensores da categoria e da greve.

Para esconder sua política direitista, para esconder que estão – de fato, concretamente – ao lado de João Doria, esses grupos falam uma coisa e defendem outra completamente oposta. E quando denunciados pela sua política contrária aos interesses dos trabalhadores, atacam o PCO e outros setores que se posicionam a favor da greve.

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