Moralizar golpistas e fascista
Deputados do PSOL encampam a “luta” institucional acionando a justiça golpista para “moralizar” o governo genocida e os picaretas do congresso.
Câmara - 2016
Câmara dos deputados durante o golpe contra Dilma em 2016. | Foto por: reprodução.
Câmara - 2016
Câmara dos deputados durante o golpe contra Dilma em 2016. | Foto por: reprodução.

Nesta semana, deputados federais do PSOL (Partido Socialismo e Liberadade) entraram com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo a investigação das denúncias de compra de votos de parlamentares pelo governo Bolsonaro para que votem em Artur Lira e Rodrigo Pacheco na eleição para presidente da Câmara e do Senado.

A ação teria sido motivada pela divulgação de uma planilha interna do Ministério do Desenvolvimento Regional a qual relaciona o nome de 125 deputados e 22 senadores que receberiam verbas de 3 bilhões de reais para aplicarem em seus redutos eleitorais. Também teria sido denunciada a oferta de cargos no executivo federal, articulados pelo gabinete do ministro Luiz Eduardo Ramos.

A denúncia dos parlamentares pede que os fatos sejam investigados como crimes de prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência e improbidade administrativa.

Um balcão de negócios

A denúncia dos deputados do PSOL, buscando a justiça, à priori pode causar uma impressão de ser uma verdadeira luta contra o “toma lá, dá cá”, contra as negociatas e vultosos esquemas que fazem parte da rotina das relações parlamentares em todo o país. Mas, na verdade, representa muito pouco, ou quase nada, para que mais uma mega negociata de cerca de 3 bilhões de reais se concretize.

Primeiro, é preciso deixar claro que buscar a justiça golpista para atuar contra uma das principais práticas da política do Estado burguês é simplesmente inócuo. A justiça como sabemos é um antro de burocratas oportunistas, totalmente entrelaçados aos interesses da burguesia, sendo inclusive formada por figuras que provém de setores ultrarreacionários, como latifundiários e oligarquias regionais, não sendo possível depositar nenhuma esperança que ações deste setor possa, de fato, atacar uma das práticas que é um dos pilares do controle do poder legislativo pelos capitalistas.

E esse aspecto fica ainda mais claro quando lembramos a quem o pedido do PSOL foi direcionado. O partido entrou com representação na Procuradoria Geral da República que é chefiada por Augusto Aras um bolsonarista de carteirinha que foi escolhido diretamente por Jair Bolsonaro em 2019 e tem tomado decisões claramente alinhadas aos seus interesses como o apoio à manutenção do foro privilegiado de Flávio Bolsonaro no inquérito das “rachadinhas” e a mudança de posição no inquérito do STF das “fake news” contra bolsonaristas, entre outras.

Fisiologismo para os inimigos

No dia 22 de janeiro a deputada do PSOL, Luiza Erundina, criticou nas redes sociais (twitter) a decisão do partido de apoiar o candidato Baleia Rossi (MDB) para a presidência da Câmara, afirmou:

É lamentável que o PSOL negocie suas convicções e compromissos políticos históricos ao aderir ao fisiologismo e à barganha por cargos na Mesa da Câmara. Essa é uma prática dos partidos de direita com a qual eu não compactuo.

A posição da deputada mostra como os parlamentares do partido pressionam para que haja uma tomada de posição entre os dois candidatos da direita visando, o que é óbvio, fazer parte da das negociações para ganhar cargos na direção da casa.

Entretanto, deixa claro também que o partido que é um dos maiores defensores da “moralidade” na política, que encampa a luta contra a corrupção, acaba por fazer parte do mesmo jogo que critica. Parlamentares do partido justificaram o apoio a Baleia Rossi como “um voto tático”, com os mesmos argumentos de outros setores da esquerda de que, é preciso não deixar Bolsonaro controlar a presidência da casa.

Na prática, apesar da campanha que parlamentares da sigla fazem ao fisiologismo nos governos da direita, de serem uma verdadeira corja de abutres sobre a “carcaça” do Estado brasileiro, só serve para ser mais uma campanha demagógica, uma peça de propaganda eleitoral, que além de não mudar em nada a situação da classe trabalhadora brasileira, visa garantir um “quinhão” do Estado para si, para manter seus cargos e salários de seus funcionários. Ou seja, para os inimigos, para a direita o fisiologismo existe e deve ser combatido, de preferência pela justiça golpista, mas na troca de interesses de parlamentares da esquerda pequeno-burguesa o que há é uma “fina estratégia política”.

A luta moral e a falta de luta real

Para os parlamentares do PSOL a luta contra a direita golpista, contra os fascistas da extrema direita e os bolsonaristas deve ser feita nas salas e palácios da justiça e nas tribunas dos parlamentos viciados no eterno “toma lá, dá cá”, uma “luta” meramente institucional que, ao final, deixa o controle das ações nas mãos da mesma direita golpista que ela visaria combater, visaria.

Rememorando, a direita brasileria, o que muitos chamam de “centrão”, representa o setor político que domina a política brasileira há décadas. Essa mesma que em 2016 foi mentora e articuladora do golpe contra Dilma Rousseff, retirando da presidência um governo com alguma relação com as massa populares, para em 2018 colocar no poder aquele que se apresenta como a maior escória que o país poderia ter no cargo da presidência. Uma figura que representa o submundo da política nacional, que conviveu se alimentando dos “restos” do regime e vivendo de articulações nas entranhas do regime, o elemento que, na falta de um candidato que tivesse alguma base eleitoral, para evitar a qualquer custo o retorno de Lula, foi elevado à presidência do país, o ilegítimo Jair Bolsonaro.

Dessa forma, a ação do PSOL de buscar a justiça totalmente dominada pelo regime golpista, não passa de um jogo de cena, uma ação para “jogar para a torcida” para continuar a demagogia com a população de uma luta moral, uma luta contra os criminosos que jogaram o país nesta situação e pede a estes mesmos patifes que chama de imorais, a agirem para “sanear” o governo e torna-lo responsável, íntegro, honesto, etc.

Enfim, enquanto os parlamentares se ocupam com a ações demagógicas e inócuas, por outro lado a pandemia segue matando milhares todos os dias, o desemprego em massa escalando, assim como a fome. Enquanto isso a luta real, a mobilização da população, dos trabalhadores, através das suas organizações políticas está abandonada, fazendo com que os setores que estão sendo ainda mais explorados realizem pequenas manifestações de forma espontânea, sem que haja uma melhor organização e, principalmente, a utilização dos recursos que estas organizações dispõem.

A luta para “moralizar” os fascistas, a direita golpista, que agora se veste de “democrata” nada mais é do que mais um episódio de uma novela de infindáveis capítulos que, cada vez mais, está deixando a direita no comando das ações e deixando a esquerda e os trabalhadores como passivos espectadores.

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