Espanha
O PSOE da Espanha finalmente formará um governo, com o auxílio da ERC, partido independentista catalão que se absterá da votação para a tentativa de investidura de Pedro Sánchez
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Adriana Lastra (PSOE) e Gabriel Rufián (ERC) durante as negociações do acordo. Foto: EFE |

O impasse para a formação de governo na Espanha, que levou o país a realizar 4 eleições em 4 anos, parece que finalmente está perto de seu fim. Isso porque o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) está próximo de garantir que o principal partido separatista da Catalunha, o Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), se abstenha da votação sobre a formação de governo.

O partido catalão acabou por fazer algumas exigências para a realização do acordo, tendo como centro que a questão catalã seja feita por meio de um diálogo entre o governo espanhol e o governo regional da Catalunha, chamado de Generalitat.

Há de se destacar que o PSOE foi um dos principais responsáveis pela repressão da população catalã nos últimos tempos, tendo inclusive auxiliado nas prisões de muitos dos líderes da região, inclusive, de alguns líderes da própria ERC, como é o caso de Oriol Junqueras.

Ao contrário da ERC, outros grupos favoráveis à separação da Catalunha não devem apoiar a investidura de Pedro Sánchez do PSOE. É o caso do partido Juntos por Catalunha (JxCAT) e do partido de esquerda Candidatura de Unidade Popular (CUP) cuja recente palavra de ordem foi a de desestabilizar o estado espanhol até conseguir a independência catalã.

Outro a criticar o apoio da ERC ao PSOE foi o político independente Quim Torra, presidente da Generalitat. O político chegou a dizer que o acordo é um “acordo entre partidos” e que não coloca as necessidades da Catalunha em primeiro lugar, como a anistia aos presos políticos, a autodeterminação e o fim da repressão. Quim Torra ainda se queixou do fato de que o acordo nem mesmo menciona a necessidade de mudança da constituição Espanhola, sendo praticamente um apoio por nada.

O acordo provavelmente foi feito por debaixo dos panos, mas com cara de democrático. Segundo o jornal português de direita o Expresso, um órgão do governo chamado Advocacia do Estado realizou um acordo para a soltura de Oriol Junqueras, sob a justificativa de que ele era eurodeputado e estava protegido por uma espécie de foro privilegiado.

As abstenções da ERC abrirão passagem para a formação do governo, que será o primeiro governo de coalizão desde o fim do franquismo, em uma junção do PSOE com o Unida Podemos, coligação de vários partidos de esquerda menores, em que se destaca o próprio Podemos.

As votações para a tentativa de investidura terão início neste sábado, e, como provavelmente Pedro Sánchez não conseguirá os 176 votos necessários para obter a maioria absoluta, uma nova votação ocorrerá no dia 7 de janeiro, em que será necessário apenas a maioria simples, que ocorrerá com a abstenção da ERC.

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