68 motoristas mortos por Covid
Quantos milhares de usuários também não morreram pela sanha capitalista dos empresários e do governo?
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Motoristas arriscam a vida para garantirem os lucros da máfia dos transportes | Foto: Diego Torres Silvestre

Verificação realizada pelo Sindicato dos Motoristas de Ônibus da Cidade de São Paulo (SindMotoristas) anunciada no último dia 19 de agosto denuncia que a categoria perdeu 68 trabalhadores vítimas do coronavírus. O número de mortes supera o percentual de cerca de 3% de mortos para cada contaminado na população brasileira, pois entre os trabalhadores do transporte coletivo houve 748 casos suspeitos e 246 confirmados, o que faz o percentual de mortes atingir quase 40%. Mesmo se levar em conta o número de suspeitos, o percentual chega a 11%.

Tais dados remetem ao crime cometido pelos capitalistas do transporte. Há um agravante no caso do transporte, ao longo dos últimos 15 anos, várias empresas extinguiram os cobradores, impondo enorme desemprego na categoria, com os motoristas assumindo dupla função (dirigir e receber as passagens). Tal situação agora também gera o aumento brutal das mortes entre motoristas, que têm contato constante com cédulas ao mesmo tempo que têm de manter a árdua jornada de trabalho dirigindo.

As medidas tomadas pelas empresas de ônibus e pela SPtrans são uma verdadeira aberração demagógica contra os trabalhadores e a população. Anunciam que determinaram a colocação de cortinas de proteção para os motoristas (no entanto, as mesmas não isolam completamente o motorista, conforme denúncias de trabalhadores), a obrigatoriedade do uso de máscara e que reforçaram a limpeza dos ônibus e terminais municipais. Ao mesmo tempo em que apresentam as desculpas totalmente esfarrapadas e criminosas para os trabalhadores, não citam a superlotação diária em todos os ônibus na capital paulista. Quantos milhares não morreram pela sanha capitalista dos empresários e do governo?

Tudo isso em conluio com os sucessivos governos do PSDB em São Paulo, seja na prefeitura ou no governo estadual. Os transportes vêm sucateando há décadas, com a ditadura interminável dos tucanos, seus comparsas que aplicam uma política que satisfaz totalmente os interesses da máfia dos transportes.

A colocação nas ruas de toda a frota (e aumento dela, para gerar mais empregos), com limitação do número de passageiros por veículos, álcool gel para todos, reorganização dos serviços essenciais com abertura de vários turnos de trabalho (diminuindo a aglomeração nos locais de trabalho e diminuindo consideravelmente a lotação nos horários de pico), isolamento dos trabalhadores dos serviços não essenciais, testes para toda a população são algumas das medidas efetivas na diminuição e no controle da disseminação do vírus que não foram tomadas em razão da ótica capitalista do lucro contra o bem comum da população.

As mãos dos capitalistas dos transportes estão sujas com o sangue da classe trabalhadora. Os trabalhadores do transporte devem exigir dos sindicatos a organização da luta e a convocação de assembleia para deliberar greve de toda a categoria. Os motoristas e cobradores devem entrar em greve, paralisando os transportes, pois estão correndo iminente risco de vida para encher os bolsos dos patrões dos transportes e dos outros ramos. Tal greve deve exigir o fim da dupla função dos motoristas, a contratação de cobradores, a colocação nas ruas de toda a frota, a limitação do número de passageiros por viagem, assim como o distanciamento dos passageiros dentro dos veículos, reajuste salarial que atenda às necessidades dos trabalhadores, para com salário adequado não precisar recorrer a duplas jornadas de trabalho e a horas extras.

Os capitalistas decretaram a pena de morte dos motoristas, cobradores e trabalhadores que usam o transporte público todos os dias porque os obrigam a ir trabalhar, arriscando suas vidas ao ficarem expostos ao vírus, para que a burguesia encha seus bolsos. A máfia dos ônibus é um desses setores assassinos. Por isso, os trabalhadores também devem lutar no sentido de conquistar a reestatização das companhias de ônibus, para que o transporte seja um verdadeiro serviço para a sociedade, que atenda aos interesses dos trabalhadores, e não à necessidade de lucro dos parasitas mafiosos que monopolizam esse setor.

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