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Os golpistas passaram de todos os limites ao impedirem Lula de exercer o direito mais básico de um preso (em seu caso, preso político), como foi a proibição do ex-presidente ir ao velório de seu irmão, na última quarta-feira (30).

A defesa de Lula teve de entrar com um pedido para que ele pudesse ir ao enterro de Genival Inácio da Silva, seu irmão Vavá. O pedido foi negado com a desculpa mais que esfarrapada de que a Polícia Federal não teria helicóptero para levar Lula de Curitiba para São Bernardo do Campo, onde Vavá seria enterrado, porque todos os helicópteros estariam em Brumadinho. Nem uma criança de três anos de idade cairia nessa enganação.

Lula teve de entrar com o pedido na segunda instância, e, negado, teve de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), órgão superior da Justiça no Brasil. Ou seja, para poder garantir o direito mais básico de qualquer preso, Lula foi obrigado a realizar uma saga. E lutar contra o tempo, pois seu irmão seria enterrado em poucas horas.

Os golpistas, finalmente, acabaram “concedendo” o direito de Lula. Mas tarde demais. Quando o marionete do general Ajax Santos Pinheiro (assessor que, na prática, comanda o STF), ministro Dias Toffoli, permitiu o direito inalienável de ir ao velório do familiar, faltavam poucos minutos para que o corpo do irmão de Lula fosse velado.

Diante de tamanha humilhação, Lula se recusou a terminar ainda mais humilhado. Não saiu da carceragem da PF, uma vez que não daria tempo de chegar a São Bernardo. Na verdade, foi tudo pensado estrategicamente desde o começo pelos golpistas, para impedir o ex-presidente de sair, com o medo declarado de que o povo se insurgisse contra a prisão ilegal.

Além disso, a “permissão” de Toffoli foi para que Lula fosse somente a uma base militar se encontrar com os familiares e, vejam só, se quisesse, poderia levar o corpo do irmão até lá. Uma verdadeira armação ditatorial.

Esse caso é o mais escancarado de todas as violações aos direitos de Lula desde que foi preso ilegalmente para não ser eleito presidente da República. Isso deve servir de lição a toda a esquerda, porque não se pode mais confiar nas instituições golpistas para que o ex-presidente seja liberto.

O movimento popular deve fazer uma grande campanha de agitação dentro da classe trabalhadora, porque esta está profundamente irritada com a humilhação sofrida por Lula. Todos os trabalhadores se sentiram humilhados com o fato de Lula não poder ir ao velório de seu irmão. A esquerda deveria ter chamado um grande ato, diante da ira popular, pela libertação de Lula. Ainda há tempo, e é preciso organizar e catalisar toda essa ira para levar o povo às ruas. Porque somente a mobilização revolucionária dos trabalhadores poderá libertar Lula, derrotar o golpe e derrubar Bolsonaro.

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