Frente ampla no 2º turno
O candidato a prefeito de Belém pelo PSOL, Edmilson, tem recebido apoio de diversos setores da direita como parte da manobra para fortalecer o PSOL e isolar o PT e o bolsonarismo
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Candidato a prefeito de Belém pelo PSOL, Edmilson, em sessão na Câmara dos Deputados | Foto: Ananda Pimentel/Câmara dos Deputados
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Candidato a prefeito de Belém pelo PSOL, Edmilson, em sessão na Câmara dos Deputados | Foto: Ananda Pimentel/Câmara dos Deputados

O 2º turno das eleições na cidade de Belém (PA), demonstra de forma bastante evidente a manobra da burguesia de procurar isolar o PT através do incentivo às candidaturas do PSOL e de outros partidos de esquerda pequeno-burguesa ou de uma pseudo-esquerda, como PDT ou PSB. O motivo para isso é o fato de que o PT, por ser um partido com uma representação muito maior dentro da classe operária, não é capaz de levar adiante a política que os golpistas têm em mente para o próximo período. Esta seria uma política de ataques cada vez maiores à classe operária e ao povo de um modo geral e de entrega total do país aos capitalistas, aos banqueiros e ao imperialismo. O PSOL, por ser um partido bem mais pequeno-burguês, não é suscetível às pressões da classe operária e representa uma ameaça menor aos planos da burguesia golpista.

O outro lado dessa manobra é isolar o bolsonarismo e os candidatos a prefeito que o representam, já que a extrema-direita tende a sair do controle dos golpistas e a ocupar um espaço que pertencia anteriormente aos partidos da direita tradicional e que dominam o país desde a época da ditadura, também conhecidos como “centrão”. Isso não significa, no entanto, que a política defendida por esse setor seja muito melhor do que a política que Bolsonaro leva adiante enquanto ocupa a presidência da república, com apoio do “centrão”.

O governo Temer, por exemplo, que foi dominado por esses setores, introduziu diversos ataques à classe trabalhadora, como o teto de gastos, intervenção militar no Rio de Janeiro e outros tantos.

O pleito em Belém apresenta elementos claros de ambos os lados da manobra. A disputa é entre o candidato Edmilson Rodrigues, ex-prefeito da capital pelo PT, atual deputado federal pelo PSOL, contra o Delegado Eguchi, dos Patriotas. Eguchi é o candidato tipicamente bolsonarista, concorrendo por um partido de extrema-direita, vindo do aparato repressivo do estado e apoiado abertamente pelo presidente e seus aliados. Edmilson, por outro lado, é o candidato da esquerda pequeno-burguesa, apoiado pelos setores esquerdistas da classe média, além de diversos artistas, como a paraense Gaby Amarantos, Caetano Veloso, Fafá de Belém e outros ídolos da chamada “frente ampla”.

Contudo, os apoiadores de Edmilson não são apenas esses artistas de posição política sempre fluída e confusa ou a pequena-burguesia desorientada. Alguns partidos políticos com objetivos bastante definidos também manifestaram seu apoio a Edmilson. Fora a coligação com os partidos de esquerda parlamentar ou pequeno-burguesa, como PC do B, PT, e UP e outros partidos de direita, mas que fingem ser de esquerda, como Rede e PDT, também entraram no coro dos apoiadores, partidos políticos do bloco mais fundamental do regime político.

O Partido Verde (PV), que funciona fundamentalmente como uma sub-legenda do PSDB, declarou seu apoio a Edmilson em uma nota que promove de forma bem clara a política da chamada “frente ampla”, segue abaixo: 

“O PV JAMAIS se aliaria a um candidato ou partido que viesse contra as suas ideologias, que apresenta um plano de governo retrógrado e que demonstra um total desconhecimento de gestão e de visão humana e ambiental e por esses e tantos outros motivos, o PV de Belém NÃO fará base ao candidato, do partido Patriotas, EGUCHI e repudia veementemente seu plano de governo e o desrespeito às minorias.

Quanto ao candidato Edmilson Rodrigues, do PSOL, entendemos, que mesmo tendo inúmeras diferenças ideológicas, seu plano de governo está mais próximo dos verdes, deixando claro que este é o melhor candidato apresentado.

Após debates internos, entre filiados e direção, o PV de Belém DECIDE liberar suas candidatas, candidatos e filiados para apoiarem o candidato Edmilson Rodrigues do PSOL, sem firmarem acordos pelo PV, ou falem em nome deste”

Está presente aí a famosa demagogia de desrespeito às tais “minorias” e com o meio ambiente, no entanto nada é dito sobre a política de privatizações, entrega do patrimônio para o imperialismo e outras pautas que não incomodam tanto assim a burguesia.

Outro apoio angariado pelo candidato do PSOL e que mostra de forma mais clara sua aliança com a burguesia, é a do PSDB, partido conhecido por sempre defender os interesses dos capitalistas e dos setores mais vampirescos da sociedade. Sua estadia no governo federal levou o país a uma situação de miséria nunca antes vista e também possibilitou a entrega de uma série de patrimônios nacionais para o imperialismo, tornando-o um partido muito querido dos capitalistas.

O apoio se deu através do presidente de sua juventude paraense, Pablo Alves. Este se posicionou através de sua conta no Twitter, dizendo que

como social democrata em Belém, não dá pra ter outro lado. Dia 29 é dia do voto útil 45 + 5”.

O partido de direita Cidadania também se posicionou a favor do voto em Edmilson em Belém. Em nota, assinala que

“reunido com suas executivas estadual e municipal de Belém, assim como com a representação dos candidatos que concorreram ao pleito eleitoral de 2020 em Belém, decidiu, por ampla maioria, o indicativo de voto para Edmilson Rodrigues, candidato a prefeito de Belém pelo Psol 50”.

A nota continua, da seguinte forma: “Respeitando o resultado das urnas e parabenizando a campanha propositiva conduzida pelo nosso candidato Thiago Araújo, e entendendo que ambos os projetos apresentados à opção de votos da população de Belém no segundo turno não expressam plenamente nossos ideais e as propostas do partido, mas em respeito à democracia, preocupados com o risco de retrocesso e com o propósito de combater à intolerância, preservando a diversidade de pensamentos, dentro dos princípios que norteiam nossas diretrizes partidárias, não podemos ter outra posição”. Além disso, Edmilson também conseguiu apoio de economistas de Belém, que defenderam, em Manifesto, seu apoio à política do candidato psolista. 

Todos estes apoios vindos de figuras ligadas à direita e à burguesia evidenciam o fato de que o PSOL é um partido que não incomoda essa classe social em nada. Pelo contrário, a burguesia apoia o partido do solzinho, em troca do seu apoio aos partidos burgueses em várias cidades. Também é uma explicação de por que o PSOL teve um bom posicionamento em algumas disputas eleitorais nesse ano, como em Belém ou São Paulo. 

O apoio efusivo desses setores direitistas são prova da aliança que o PSOL fez com eles e de que sua política não contribui em nada para a luta da classe operária, que precisa votar em candidatos de sua própria classe social.

Diante disso, é preciso votar NULO nesse segundo turno, não só em Belém, mas em todas as cidades.

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