2º turno – Eleições 2020
Política de frente ampla coloca o Partido a reboque da direita golpista, de setores como PSDB e DEM
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Sarto (PDT) e Wagner (PROS) | Foto: Camila Lima

No último dia 17 o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) manifestou apoio ao candidato José Sarto, do PDT, à prefeitura de Fortaleza na disputa do segundo turno. Com este posicionamento, o Partido entra de cabeça na frente ampla junto com a oligarquia dos Ferreira Gomes no Ceará e com os setores que deram o golpe de Estado de 2016 e elegeram o próprio fascista Bolsonaro, como o PSDB e o DEM.

A nota foi publicada na página oficial do PSOL Ceará no facebook e procura dar um verniz esquerdista à aliança com a direita golpista, evocando o chamado ao voto no PDT como um “combate ao bolsonarismo”.

Essa manobra é para ocultar que o PSOL está apoiando um partido burguês, que é controlado pela oligarquia da família de Ciro Gomes, ligado ao tucano Jereissati e à direita golpista no nordeste. Logo, apesar de todo o contorcionismo no discurso, que se pretende esquerdista, o PSOL se soma aos piores setores da direita golpista.

Como mostra informação do próprio jornal burguês O Globo:

“Entre os que declararam apoio ao pedetista [Sarto] estão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).”

Recentemente, o senador tucano e golpista Jereissati (PSDB) liderou no Congresso o projeto de lei da privatização da água, tendo como apoio ninguém mais, ninguém menos que o senador do Ceará, Cid Gomes (PDT). Em seguida, o próprio Ciro Gomes apareceu com malabarismo retóricos para explicar que o projeto de privatização da água não era a privatização da água.

A privatização da água fez com que empresas imperialistas como Coca-Cola e Nestlé lançassem pesquisas de mercado para implementar o quanto antes seus interesses neste novo mercado. Levando em consideração que Jereissati é o grande empresário da Coca no nordeste, isto rendeu a Ciro o apelido de Ciro “Coca-Cola” Gomes.

Mas, ignorando tudo isso, o PSOL quer fazer crer que uma frente que reúne partidos golpistas como o PSDB e o DEM, que deram o golpe de 2016 e elegeram Bolsonaro na fraude eleitoral de 2018, seria o grande instrumento de combate ao bolsonarismo.

Toma lá dá cá

Para disfarçar esse apoio, o PSOL utiliza a ideia do bolsonarismo como o “mal maior” a ser combatido, procurando dar um verniz esquerdista à própria capitulação:

“Sem nada conceder nem pleitear, no segundo turno das eleições em Fortaleza, o PSOL fará campanha para derrotar o Capitão Wagner, candidato de Bolsonaro, chamando o voto em Sarto [PDT], ao tempo em que cumpriremos os mandatos recebidos [2 vereadores eleitos], sem apoio ou cargos em um governo Sarto.”

Porém, esta não é toda a verdade. O PSOL, que sempre criticou a “velha política” do “toma lá, dá cá”, passa a ser um executor dela. Isto porque o apoio do PSOL ao PDT em Fortaleza tem relação direta com o apoio do PDT ao PSOL em São Paulo. Ciro Gomes declarou apoio à candidatura de Boulos, o que mostra que a posição do PSOL não tem nada de combate ao bolsonarismo, mas sim de uma aliança oportunista com setores da direita golpista.

Portanto, é preciso denunciar que a disputa em curso se trata na verdade de 2 candidaturas da direita golpista, dado que o PROS, legenda que abarca a candidatura do bolsonarista Capitão Wagner, foi fundada pelo próprio Ciro Gomes e já teve Sarto como um de seus parlamentares.

Mas bem, se o PSOL não teve nenhum constrangimento diante da coalizão junto com PSDB e DEM, a trajetória de Sarto – a um político burguês e homem dos Ferreira Gomes, que acompanhou os Ferreira Gomes desde o PDC (1985-1992), passando por PMDB (1992-1999), PPS (1999-2005), PSB (2005-2013), PROS (2013-2016) e finalmente chegando ao PDT (2016-presente) – não é nada.

Esse apoio em Fortaleza evidencia também que, ao contrário do que diz o PSOL e Guilherme Boulos, o Partido se utiliza sim da política do “toma-lá-dá-cá”, ou seja, de apoiar um partido em um lugar para receber o apoio desse mesmo partido em outro lugar. Em troca do apoio em Fortaleza, o PSOL está recebendo o apoio do PDT em São Paulo.

É mais um apoio que explicita a política de frente ampla levada a cabo pelo PSOL, apoiando partido burgueses e golpistas como o PDT, ainda mais em um local onde o PDT é um partido de oligarcas e latifundiários, um partido de Tasso Jereissati e Ciro Gomes, homens da Coca-Cola no Brasil que ajudaram a tocar o projeto de privatização da água.

É assim que, no segundo turno em Fortaleza, o PSOL se junta ao DEM e ao PSDB. Pois como disse o próprio Rodrigo Maia: “Ninguém governa sozinho. É por isso que o Democratas apoia o Sarto [PDT].” Imerso na política da frente ampla, o PSOL escolheu com quem quer governar: com a direita golpista.

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