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Em ação criminosa da polícia, dois homens são executados em MG

Ato de 29 de maio

A repressão no Recife não é culpa do PSB… e Papai Noel existe

Governo de Pernambuco, acompanhado pelo PCdoB, faz povo de otário e tira o corpo de fora da cena de guerra que montou contra os atos do dia 29

Paulo Câmara cumprimenta seus cães de caça – Foto: Reprodução

A obrigação de todo político burguês é ser cretino. É de fazer as coisas mais absurdas e asquerosas e depois conseguir aparecer em frente às câmeras chorando pelo sofrimento de seu povo ou contando alguma história que convença o eleitor de que um paralelepípedo é mais redondo que uma roda. Condenar um político burguês por mentir é, neste sentido, chover no molhado. O papel da esquerda deve ser o de nunca levar a sério uma única palavra do que esses selvagens de terno falam e utilizar as suas mentiras para desmascarar como o regime burguês é, em si, uma podridão revestida por uma “democracia” que mais parece um circo.

No último sábado (29), data que marcou um dia espetacular de manifestações do povo contra o regime, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), veio a público mentir descaradamente. Diante do fato de que a Polícia Militar, sob seu comando, atacou covardemente o povo na rua, o governador disse que as balas de borracha, as bombas de gás lacrimogêneo, as dezenas de feridos e a dispersão de um ato de milhares de pessoas não era sua culpa. E não foi só Paulo Câmara: a presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, secretária de primeira hora do governador, também logo publicou um vídeo jurando por Santo Stálin que Paulo Câmara não mandou seus cães atacarem o povo. Por que teria tanta certeza assim, ninguém sabe — teria o PCdoB passado o sábado inteiro com o governador para saber exatamente o que Paulo Câmara fez ou deixou de fazer?

Pode até ser. Mas a certeza, neste caso, revela uma determinada concepção política. Luciana Santos, fazendo jus à tradição de seu partido, confia cegamente nos inimigos dos trabalhadores e do comunismo: acredita que a melhor maneira de não ser devorada pelos monstros que representam a burguesia é servindo de tapete para eles. O fim desse filme, todo mundo já conhece e não é bonito. O problema é que, enquanto brinca de vice-governadora de um governo inimigo dos trabalhadores, Luciana Santos não só está selando seu destino como serva da burguesia, mas também está contribuindo para que todos os trabalhadores sofram nas mãos de um golpista. Não só se comprometeu com o PSB, como está indicando, para aqueles que apoiam ou simpatizam com o PCdoB e para a população, que o PSB é de confiança.

Diante desse desserviço, é nossa obrigação limpar o terreno. Mostrar que o PSB é um inimigo dos trabalhadores, uma corja de sanguessugas que está do outro lado da trincheira. E que essa política de passar pano para Paulo Câmara só pode vir dos incautos que se deixam enganar pelas maracutaias do PCdoB e da ala direita do PT representada por Humberto Costa, ou simplesmente de quem está muito mal-intencionado.

O que disse Paulo Câmara

Como dissemos, a baixaria do PCdoB nos obriga a descer ao nível de ter de explicar como Paulo Câmara, que já é conhecido como Paulo Mentirinha, por ter mentido que não ia aumentar o preço da passagem de ônibus, é, como todo político burguês, um mentiroso safado. Abramos, então, a porta da pocilga.

O governador fez um pronunciamento por vídeo em que começa com um discurso à la João Doria, o governador psicopata de São Paulo que tenta se apresentar como civilizado: “Sempre pratiquei, na minha condição de governador de Pernambuco, os mesmos princípios que defendo como cidadão e democrata. Repudiamos todo ato de violência, de qualquer ordem ou origem”.

O começo já é defensivo. Por que alguém teria de começar um discurso falando que é isso ou aquilo? É porque o próprio Paulo Câmara sabe que o objetivo de seu pronunciamento era se defender, de dizer que ele não era um reacionário. Seu discurso não é de um líder revoltado com o que aconteceu, de alguém que quer tomar iniciativas para que isso nunca mais se repita. Ele só está preocupado com sua reputação — que, em política, tem o mesmo significado de “eleição”.

De onde teria vindo, no entanto, as acusações contra Paulo Câmara? Se ele não tem nada a ver com a história, por que ele estaria tão incomodado de ser responsabilizado pelos crimes da polícia? É aí onde mora o problema: Paulo Câmara teve de vir a público porque a revolta com o que aconteceu é muito grande. A esquerda mal reagiu ao que aconteceu. Com exceção deste diário, que cobriu ao vivo a brutalidade da polícia e estampou em sua capa que o PSB era responsável, PSOL, PSTU, PT, UP e PCB se calaram. O incômodo veio, portanto, da denúncia do PCO e, mais do que isso, da compreensão de Paulo Câmara de que a denúncia do PCO expressava a opinião do povo. Em um dos vários vídeos gravados pela equipe da Causa Operária TV, o povo, carregando uma pessoa desmaiada, mostrou sua revolta com o governo: “Paulo Câmara, mais um para sua conta”.

O vídeo de Paulo Câmara é um confronto com o povo. Em vez de “Pronunciamento oficial sobre blá blá blá”, deveria se chamar “O povo contra Paulo Câmara”, conforme a tradição norte-americana, que já não tem mais nada de democrática, segue em seus julgamentos criminais. No fim das contas, é isto: o vídeo é um depoimento de quem está sendo justamente acusado de fazer seu povo sofrer.

Por que o povo colocou seu governador na cadeira do réu?

Todos sabem que Paulo Câmara é um político sem personalidade. Era uma marionete de seu falecido padrinho Eduardo Campos, foi eleito em meio ao choro por sua morte em uma grande jogada de marketing — que contou também com o desastroso apoio da esquerda ao usineiro Armando Monteiro (PTB) — e se reelegeu governador por causa do golpe que Humberto Costa deu no PT em 2016. Neste sentido, não representa um movimento, nem tem uma base social: segue aquilo que seus patrões — a burguesia e os caciques do PSB — mandam.

O governo antecessor de Paulo Câmara, chefiado por Eduardo Campos, conseguiu governar com relativa estabilidade porque soube combinar o crescimento econômico do governo Lula, que conteve a revolta social, com uma série de acenos à direita. Entre eles, o investimento altíssimo no aparato de repressão.

Aquilo apontado como maior legado de Eduardo Campos em seu primeiro mandato (2007-2010) era nada menos que o Pacto pela Vida, um programa que supostamente serviria para reduzir os crimes violentos. O governo conseguiu apresentar números melhores: em tese, teria reduzido em 56,1% o número de crimes violentos letais e intencionais em Pernambuco e 73,7% em Recife quando terminou o primeiro mandato. No segundo mandato, o programa continuou, mas já sem tantos números para apresentar: no final de 2014, os crimes teriam reduzido em 33,7% em Pernambuco e 31% em Recife.

Obviamente, o resultado pode e deve ser contestado. Tanto porque a situação econômica do Estado era muito melhor, graças à política do governo Lula, o que reduziria a criminalidade, quanto porque, para conseguir os números, o governo promoveu uma série de mudanças nos critérios para a contabilidade dos óbitos. Mas o fato é que quem vive em Pernambuco não sentiu grandes diferenças e que, com o aumento da crise social após o golpe de 2016, os números voltaram a subir rapidamente.

A grande mudança que deu para sentir na pele foi no efetivo policial. Nos dois mandatos, foram contratados mais de 12 mil profissionais de segurança. Na Polícia Militar, o efetivo praticamente dobrou: passando de 11.633 para 19.663 pessoas. Na Polícia Civil, a situação é ainda mais absurda: passou-se de 2.301 para 5.212 agentes! Os dados são da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco. Com Paulo Câmara, os números se mantiveram. Mas, junto a isso, a guarda municipal de Recife foi superequipada, em pareceria com seu correligionário Geraldo Julio e cumpre o papel de uma PM de segundo escalão. Em 2020, 54 municípios receberam 280 viaturas das guardas municipais.

Essa mudança se refletiu em números impressionantes. Em 2004, a polícia havia matado 17 pessoas em Pernambuco. Em 2017, no final do primeiro mandato de Paulo Câmara, esse número subiu para 124 mortes, um aumento de 623%! Durante a pandemia, Pernambuco foi o segundo Estado onde o número de mortes causadas pela polícia mais aumentou: 58%!

Junto a isso, uma série de barbaridades pode ser listada. Paulo Câmara colocou a PM dentro dos terminais de ônibus, convidou a Força Nacional de Segurança para ocupar a cidade de Paulista, reprimiu violentamente a greve dos técnicos em enfermagem no início de 2020 e mandou batalhões de guerra para intimidar os atos por Fora Bolsonaro em maio de 2020.

Junto a tudo isso, merece destaque que o governo abandonou o povo à própria sorte durante a pandemia. Os camelôs estão sofrendo uma perseguição implacável dos policiais e guardas terceirizados e não há qualquer auxílio para o povo que está passando fome. Há, portanto, muito motivo para a revolta.

O que fez Paulo Câmara?

Paulo Mentirinha segue seu discurso dizendo que “sobre o ocorrido, durante manifestação no centro do Recife, na manhã deste sábado, determinei a imediata apuração de responsabilidades. A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social já instaurou procedimento para investigar os fatos”. Todo mundo sabe que isso não quer dizer coisa alguma. A polícia mata milhares todos os anos e as corregedorias nunca fazem nada. Até mesmo os monstros que comandaram o massacre no Carandiru estão, hoje, livres.

Mas o que chama mais a atenção é quem efetivamente Paulo Câmara decidiu punir: “o oficial comandante da operação, além dos envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne, permanecerão afastados de suas funções enquanto durar a investigação”. Ora, mas o problema todo teria sido a repressão à vereadora que levou um jato de spray de pimenta na cara? Obviamente, o caso é grave, mas e as três pessoas que levaram tiro de bala de borracha no olho — uma delas nem era manifestante. Isso passará ileso? E a manifestação mais importante dos dois últimos anos, que foi destruída por causa da Polícia Militar, como Paulo Câmara pretende reparar? É um cinismo impressionante…

O que diz a esquerda

Na própria tentativa de se defender, Paulo Câmara entregou o jogo. Seu único interesse é dizer que é um democrata, não está minimamente preocupado com o estrago que seus cães causaram. Apenas diz que a culpa não é sua, mas ignora completamente que se, mesmo que algum policial tivesse lhe desobedecido, ele já era culpado a partir do momento em que armou a Polícia até os dentes, enquanto deixou o povo às migalhas. Ignora que o evento não foi uma única agressão a uma vereadora, mas um atentado violento, que poderia ser letal, contra o povo que ele deveria representar.

A esquerda, diante dessa confissão de Paulo Câmara, por incrível que pareça, decidiu se calar. Paulo Câmara anunciou que o problema seria “de algumas pessoas da polícia”. O PCdoB, claro, adotou a mesma linha. Foi até mais explícito. Enquanto Paulo Câmara não falou se mandou ou não bater — apenas enrolou dizendo que era um “democrata” —, Luciana Santos deixou claro que “isso não foi autorizado pelo governo do Estado”.

Mas mesmo a esquerda que não governa diretamente junto ao PSB, como o PSOL, também foi na mesma onda. Em sua “nota de repúdio”, o PSOL falou: “Exigimos do Governo do Estado uma apuração e punição efetiva da truculência da PM no dia de hoje”. Os mais “radicais” criticam a “polícia”, em abstrato. E é certo criticar. O PCO, desde sua origem, defende, à revelia da esquerda pequeno-burguesa como é o caso o PSOL, a dissolução da Polícia Militar. Os mais moderados, criticam “alguns policiais”. No entanto, para o assassino em série que é o governo do PSB, todos se calam.

Isso não pode ser admitido por qualquer organização que represente o povo trabalhador. É preciso denunciar aos quatro ventos, sim, como a polícia é assassina, a guardiã da propriedade privada, uma milícia fascista organizada pelo Estado e que deve ser dissolvida. Toda ela, desde a civil até a militar. É preciso defender o direito ao armamento do povo e seu direito à autodefesa. Mas é preciso, por fim, denunciar o PSB como um partido da burguesia, golpista, que deve ser afastado completamente de qualquer organização dos trablalhadores.

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